Èsù Akèsan - Parte 1


Durante muito tempo as pessoas vieram me pedindo que eu postasse sobre Akèsan, o que colocarei aqui é uma visão pessoal, simples e apenas a forma de como eu entendi quem seria Akèsan. Este texto é uma pequena introdução para uma série de Textos que estaremos postando no Blog sobre Akèsan.
Existem diversas definições para o nome Akèsan, muitos estudiosos afirmam que a tradução seria "Aquele que se Divide em Nove" fazendo uma alusão aos Mésàn Òrún (Nove Espaços no Céu)", outros dizem que este nome possui a tradução de que "Èsù é o Senhor do Mercado de Oyo", outros afirmam que este nome significa "O Senhor da Missão". Tanto Akèsan quanto Akero possui o mesmo significado e estão relacionados a esta grandiosa Divindade que é Èsù, simbolizando que o mesmo tem a função de Supervisionar não somente o Mercado do Rei mas toda a existência, além de conter todo conhecimento sobre a humanidade e tudo que existe no universo; o que pode ser visto e o que não pode ser visto pelos olhos terrenos.
Por este motivo muitos estudiosos consideram esta qualidade ou título como supervisor do Jogo de Búzios, a ele cabe trazer as respostas referente ao Sistema Oracular, por isto também pode ser chamado de Odùso (Vigia dos Odú/Caminhos/Destinos/Signos).
Durante muito tempo ouvi diversas opiniões sobre esta qualidade, porém antes de entrar nesta questão vale lembrar que o Blog Èsù Akèsan não aponta o que está certo ou errado, apenas aponta diversas visões unidas com a minha opinião pessoal para que os nossos leitores possam tirar suas próprias conclusões, então como dito anteriormente, durante bastante tempo ouvi e li várias definições sobre esta qualidade, muitos historiadores afirmam que este título/qualidade/nome além de está relacionado ao mercado de Oyo também vem a ser considerado aquele que enganou Òsàlà (Oxalá) quando ele foi visitar Sàngó (Xangô), uma certa vez ouvi um senhor conceituado dizer que após a cerimônia das águas de Oxalá esta qualidade chamada Akèsan passou então a abrir caminho com seu Ogò (bastão) para que Oxalá dançasse durante a cerimônia e que toda vez que tivesse algum Èsù na sala em alguma festividade o correto seria que este fosse na frente dos demais Orixás simbolizando e lembrando este ato. Confesso que nunca achei informação sobre esta questão, mas juntando diversas lendas que li, diversos relatos que ouvi, faz totalmente sentido isso que escutei um dia.


Filhos de Akèsan
São pessoas observadoras, reservadas, discretas, críticas, são comunicativas, idealizadoras e extremamente polêmicas, são extremamente perfeccionistas, pensadoras, necessitam estar em atividade em todo momento principalmente no que se refere a escrita, música e arte em geral.

Lenda

Existem diversas lendas sobre este Orixá, eu gosto de uma que relata que Oxalá resolveu visitar Xangô, antes de partir, ele consultou um Babalaô para saber se sua ausência iria comprometer o seu reino, e se as condições para viagem seriam boas. O Babalaô recomendou que o mesmo não fizesse a viagem, pois um grande mal estaria por vir.
Oxalá disse que faria esta viagem de qualquer forma, o Babalaô então orientou que Oxalá não recusasse ajudar e nem a ajuda de ninguém pelo caminho, pediu que Oxalá levasse três mudas de roupa.
Oxalá então partiu para sua viagem, encontrou no meio do caminho um velho carroceiro que tentava colocar barris de dendê sobre a carroça, e este, pediu a sua ajuda. Seguindo as orientações do Babalaô, Oxalá foi ajuda-lo, ao colocar os barris sobre a cabeça, o barril virou sobre Oxalá, derramando todo o seu conteúdo, era Èsù ali disfarçado, Oxalá calmamente foi se lavar, deixou a roupa suja naquele local e seguiu viagem.
Um tempo se passou e Oxalá foi abordado por outro homem para carregar um saco cheio, mas uma vez era Èsù que rasgou o saco jogando todo carvão em cima de Oxalá, mais uma vez ele foi se lavar a beira do rio e procedeu da mesma maneira. Já cansado, Oxalá andava pelo caminho lentamente, quando um homem o abordou e pediu ajuda para carregar um barril, novamente era Èsù que trazia vinho de palma e jogou no chão este barril na hora que Oxalá ia ajuda-lo, somente o cheiro forte foi o suficiente para deixar Oxalá embriagado e sujar sua roupa. Mais uma vez Oxalá foi se lavar.
Durante a viagem esta última roupa foi se sujando, ao se aproximar do Reino de Xangô, Oxalá viu que o cavalo que ele tinha dado de presente ao rei estava solto, ele tentou pegar o cavalo e leva-lo. Ao chegar no Reino de Xangô os guardas do Reino o prenderam achando se tratar de um ladrão de cavalos, o levaram para prisão e o encarceraram sem que ele pudesse dar maiores informações. Durante vários anos que seguiram, o reino de Xangô conheceu todos os tipos de doenças, pestes, todas as piores situações que poderiam ocorrer com um povo. Xangô resolveu consultar um Babalaô, que disse que tinha uma pessoa presa injustamente em seu reino, por isso passavam por tal situação. Imediatamente Xangô foi até a prisão e reconheceu Oxalá, pediu que o mesmo fosse solto imediatamente, ordenou aos seus guardas que reunissem todos os habitantes do reino para lavarem Oxalá, e trouxessem comida e bebidas para todos. Todos deveriam manter-se em silêncio, em sinal de respeito aos sofrimentos de Oxalá.
E desta lenda que me contaram que Èsù arrependido resolveu cuidar de Oxalá tornando-se seu guardião, protegendo Oxalá e também muitos consideram esta lenda como sendo uma das várias explicações para as "Águas de Oxalá".

Lenda Curiosa:
Como se explica a grande amizade entre Orunmila e Exu, visto que eles são opostos em grandes aspectos ?
Orunmila, filho mais velho de Olorun, foi quem trouxe aos humanos o conhecimento do destino pelos búzios. Exu, pelo contrario, sempre se esforçou para criar mal-entendidos e rupturas, tanto aos humanos como aos Orixás. Orunmila era calmo e Exu, quente como o fogo.
Mediante o uso de conchas adivinhas, Orunmila revelava aos homens as intenções do supremo deus Olorun e os significados do destino. Orunmila aplainava os caminhos para os humanos, enquanto Exu os emboscava na estrada e fazia incertas todas as coisas. O caráter de Orunmila era o destino, o de Exu, era o acidente. Mesmo assim ficaram amigos íntimos.
Uma vez, Orunmila viajou com alguns acompanhantes. Os homens de seu séqüito não levavam nada, mas Orunmila portava uma sacola na qual guardava o tabuleiro e os Obis que usava para ler o futuro.
Mas na comitiva de Orunmila muitos tinham inveja dele e desejavam apoderar-se de sua sacola de adivinhação. Um deles mostrando-se muito gentil, ofereceu-se para carregar a sacola de Orunmila. Um outro também se dispôs à mesma tarefa e eles discutiram sobre quem deveria carregar a tal sacola.
Até que Orunmila encerrou o assunto dizendo: "Eu não estou cansado. Eu mesmo carrego a sacola".
Quando orunmila chegou em casa, refletiu sobre o incidente e quis saber quem realmente agira como um amigo de fato. Pensou então num plano para descobrir os falsos amigos. Enviou mensagens com a notícia de que havia morrido e escondeu-se atrás da casa, onde não podia ser visto. E lá Orunmila esperou.
Depois de um tempo, um de seus acompanhantes veio expressar seu pesar. O homem lamentou o acontecido, dizendo ter sido um grande amigo de Orunmila e que muitas vezes o ajudara com dinheiro. Disse ainda que, por gratidão, Orunmila lhe teria deixado seus instrumentos de adivinhar.
A esposa de Orunmila pareceu compreende-lo, mas disse que a sacola havia desaparecido. E o homem foi embora frustrado.
Outro homem veio chorando, com artimanha pediu a mesma coisa e também foi embora desapontado. E assim, todos os que vieram fizeram o mesmo pedido. Até que Exu chegou.
Exu também lamentou profundamente a morte do suposto amigo. Mas disse que a tristeza maior seria da esposa, que não teria mais pra quem cozinhar. Ela concordou e perguntou se Orunmila não lhe devia nada. Exu disse que não. A esposa de Orunmila persistiu, perguntando se Exu não queria a parafernália de adivinhação
Exu negou outra vez. Aí Orunmila entrou na sala, dizendo: "Exu, tu és sim meu verdadeiro amigo!".
Depois disso nunca teve amigos tão íntimos, tão íntimos como Exu e Orunmila.

Texto: Samir Castro
Pesquisa: Samir Castro

Comentários

  1. Prezado Baba, parabéns pela pesquisa e cometários sobre Akesan. As características dos filhos de Akesan está perfeita. Fiquei surpreso. Desejo muito sucesso para você, no aguardo das próximas postagens. Um forte abraço.

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  2. Caro amigo, saberia algo sobre Esú Latopá?
    Grato.
    Walmor Araújo.

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