Orixá Ogum - Candomblé e Umbanda


Existem tantos pensamentos, definições e tantos mitos gerados referente a esta Divindade, que se torna complexo apesar de simples definir este Orixá.
O que podemos dizer sobre o mesmo é que este Orixá é considerado por muitos o pai da tecnologia, pois ensinou a humanidade à evolução, ensinando aos mesmos a forjarem suas ferramentas para trabalho e desenvolvimento. Foi Ogum que forjou não somente as ferramentas para guerra, mas as ferramentas agrícolas e de caça. Segundo muitos historiadores o mesmo seria filho de Oxalá e Iemanjá, sendo assim irmão dos Orixás Èsù (Exú), Odé, Osanha e Oxaguiã.
O mesmo teria se utilizado do Inà (o fogo) elemento representativo de Exú ao qual usou para que pudesse forjar suas ferramentas, com Odé aprendeu e desenvolveu a arte da caça, muitos se esquecem que os Caçadores e Guerreiros eram também Guerreiros e Caçadores. Por ser um Orixá relacionado a guerra, a camuflagem, a estratégia aprendeu com Osanhe o segredo das folhas e seu uso. Ensinou Oxaguiã o segredo e a arte da guerra.
Teve relações importantes com Orixá Xangô, teve desavenças com Omolu, impedindo que o mesmo invadisse o reino de Oxalá e dominou as terras pertencentes a Omolu.
Teve relacionamentos amorosos que constam em muitas lendas com Oxum e Oyá/Iansã, ao qual teve 9 filhos, os 9 Omo Egùngùn ti Oyà (os nove filhos mortos de Oyá).
Seu dia de Culto no Brasil é a terça-feira, seus fios de contas podem ser confeccionados nas cores azul escuro, azul escuro e vermelho, azul escuro e preto, dependendo do título/qualidade ao qual se apresenta.
Seus locais de Culto e oferendas no Brasil podem ser as estradas de terra, as estradas de ferro (linha de trem) e alto de morro.

Algumas Qualidades/Títulos dados à Ògún

Ògún Méjè - Aquele que toma conta das entradas da cidade de Irè.
Ògún Jà - Considerado por muitos como "aquele que come cachorro", isto pois algumas tribos africanas se alimentavam de cachorro do mato, outros dizem que este nome significa Jovem Guerreiro.
Ògún Onirè - Ogum que protege a cidade de Irè ou o Rei da Cidade de Irè
Ògún Alàgbédè - O Senhor da Briga, da Guerra
Ògún Alàkórò - O Senhor do Capacete, que usa Mariwo
Ògún Sòròkè - Aquele que sobe a montanha e coloca fogo em suas vestes
Ògún Wàrí - É o senhor dos metais dourados

Devemos nos lembrar que muitas divindades de outras nações foram introduzidas na Nação Kétu, durante o período de escravidão no Brasil. Estes nomes aqui citados são apenas um exemplo para estudo básico sobre este Orixá.


Lenda de Ogum

Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltou para visitar seu filho. Ao retornar ele não percebeu que a sua cidade passava por uma celebração à Oxalá, cerimônia ao qual ninguém podia falar. Ogum tinha fome, sede, viu vários potes de vinho de palma, mas todos estavam vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido suas perguntas. Ogum cuja a sua paciência era pequena, enfureceu-se com  o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar todos os potes, logo depois, sem poder se conter, passou a atacar as pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cachorro do mato, feijão regado com azeite de dendê e vinho de palma. Daí surge uma das passagens em que Ogum é chamado de Ògún Jà, pois os habitantes da cidade começaram a seguida a cantar louvores saudando o Ogun que come cachorro do mato. Depois que seu filho explicou sobre a cerimônia arrependido subiu a montanha colocando fogo em suas vestes e entrando terra a dentro. Atrás dele vinha Èsù (Exú), foi onde receberam o nome de Sòròkè.

Ogum na Umbanda

Este é outro tema polêmico dentro da Umbanda, o que podemos dizer antes de iniciar este texto é que dentro do contexto Umbandista não há a manifestação do Orixá e sim de mensageiros mais especificamente Caboclos que representam determinado Orixá dentro da Umbanda. 
Devemos nos lembrar também que a Umbanda possui uma base mas ela possui diversas formas de ser conduzida, por este motivo em alguns lugares vemos a presença de Ogum na Umbanda fumando charuto e fazendo o uso de bebidas. Nos dias atuais não é tanto comum vermos isso por conta da mistura que andam fazendo com o Candomblé e acabamos vendo esta representação deste Orixá muita das vezes paramentado e se comportando de forma semelhante ao Orixá no Candomblé.
Na Umbanda Ogum é Sincretizado a São Jorge, São Jorge representa a luta contra mal, o Dragão simbolizando as forças ocultas e o bravo guerreiro combatendo bravamente. É a superação das dificuldades independente do tamanho que as mesmas se apresentam.
Existem diversos nomes dados a Ogum dentro da Querida e Amada Umbanda, tais como:

Ogum Matinata
Ogum Beira-Mar 
Ogum de Lei 
Ogum Iara
Ogum Megê
Ogum Sete Espadas
Ogum Rompe Mato
Ogum Sete Ondas
Ogum de Ronda
Ogum das Matas
Ogum dos Rios
Ogum Xoroquê

Obrigado por sua presença em meu Blog
Espero que tenha gostado da leitura
Um grande abraço

Autor: Samir Castro

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