Orixá Oxóssi



Existem diversos estudos, opiniões, visões sobre os nossos Sagrados Orixás, mas em cada uma delas dadas por diferentes religiosos e estudiosos; chegamos à conclusão de que Oxóssi é o Senhor da Caça, chamado por muitos de "Deus Caçador", o grande senhor das florestas e de tudo que nela existe e habita. Orixá da riqueza, da fartura, o grande Senhor de Kètu (Keto), chamado de Alàkètu (Rei, Senhor do Keto), podemos comprovar esta questão em algumas de suas cantigas:

"Alàkètu e sé a lótun odarà sé a lótun odarà

Àròlé sé a lótun odarà
Alàkètu e sé a lótun odarà sé a lótun odarà
Àròlé sé a lótun odarà
Ele é o Senhor de Keto
Nos renove
Nos torne bons
Nos ensina a nos ajudar
Ajudar uns aos outros, nos ensina a coletividade."

Ele também recebe o título de Onilè, o senhor ou dono da terra, pois era muito comum o caçador descobrir o melhor local para que a aldeia fosse instalada. Por ser considerado o senhor da fartura, o senhor que ensina a coletividade, a união, o provedor da sustentação e equilíbrio de seus descendentes é chamado de Olùwàiyé (Senhor da Terra - Senhor da Humanidade) e também de Onì Aràiyé (Senhor/Aquele que está presente na Humanidade ou Senhor da Humanidade).

O que podemos observar novamente em outra de suas cantigas:

"Olùwàiyé wà rere àgògbò, Olùwàiyé àgògbò
Olùwàiyé wà rere àgògbò, Olùwàiyé àgògbò
Senhor da Terra, faça com que estejamos sempre bem
Dê-nos licença para entrar nas matas, Senhor da Terra
Faça com que estejamos bem e nos dê licença para entrar nas matas."

"Onì Aràiyé Odè a re re kè àwá ní kó dè lpokè
Dódé a pa eron, àwá ní kó dè lóKè dódé a pa eron
Odì bi ewè Odè lóòdé kò àwá pa eron
Senhor da Humanidade

Excelente caçador nós o chamamos para aprendermos a caçar e acima de tudo a encontrar a caça"
Ele nos ensina a vencer os nossos medos, a termos garra, a lutarmos, a conquistarmos, a termos realizações, a continuidade, a realizarmos projetos, a termos idéias, a lidarmos com o coletivo, a buscarmos o bem para nós e ao próximo.
Ele nos ensina a controlar a mente, fazer os procedimentos corretos para conquistarmos o que nós desejamos, a alcançar os nossos objetivos, isso em todos os setores da vida.
Ele nos ensina a não termos medo, a desbravar as matas da vida buscando a nossa riqueza e estabilidade.
Ele é a luta pela sobrevivência, aquele que matou o pássaro, ele é Òsò, é o caçador, chamado de Òsò Tokansoso ( o caçador de uma flecha só, aquele que salvou seu povo do terrível pássaro das Ìyámi).
Como seu nome diz Òsòsì ou Òsòwusì ele é o caçador popular, aquele que é adorado, aquele que é conhecido por todos, ele é quem auxilia a todos nós.

DIA DE CULTO NO BRASIL: Quinta-feira
COR: Azul-Turquesa
SÍMBOLOS: Ofá (arco), Damatá (flecha), Erukeré
SAUDAÇÃO: Odè Òkè Arò! – Salve o Caçador, aquele de alta graduação honorífica!

Filhos de Oxossi:

São pessoas difíceis de saber quando estão tristes ou alegres, geralmente mantém a mesma expressão, guardando seus sentimentos, o que não os faz insensíveis, na verdade os torna reservados.
São pessoas às vezes mal compreendias, podem ser até mesmo taxadas de arrogantes e prepotentes, pelo simples fato de serem perfeccionistas no que fazem; são cautelosos, inteligentes, astutos e muito espertos.
São bons conselheiros, às vezes um pouco exagerados em seus pensamentos e comportamento. Às vezes se isolam, são pessoas solitárias e pensativas. Observadores atentos de tudo que passa a sua volta. Curiosos, introvertidos, vaidosos, distraídos, prestativos, pensativos e discretos. Esses são os filhos de Oxossi


Òsóòsì mata o grande pássaro

    Em tempos distantes, Odùdùwa, Obà de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura.
      De repente, um grande pássaro (èlèye), pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando fardas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as Àjès (feiticeiras portadoras do pássaro), personificando seus poderes através de Ìyamì Òsóróngà.     
      Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes.
      O Oba então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas.
       Chamou, desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro.
       Ainda foi convidado para a grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu.
     Por fim, já com todos sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha.
      Sua mãe Yemonjá, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, de vez que três dos melhores caçadores falharam em suas tentativas.
Yemonjá foi consultar Ifá para Òsotokànsosó.
      Foi consultar os Bàbálàwo. Eles disseram para fazer oferendas. Eles dizem que Yemonjá prepare ekùjébú (grão muito duro) naquele dia. Eles dizem que tenha também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas). Eles dizem que tenha èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira).
     Eles dizem que Yemonjá tenha seis kauris. Yemonjá faz então assim. Pediram ainda que, oferecesse colocando tudo sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção. Eles dizem que ofereça em uma estrada, dizem que recite o seguinte: “Que o peito da ave receba esta oferenda”.
     Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abria sua guarda recebendo a oferenda ofertada por Yemonjá, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó.
      Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: “òsóòsì! òsóòsì!” (caçador do povo).
       A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje.    
 Òsóòsì. 
[Lenda colhida na Internet "sem descrições"]

Referencias bibliográficas: Cantando para os Orixás – Altair B. Oliveira

Autor e Pesquisa: Samir Castro

Oxóssi parte 1: http://www.esuakesan.com.br/2012/05/osoosi-oxossi_22.html

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