Oxalá


Oxalá
O Candomblé é cercado de diversos mistérios, de teses, várias opiniões se fazem presentes, mas a única coisa que podemos concluir apesar de que na atualidade muitos querem negar é de que o Candomblé é Brasileiro baseado nos cultos vindos de diversas regiões africanas, o candomblé uma adaptação de cultos a nossa região e rico de conhecimento. Todos os questionamentos, todas as opiniões, todas as visões contraditórias ou não sobre a Histórias dos Orixás e seus Fundamentos são motivadas pela maior destruição histórica que seria o período da escravidão. Muitos conhecimentos se perderam e mesmo com todo acesso nos dias atuais, o contato com pessoas oriundas de regiões africanas mesmo assim se torna difícil encontrar uma verdade absoluta sobre o culto que praticamos. Por isso é tão importante o estudo minucioso dos relatos feitos pelos mais velhos, os estudos da religião em si para a criação de teses para a defesa real do fundamento religioso. Eu não defendo uma única tese, mais sim uma visão peneirada, particular, baseada em estudos e relatos feitos por mim, busco sempre escrever baseado no que eu ouvi e no que eu li.
Orixá Fùn Fùn são descritos por diversos historiadores como aqueles que participaram da criação da humanidade e da Terra; a representatividade do início e do fim; o branco representa o princípio, sendo a essência das demais cores existentes. Oxalá é considerado o grande Orixá da Criação, ele carrega o Opàsorò (Opaxoro – Cajado), um bastão representado muitas vezes pela cor prata ou feito de madeira representando o elo que liga o mundo material e espiritual.
Oxalá é o equilíbrio da existência, o equilíbrio dos homens e do espírito. Ele representa a idealização, o homem sábio, calmo, coerente, mas ai de quem provocar sua ira. Se alguém sentiu na pele a ira de Èsù, pode multiplica-la por mil, que vai entender a ira de Oxalá.
Oxalá é aquele que perdoa os erros diversas vezes, aquele que tolera as falhas em forma de tentar dar uma nova chance para aquele que as comente, mas, quando resolve dar a sua “bronca”, ela é inesquecível e pode ser até devastadora.
O Alà (Pano Branco) representa o conhecimento da criação, conhecimento da vida e da morte. Este pano que cobre nosso corpo durante o período do recolhimento religioso, o Alà representa a calma, sabedoria, paz, é o portal que liga os dois mundos, representando a transição entre os mesmos.
As lendas dos Orixás da maneira que são narradas, são nada mais nada menos que uma forma de serem fixadas na mente dos adeptos de nossa religião, dentro das lendas encontramos diversos fundamentos formas de culto, oferendas, além de encontrarmos diversas mensagens de motivação, garra e superação.
Vou contar uma Lenda de Oxalá de uma maneira sempre, objetiva, Oxalá era o grande rei de Ifon, um belo de um dia ele decidiu que deveria fazer uma visita a Xangô, então antes de sua partida foi consultar o Babalaô para se informar de como ficaria o seu reino durante sua viagem e se tudo iria ocorrer durante o trajeto em paz. O Sacerdote então orientou que ele não fosse realizar tal viagem, pois um grande mal estava por vir, Oxalá bateu o pé, disse que faria aquela viagem de qualquer maneira, então o Babalaô o orientou a não negar ajuda a nenhuma pessoa que encontrasse pelo caminho, recomendou também que levasse três mudas de roupa e fizesse algumas oferendas. Oxalá apressado, saiu em viagem, fez as recomendações, saiu as pressas pois estava ansioso para chegar, levou as mudas de roupa que o sacerdote orientou, assim logo que afastou de seu reino encontrou um velho carroceiro que tentava colocar alguns barris de dendê sobre a carroça, e este, pediu a ajuda de Oxalá, seguindo as recomendações do Babalaô, Oxalá resolveu ajuda-lo, ao colocar os barris sobre a cabeça, o carroceiro virou o barril sobre Oxalá, derramando dendê em sua roupa, era Èsù (Exú) disfarçado. Pacientemente Oxalá dirigiu-se a um rio próximo para poder se lavar, largou a roupa que estava como oferenda, pegou uma das mudas e prosseguiu viagem.
Logo que deu início novamente a viagem ele foi abordado por um outro homem que lhe pediu ajuda, agora era para carregar um enorme saco, era Èsù novamente, Oxalá sem perceber ajudou o homem, no interior do saco havia carvão, logo que ele pegou o saco, o homem rasgou o mesmo, fazendo que Oxalá ficasse todo sujo. Mais uma vez Oxalá foi se lavar na beira de um rio e procedeu da mesma maneira que antes.
Oxalá andava calmamente quando novamente um homem lhe pediu ajuda, agora para carregar um barril cheio de vinho de palma, quando o mesmo se preparou para pegar o barril, o homem que era Èsù pegou o barril e o jogou no chão. O cheiro era tão forte que Oxalá chegou a ficar embriagado, além de tonteado ele estava sujo e lá foi ele se lavar de novo.
No decorrer da viagem, sua roupa ia se sujando, ele não tinha mais mudas de roupa, quando estava a se aproximar da cidade de seu amigo Xangô, o reino de Oyó, Oxalá avistou o cavalo que ele tinha dado a Xangô, ele estava solto e então Oxalá resolveu pegar o cavalo para entregar ao amigo.
No caminho ele foi surpreendido por guardas do reino de Oyó, que o prenderam pensando se tratar de um ladrão de cavalos, Oxalá estava tão sujo, tão mudado que eles não conseguiram reconhecer que era o grande amigo do Rei, logo os levaram para prisão e o deixaram preso sem que ele pudesse dar maiores explicações.
Durante os anos que se seguiram, o reino de Xangô conheceu todos os tipos de doenças, pestes, as piores situações correram com o povo de Oyò, passados sete anos, Xangô já cansado resolveu consultar o Babalaô para saber o motivo de tanto castigo. O sacerdote então disse que tinha sido cometida uma grande injustiça no seu reino, que havia um inocente preso, mas do que depressa, o Rei ordenou a seus guardas que trouxessem todos os prisioneiros que foram detidos nos últimos anos. Colocados à frente de Xangô, quando ele olhou bem, começou a entrar em desespero pois reconheceu o seu amigo Oxalá. Furioso ordenou que Oxalá fosse solto imediatamente, mandou seus guardas reunirem todos os habitantes de seu reino, que trouxessem comida e bebida a todos.
Todos foram obrigados a manter-se em silêncio, em respeito aos sete anos de prisão e sofrimento de Oxalá. Também todos deveriam entregar comidas, bebidas e lavar Oxalá e se baterem com varinhas em suas costas em sinal de castigo, sentindo a mesma dor que ele sentiu.
Desta lenda podemos tirar algumas interdições de Oxalá, tais como bebidas, carvão e dendê, bem como o surgimento da cerimônia denominada “Águas de Oxalá”. Existem diversas formas de contar a lenda, em algumas encontramos que Oxalá teria sentido tanta sede com as artimanhas de Exú, que ao perfurar a palmeira, ao invés de água, tinha vinho dentro da mesma. Outras contam que Oxalá estava com tanta sede que ao encontrar um homem pelo caminho ele ofereceu água dentro de uma cabaça mas na verdade era vinho. Não importa a forma que a lenda é contata, o que importa é o fundamento que ela possui.
Dia de culto: Sexta-Feira – Cor: Branco Leitoso - Símbolo: Opaxoró (cajado) – Saudação: Eèpàà Bàbá! – Meus respeitos meu pai – Eèpàà Bàbá Òrìsànlà nínu won gbogbo Òrìsà! Eèpàà Bàbá! – O grande Orixá, o Orixá mais alto dentro todos os Orixás! Respeitos ao Pai!
Autor: Samir Castro
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(21)98104-5955 WhatsApp
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