Início da Umbanda? Vamos lá


Início da Umbanda? São tantas as verdades, cada pessoa defende a sua verdade como única, eu vejo que são várias histórias e cada uma delas possui uma verdade em comum. Não podemos afirmar que “A” está certo e negar que “B” também está correto. Tudo vai de uma peneira que devemos fazer sobre as informações e definirmos o que mais faz sentido. Dentro do que creio respeitando as visões de outros escritores, acredito que durante o período da escravidão, os escravos buscaram fazer o possível para manter o seu culto vivo, ali misturados a tribos rivais, tribos com as quais lutaram durantes anos em terras africanas afim de expandir seus reinos.
Aqui tiveram que fundir seus cultos, seus dialetos, nascendo assim o Candomblé, a adaptação de seu culto a terras brasileiras, a mistura de ritualísticas e a busca da sobrevivência. Os povos Bantus foram os que mais sofreram, pois são considerados os primeiros a serem escravizados, seu dialeto, suas divindades foram se perdendo com o passar do tempo e, ao se verem misturados com povos de diversas regiões, principalmente ao Povo Yorubá, tiveram que se unir, unificando rezas, comidas, divindades, elementos da cultura dos escravizadores e tantos outros elementos.
A necessidade de manifestar seus ancestrais, a necessidade de manifestar entidades para lhes aconselharem, era algo preciso, necessário dentro da busca da sobrevivência cultural, física e espiritual. Alguns povos, dizem alguns escritores que principalmente o Povo Bantu, possuíam um culto parecido com a Umbanda que conhecemos, no qual manifestavam não somente espíritos de familiares, mas outros, que faziam atendimento de cura, orientações e limpeza espiritual naqueles que participavam de tais cerimônias.
E isso era realizado, feito, mantido vivo apesar de toda a repressão dentro das senzalas durante as danças, festas permitidas pelos “Senhores de Engenho”, essa permissão era dada pois eles percebiam que quando os escravos festejavam trabalhavam com mais entusiasmo. Só não imaginavam todo cerimonial envolvido nestas festividades e como uma cultura tentava se manter viva.
Com o tempo, mais misturas foram adicionadas, mais culturas se misturaram, mais o Candomblé que conhecemos surgia e mais a Umbanda começava a aparecer ali naquele período. Durante as festividades, além de manifestar seus deuses havia a manifestação também dos espíritos de escravos mais velhos (pretos-velhos), espíritos mais jovem que sofreram, lutaram, fizeram de tudo para manter a vida, estes eram uma espécie de espíritos guardiões, por isso entendermos o porque de serem chamados de Exus, fazendo uma alusão, uma homenagem ao Orixá Èsù do Ketu, aqueles guardiões, chamados também de Exú representavam a mensagem, a proteção, aquele que nada poderá impedi-lo de fazer.
Espíritos femininos, também guardiãs, comparadas a Punjila/Bombogira uma divindade feminina Bantu, que com o passar do tempo e nos dias atuais chamamos de Pombagira ou Pombogira, que teria a mesma definição de Èsù.
Assim se inicia a mistura que faz o mistério que até hoje poucos conseguem entender e muitos querem acabar, as pessoas precisam dar mais valor a história...bom continuando o raciocínio, vamos lá....
Além dos povos africanos, temos a mistura com os índios, o sincretismo religioso, a assimilação de imagens católicas as Divindades Africanos, no intuito de preservar uma parte do seu culto, apesar de toda catequese.
Daí temos mais uma mistura na questão ancestral, na questão de manifestação espiritual, começam a manifestar espíritos de Caboclos, de Boiadeiros, para muitos estudiosos alguns Boiadeiros, ou melhor, alguns espíritos que se apresentam nesta linha seriam os capatazes das fazendas que por algum arrependimento se comprometeram espiritualmente em auxiliar aqueles que ali estavam escravizados.
Como a questão de se manifestar espíritos que não são necessariamente Ancestrais, é daí que vem a afirmativa de que a Umbanda surge através dos Cultos de Angola, por isso o uso dos termos Zambi (Deus), Lume (Luz), Malembe (Súplica), Kazuá (Casa), Marafo (Bebida Alcoólica), termos super presentes nos Cultos Umbandistas porém um pouco perdidos nos dias atuais. O mesmo ocorre com os ritmos usados nos atabaques como o Barra-Vento, Congo, Cabula, Samba de Cabula, Congo de Ouro, Ijexá e tantos outros que representam, simbolizam os traços tanto de Angola quanto Kétu.
Além disso, temos o próprio nome Umbanda, que infelizmente as pessoas ao invés de estudarem acabam fazendo guerra para tentar definir quem é o dono da verdade do significado deste nome, eu como gosto somente de estudar e passar o que penso eu aprendi e falo isso respeitando o estudo de outras pessoas, mas aprendi que Umbanda vem de Nbanda, significando sacerdote, incorporação, manifestação, curandeiro e tantos outros significados.
Algumas pessoas dizem que existe um plano espiritual chamado Umbandã, alguns estudiosos fazem uma comparação com Atlântida, dizendo que um Sacerdote chamado Aumbandhã seria um representante da magia branca e seria a essência da Umbanda.... Enfim são muitas informações...
Outra afirmativa do início da Umbanda se dá pelo registro histórico feito por Zélio de Moraes.
Em 1908 a Umbanda foi assim fundada por Zélio Fernandino de Moraes através do Caboclo das Sete Encruzilhadas, antes deste fato segundo alguns historiadores, até mesmo pela história que falamos desde o início de nosso texto, já exista trabalhos com guias, assim como simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos Orixás.
Porém, foi através de Zélio que organizou-se uma religião com rituais e contornos bem definidos, naquela época não havia liberdade religiosa, todas as religiões que apontavam semelhanças com os rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e praticantes presos.
José Álvares Pessoa, dirigente de uma das casas fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas conseguiu junto ao Congresso Nacional a Legalização da prática de Umbanda, a partir disso, muitas pessoas cujos os rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião começaram então a se dizer umbandas para assim fugir da perseguição policial, assim a Umbanda começou a perder um pouco de seus traços iniciais definidos por Zélio.
Hoje vemos várias formas de Umbanda, ramificações, como a Umbanda de Caboclo, Umbandomblé/Umbanda Traçada, Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática, Umbadda Popular, Umbandaime e por aí vai.
Umbanda tem Fundamento? Tem e muito fundamento, apesar de algumas pessoas não aceitarem algumas vertentes, não podemos negar que cada uma delas possui um fundamento, e os Fundamentos da Umbanda varia conforme a vertente que você pratica.
Os fundamentos da Umbanda variam conforme a vertente que a pratique. Todas possuem semelhanças no sentido de ajudar o próximo, o respeito a Deus, os representantes de Deus, as Energias da Natureza e o Amor ao Próximo.
Muitos historiadores da Umbanda falam sobre as famosas Sete Linhas, relacionando as mesmas aos Orixás, outros preferem relacionar as Sete Linhas como vibrações dos Orixás e não os Orixás propriamente dito. Isso veremos melhor em outras postagens.
Como se sabe, os orixás não são originários da Umbanda. Muito antes eles já eram reverenciados nas terras africanas por diversas tribos. Muitos deles não se tornaram conhecidos aqui no Brasil, e, até mesmo nas tribos africanas, cada uma possuía seus deuses e desconhecia outros que eram cultuados em tribos diferentes.
Quando começou o tráfico de escravos, muitos negros de tribos diferentes foram vendidos em conjunto.
Dessa forma, os diversos orixás de tribos distantes se encontraram em terras brasileiras e formaram o grande panteão do Candomblé. Notadamente, a nação que mais influenciou, foi a Yorubá.
Podemos dizer que a Umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), Catolicismo (o europeu, que trouxe o cristianismo e seus santos, sincretizados pelos Negros Africanos), Espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual, etc).
A Umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus, respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, a Umbanda tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza as diferenças. Não há dogmas ou liturgias universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto.
Mantém-se na Umbanda (em algumas Umbandas, pois há as que não utilizam imagens, já que na sua maioria, são de santos católicos sincretizados) o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente era necessário, como forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.
Há também, discordância sobre as cores votivas de cada orixá conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada Orixá.
Resumindo:
Existem diversas visões sobre a Umbanda. Há um grupo que defende que a
Umbanda foi criada através da manifestação dos Caboclos com bases kardecista e
católica. Defendem que a Umbanda não surgiu em senzalas e que isso seria uma
bestialidade, uma banalidade e um insulto. Então, baseado neste pensamento que
considero medíocre, pergunto: se a Umbanda é formada por caboclos apenas, o que
fazem ali os pretos-velhos e os Orixás? Ora, nomes como Exú, Ogum, Oxossi, Xangô
e tantos outros, são do dialeto Yórùba e todos correspondem a Orixás, que é outra
palavra Yórùba, e ainda por cima todos são divindades da nação Kétu. Se querem
retirar o mérito do povo negro na constituição das religiões afrobrasileiras, por que
então cultuar tais divindades?
O que me deixa muito triste, magoado, é que esses cidadãos defendem essa tese a
ferro e fogo. Porém, adoram imitar as vestimentas da minha querida Nação Kétu. Por
isso digo: sou candomblecista, amo minhas entidades de Umbanda, amo a Umbanda
e afirmo que, para combatermos o preconceito, a intolerância, devemos começar a
limpar primeiramente a nossa própria casa.
Samir Castro

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