Textos Claros e Sombrios - O Suicida - Cap. 1


Noites sombrias, a mente conturbada com tudo que vi durante alguns anos, não conseguia dormir e a cada dia parecia que eu não estava sozinho. Quando entrava em meu quarto percebia como se tivesse uma
sombra atrás de mim, como se mais pessoas estivessem comigo. Tudo começou quando a partir dos meus 10 anos de idade comecei a ver meus pais brigando, vendo a violência dentro de minha casa, os gritos de horror, os gemidos, as lágrimas, até que ocorreu o pior, o assassinato inevitável. Morei durante 12 anos com minha tia Alessandra, achei que iria encontrar minha paz, mas parecia que eu estava ali mais por favor do que por amor. Vozes tomavam conta de mim, tinha atitudes estranhas, fazia maldades, criava confusões, me sentia triste, sentia sempre alguém perto de mim como se estivesse me encorajando a fazer algo ruim.

Fui me tornando solitário, atormentado por minhas lembranças, sem esperança, sem fé em nada, cada pensamento ia transformando meu comportamento, fui me tornando fechado, quieto, calado, as vezes parecia ouvir alguém rindo perto de mim, olhava não havia ninguém, minha mente parecia perturbada, só vinha a imagem do sangue, da faca, do espancamento, do estrangulamento, do grito, do tormento e do sepultamento. Nada conseguia me arrancar sorrisos, sempre que ia tomar banho ou ir ao banheiro tinha a sensação de alguém estar perto de mim, as vezes tentava falar com minha tia mas era em vão. Na escola não tinha muitos amigos, todos me atacavam, me batiam, uma raiva sem fim ia tomando conta de mim, algo dentro de mim dizia faça algo. Um dia me encorajei, peguei uma corda, passei por um galho de uma árvore, me posicionei, pulei e meu pescoço quebrei. Ali estava eu morto, perdido, a cada dia a cena se repetia, como se eu estivesse vivendo tudo aquilo novamente, depois de um certo tempo, sem saber o motivo fui parar em um local onde só ouvia gemidos, gritos, pessoas pedindo socorro, pessoas gritando que seus corpos queimavam, estava eu ali sem saber onde, perdido, muito mais perdido do que quando eu estava vivo. Com o tempo fui me entregando ao local que eu estava, pois via que não adiantava eu chorar, gritar, fui pensando em tudo que tinha acontecido quando eu estava vivo, que eu deveria ter enfrentado de outra maneira, que tudo poderia ter sido diferente, que o ocorrido não foi culpa minha, nem de minha mãe, que eu poderia ter enfrentado, encarado, que eu poderia ter constituído família e que eu poderia ter a oportunidade de fazer diferente de meu pai. Foi assim que uma luz surgiu e dela um homem que me estendeu a mão, que me cuidou, que me auxiliou, que me orientou e hoje estou em recuperação aprendendo mais sobre o amor.
Amigo Espiritual identificado como "Reinaldo"

Seja qual for a situação nenhum de nós tem o direito de tirar a própria vida, quando viemos para este mundo firmamos um acordo no plano astral onde traçamos algumas das situações, acontecimentos e até realizações que teremos em nossas vidas. Assim tudo que fazemos possui suas consequências neste e em outro plano. As vezes o que passamos vem para nos trazer algo maior, algo de bom, as vezes nos entregamos ao desespero que ficamos presos as situações, elas vão piorando ou tomamos atitudes pelo impulso do momento. Manter a calma é o principal para conseguirmos enxergar as soluções no caminho. Lembre-se que situações ruins atraem forças negativas, procure combater essas energias, procure ajuda médica e se possível espiritual.

Samir Castro

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Egum Vivo", o que é? Eu explico

Exú Asa Negra

A Morte e o Pós Morte