Morte e Pós-Morte - Na visão de Samir Castro


A Morte e o Pós- Morte
Acho muito interessante iniciarmos o meu comentário sobre “A Morte e o Pós-Morte” falando sobre Deus, falar sobre Deus é magnífico, complicado, são diversas opiniões existentes dentro da Religião de Umbanda e Candomblé. Muito se fala de Orixá, os Orixás seriam energias representantes da natureza, de Deus, os responsáveis por auxiliar na criação do muito e da humanidade, mas quem seria Deus? Pouco se fala de fato sobre Deus na Religião, Deus para nós é o Olórùn (Senhor dos Céus), o Eledá (Senhor da Criação), o Elemi (Senhor da Vida – Só Deus pode dar e tirar a vida), Olojo Oni ( O Senhor do Dia – Aquele que se faz presente todos os dias) Olumonokan (aquele que conhece todos os corações), Olugbala (o Salvador) e tantos outros nomes que enaltecem a sua grandeza e sabedoria.
O Criador do Universo e de toda sua existência nos dá através do Abì (Nascimento/Nascer) a oportunidade de evolução, de crescimento, de aprendizado, o Àiyé (Terra) é o local para o nosso crescimento espiritual, nosso local de evolução, de conhecimento próprio, ou seja, de quem somos e o que realmente somos.
Aqui somos responsáveis por nossos atos, aqui evoluímos como já dito e por este motivo é que acreditamos que antes de virmos para este mundo nos pedimos aos pés de Deus, de Èsù (Exú – O Orixá do Caminho, Guardião), de Ajalà (Responsável pela criação física dos homens) e aos pés de Orùnmilà Ifà (O Senhor dos Destinos) o nosso Odú, que seria o nosso caminho, aquilo que devemos realizar e fazer. E ali realizamos um acordo e ele tentaremos aqui cumprir.
E nesta nossa estadia neste plano terreno buscamos realizar parte deste acordo, algo que ficou guardado em nosso subconsciente, um acordo feito quando erámos arà-òrún (habitantes do céu) e hoje na condição de arà-àiyé (habitantes da terra) tudo é de nossa responsabilidade, por isso cremos que parte do que realizamos aqui na Terra faz parte da nossa lembrança da memória espiritual através do inconsciente.
Cremos assim que tudo que é feito de errado, o que pode prejudicar alguém pagamos tanto em vida, quanto em morte e isto soma ou diminui referente a nossa evolução espiritual o que pode fazer com que sejamos mandados novamente para este plano após nosso desencarne, ou seja reencarnaremos novamente em busca de tentarmos evoluir novamente.
Acreditamos que a morte seria a continuidade, a entrada em um universo ao qual já pertencemos, ao qual viemos e o pós-morte seria o momento primeiramente em que podemos estar ou não conscientes do que nos ocorreu, ao qual podemos ficar perdidos ou sermos auxiliados por forças espirituais e então encaminhados para locais destinados para nossa recuperação e para decisão para onde seremos enviados. Para Umbandista o conceito seria parecido.
Dentro do Candomblé cremos em espaços onde somos encaminhados pós-morte, estes locais seriam:  Òrún Bàbá Enì (Local onde Mora o Criador), Òrún Alàfiá (Local de Paz e Tranquilidade), Òrún Buruku (Local destinado para pessoas que realizaram atos ruins em vida), Òrún Rere (Local para pessoas que realizaram coisas boas em vida), Òrún Apaadi (Local dos erros impossíveis de se reparar), Òrún Asalu (Local onde são realizados os julgamentos dos espíritos), Òrún Afefe (local de correção, de orientação, onde permanecem os espíritos antes de reencarnarem) e Akaso (Local onde é realizada a transição, ou seja, o processo de reencarnação.
Devemos deixar claro que tanto para o Candomblecista, quanto o Umbandista o período da Morte seria exatamente apenas a passagem como já dito, o processo retorno para nossa origem, de onde viemos e o pós-morte seria o processo de avaliação de nossos atos aqui em Terra, mas vale lembrar que muitos espíritos podem não compreender a sua passagem, permanecendo presos a este plano, até mesmo achando que sentem dores, tentam manipular familiares, ficam vagando, ou apenas quietos olhando aqueles que deixaram, por este motivo cremos que forças divinas e até mesmo trabalhos espirituais possam ser realizados com a finalidade de desprender estes espíritos, de liberta-los e fazer com que os mesmos consigam seguir seu caminho e passar por todo processo de cuidado, de orientação e de preparo para uma possível encarnação ou qualquer outra determinação divina de acordo com o julgamento da espiritualidade.
Samir Castro

Texto Inspirado na Entrevista dada ao Jornal Ipanema Sorocaba/SP

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