Orixá Iemanjá/Ìyémojà



Falar de Orixá é um pouco complicado na atualidade, por conta de diversas visões existentes, o que eu aprendi, que vi e que está em diversas lendas é que Ìyémojà estaria relacionada à criação da humanidade juntamente com Òsàlà (Oxalá), por este motivo ela recebe segundo muitos estudiosos o título de Ìyálorì (Mãe de Todas as Cabeças), título que enaltece a grande participação deste Orixá na formação da humanidade.
Iemanjá é a representação do princípio, participa de quase todas as cerimônias, principalmente dentro do Candomblé no ritual do Borì (Bori é o ato de alimentar a cabeça, no sentido de alimentar o espírito, o nosso interior, ou seja, reestruturação).
Iemanjá é a senhora das águas dos rios, dos mares no Brasil e principalmente representada pelo encontro das águas doces e salgadas.
Saudações de Ìyémojà : Odó Iyà – Mãe do Rio / Èérù Iyà – Mãe das Espumas das Águas – Esta saudação faz referência ao encontro das águas doces do rio com as águas do mar.
Dia: Sábado
Cor: Branco, Prateado, Azul e Rosa
Símbolo: Abébé (espelho)

“Ìyémojà é a sabedoria, a calma, serenidade, é aquela que educa, orienta e pune, no intuito de reeducar.”

Cantigas de Ìyémojà:

Àwa ààbó a yó Ìyémojà àwa ààbó a yó Ìyémojà
Estamos protegidos, nossa satisfação é completa.
Iemanjá nos protege e nos enche de satisfação
É Iemanjá.
 Ìyáàgbà ó dé ire sé a kíì e Ìyémojà
A koko pè ilé gbè a ó yó fi a sà
Wè rè ó

A Nossa Mãe chegou e cumprimentamos Iemanjá. Ela é a primeira a quem chamamos para abençoar a nossa casa e nos dar satisfação. Nós usamos o rio que escolhemos para nos banhar pois este é o rio no qual Iemanjá se banha.

Características dos filhos de Ìyémojà:
São pessoas imponentes, majestosas, belas, calmas, sensuais, dignas. Por outro lado, quando se irritam, podem se tornar pessoas extremamente nervosas, até mesmo vingativas e arrogantes. Preocupam-se muito com as demais pessoas, são pessoas soberanas e se fazem respeitar. São justos, formais, difícil de perdoar alguma ofensa, pois não esquecem jamais. Gostam de coisas boas e vistosas. São pessoas que gostam de ajudar, são voluntariosas e gostam de resolver os problemas dos outros como se fossem seus.

Algumas Qualidades/Títulos de Ìyémojà

Ìyémojà Sobà: Ligada a Ayrá e Oxalá
Ìyémojà Iyá Odo: Ligada a Oxum
Ìyémojà Malèlèo ou Maylewo: Ligada a Nanã
Ìyémojà Iyágunté: Ligada a Ogum e Oxaguiã
Ìyásesù:  Ligada a Olokum

Lenda de Ìyémojà


Iemanjá era a filha de Olokun, a deusa do mar.
Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua,

com o qual teve dez filhos.
Essas crianças receberam nomes simbólicos e todos se tornaram orixás.
Um deles foi chamado Oxumaré, o Arco-Íris,
"aquele que se desloca com a chuva e revela seus segredos."
De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.


Cansada da sua estadia em Ifé,
Iemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra",
como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.

Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki.

Iemanjá continuava muito bonita.

Okere desejou-a e propôs-lhe casamento.

Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe:
"Jamais você ridicularizará a imensidão dos meus seios."
Okere, gentil e polido, tratava Iemanjá com consideração e respeito.

Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso.
Voltou para casa bêbado e titubeante.
Ele não sabia mais o que fazia.
Ele não sabia mais o que dizia.
Tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável.
Okere, vexado, gritou:
"Você, com seus seios compridos e balançantes!
Você, com seus seios grandes e trêmulos!"
Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.

Certa vez, antes do seu primeiro casamento,
Iemanjá recebera de sua mãe, Olokun,
uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta:
"Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã.
Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão."
Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu.
A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio.

As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano,
residência de sua mãe Olokun.
Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher.
Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina,
chamada ainda hoje, Okere, e colocou-se no seu caminho.
Iemanjá quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita.
Iemanjá quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.
Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna,
chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos.

Kawo Kabiyesi Sango, Kawo Kabiyesi Obá Kossô!
"Saudemos o Rei Xangô, saudemos o Rei de Kossô!"

Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder.
Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos,
um prato de "amalá", preparado com farinha de inhame,
e um prato de "gbeguiri", feito com feijão e cebola.

E declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar.
Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva.
Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.
Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia.
Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio.
Ouviu-se então: Kakará rá rá rá...
Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere.
Ela abriu-se em duas e, suichchchch...
Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokun.
Aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.
Seus filhos chamam-na e saúdam-na:

"Odô Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais.
Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérolas."

Ela tem filhos no mundo inteiro.
Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes.
Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.

Odô Iyá, Yemanjá, Ataramagbá
Ajejê lodô! Ajejê nilê!

"Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão.
Paz nas águas! Paz na casa!


(Do livro Lendas Africanas dos Orixás)
Pierre Fatumbi Verger / Caribé


Texto e Pesquisa 
Samir Castro

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