A Morte e o Pós Morte

Quando falo sobre este assunto sempre me vem a mente falarmos sobre Deus, Deus é magnifico, complicado são as diversas opiniões que existem dentro das Religiões de Umbanda e Candomblé. Muito se fala sobre Orixá, os Orixás seriam energias da natureza, energias de Deus, os responsáveis por auxiliar na criação do mundo e da humanidade, mas quem seria Deus? Pouco se fala de fato sobre Deus na nossa Religião, Deus para nós é o Olórùn (Senhor dos Céus), o Eledá (Senhor da Criação), o Elemi (Senhor da Vida - Só Deus pode dar e tirar a vida), Olojo Oni ( Senhor do Dia, aquele que se faz presente todos os dias), Olumonokan (aquele que conhece todos os corações, Olugbala ( o Salvador) e tantos outros nomes que enaltecem sua grandeza e sabedoria.
O Criador do Universo e de toda a existência nos dá através do Abì (Nascimento/Nascer) a oportunidade de evolução, de crescimento, de aprendizado, o Àiyé (Terra) é o local para nosso crescimento espiritual, nosso local de evolução, de conhecimento próprio, ou seja, de quem somos e o que realmente somos.
Aqui somos responsáveis por nossos atos, aqui evoluímos como já dito e por este motivo é que acreditamos que antes de virmos para este mundo nós pedimos aos pés de Deus, de Èsù (Exú - O Orixá do Caminho, Guardião), de Ajalà ( responsável pela criação física dos homens) e aos pés de Ifà ( O Senhor dos Destinos) o nosso Odù (caminhos), que é aquilo que devemos realizar e fazer. Assim firmamos um acordo e ele tentaremos realizar.
E nesta nossa estadia neste plano terreno buscamos realizar parte deste acordo, algo que ficou guardado em nossos subconsciente, um acordo feito quando éramos arà-òrún (habitantes do céu) e hoje na condição de arà-àiyé (habitantes da terra) tudo é de nossa responsabilidade, por isso cremos que parte do que realizamos aqui na Terra faz parte de nossa lembrança, da nossa memória espiritual através do inconsciente.
Cremos assim que tudo que é feito de errado, o que pode prejudicar alguém pagamos tanto em vida, quanto em morte e isto soma ou diminui referente a nossa evolução espiritual, o que pode fazer com que sejamos mandados novamente para este plano após nosso desencarne, ou seja, reencarnaremos novamente em busca de tentarmos evoluir de fato.
Cremos que a morte seria continuidade, a entrada em um universo ao qual já pertencemos, ao qual viemos e o pós morte seria o momento que podemos estar ou não conscientes do que nos ocorreu, ao qual podemos ficar perdidos ou sermos auxiliados pelas forças espirituais e então assim sermos encaminhados para locais destinados a nossa recuperação. Para o Umbandista seria bem parecido este conceito.
Dentro do Candomblé cremos em espaços onde somos encaminhados pós a morte, estes locais seriam: Orun Baba Eni (Local onde Mora o Criador), Orun Alafia (Local de Paz e Tranquilidade), Orun Buruku (Local destinado para pessoas que realizam atos ruins em vida), Orun Rere (Local para pessoas que realizaram coisas boas em vida), Orun Apaadi (Local dos erros impossíveis de se reparar), Orun Asalu (Local onde são realizados os julgamos dos espíritos), Orun Afefe (Local de correção, de orientação, onde permanecem os espíritos antes de reencarnarem) e Akaso (Local onde é realizada a transição, ou seja o processo de reencarnação.
Devemos deixar claro que tanto para o Candomblecista quanto para o Umbandista o período da Morte seria apenas a passagem, o processo de retorno para nossa origem, de onde viemos e o pós morte seria o processo de avaliação de nossos atos aqui em terra, mas vale lembrar que muitos espíritos podem não compreender a sua passagem, permanecendo presos a este planos, até mesmo achando que sentem dores, tentando manipular familiares, ficam vagando, ou apenas quieto olhando aqueles que deixaram, por este motivo cremos que forças divinas podem auxiliar e até mesmo trabalhos espirituais podem ser realizados com esta finalidade de ajudar.
Estes trabalhos possuem a finalidade de desprender estes espíritos, de liberta-los e fazer com que os mesmos consigam seguir o seu caminho, passar por todo processo de cuidado, de orientação, de preparo para uma possível reencarnação ou qualquer outra determinação divina de acordo com o julgamento da espiritualidade.
Samir Ferri
Samir Castro
Texto Inspirado na Entrevista dada ao Jornal Ipanema Sorocaba/SP
Link: http://www.jornalipanema.com.br/noticias/jornal-ipanema/277958/o-que-cada-religiao-pensa-sobre-a-vida-apos-a-morte

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