Odè Karè e Òsún Karè - Odé Kare e Oxum Kare




O texto de hoje dedico à Jennifer Mascarenhas que me deu um grande apoio no inicio do Blog Èsù  Akèsan, me ajudou muito com a criação do blog, com as postagens e hoje você também faz parte deste projeto. Obrigado pelo carinho e pelo apoio que foi dado ao nosso Blog. Desejo que Òsún sempre lhe cubra de muita paz, tranquilidade e que traga muitas conquistas em sua vida. Asè!



Antes de entrarmos neste texto, gostaria de lembrar aos irmãos que o Candomblé, é feito aqui no Brasil, possuindo assim, a sua particularidade ritualística, e mesmo que pertençamos a uma determinada Nação, sempre encontramos elementos de outra Nação embutidos nas nossas. Um grande exemplo disso é o uso do Hunjebe, um fio de contas pertencente à Nação de Jeje, muito comumente utilizado em diversas outras Nações, assim como os termos Hun, Humpi, Lè, originários da Nação Jeje, e os nossos atabaques possuem o formato das Ngomas na Nação de Angola, pois se formos seguir a risca, os tambores Batà (Batá) um dos tambores que poderiam ser corretamente utilizados na Nação de Kétu.  Esta exemplificação, é para dizer que o Candomblé é brasileiro, baseado em diversos cultos vindos de várias nações africanas e que, além disso, podemos encontrar divindades pertencentes a uma mesma “família” ou por possuir semelhanças a outras, sendo então cultuadas em um culto que não é à parte, como seria feito em termos de África.

Se nos aceitássemos melhor, tudo seria diferente.

Hoje entraremos em algumas questões polêmicas dentro da nossa religião, lembrando que, como foi dito anteriormente, existem diversos fatores que tornam difíceis, delicadas e complicadas as explicações no que se refere ao estudo sobre as Divindades pertencentes ao Candomblé Kétu.

Como sabemos, existem diversos títulos que são dados a determinadas Divindades no Brasil, que são na verdade uma Divindade à parte, que são cultuadas nas ritualísticas de outra; é sempre bom repetir para não nos perdermos no texto.

No texto de hoje trataremos sobre Odè Karè e Òsún Karè; mas, antes de darmos início, devemos conhecer algumas divindades que possuem ligação com as mesmas. Falaremos de uma forma resumida e não muito aprofundada, apenas para facilitar o entendimento de todos.


Quem é Erinlè (Erinlé)?

Existem diversos estudos relacionados à Erinlè, que dizem que seu nome significa elefante (Erin) terra (ilè) ou terra-elefante ou casa do elefante ou morada do elefante. Erínlè era um grande caçador de elefantes. Diversas afirmativas em comum e várias contradições. Erinlè seria o verdadeiro filho de Ìyá Apaoka (Jaqueira), seu culto estaria, segundo alguns estudiosos, localizado na Africa as margens de um Rio que recebe seu nome; este rio seria afluente do rio Òsún (Oxúm). O Rio Erinlè atravessa a cidade de Ìlobùú. Erinlè é uma Divindade relacionada à agricultura, considerado por muitos estúdios, filhos de Iemanjá e Olokun, para outros seria filho de Iemanjá e Oko e alguns afirmam que é filho de Oko e Apaoka (afirmativa seguida por mim).

Erinlè é o patrono de Ìlobùú, bairro que é conhecido como uma grande zona comercial, principalmente de produtos agrícolas tais como inhame, milho, mandioca e òbú, que seria um tipo de giz comestível, e é muito utilizado para temperar alguns alimentos.

Pelo motivo de ser uma divindade relacionada à agricultura e as ervas, é conhecedor dos segredos das folhas, da parte medicinal e por isso possui uma relação com as Ìyámi, ainda mais que Ìyá Apaoka é considerada uma grandiosa e poderosa Ìyámi. Os sacerdotes na África de Erinlè trazem em suas mãos um cajado parecido com o que os sacerdotes de Òsányìn (Osanhe) trazem em suas mãos. Este cajado simboliza a importância de ambos no conhecimento das folhas e do oculto. Vale acrescentar que todos os cajados e símbolos utilizados pelos Orixás que contenham um pássaro representam Ìyámi, o poder feminino, ou seja, o poder do princípio, a ligação destas divindades com as Ajè (feiticeiras), sendo sempre uma referência ao poder feminino e sua extrema importância.


Quem é Oko?

Infelizmente, mesmo com todo acesso à cultura, temos ainda uma grandiosa dificuldade em obter informações sobre determinadas Divindades dentro do Candomblé. Algumas não eram tão cultuadas no Brasil, apenas tínhamos o conhecimento de seus nomes e hoje, devido ao contato com os irmãos Nigerianos e até mesmo com irmãos de Cuba, algumas divindades vão aos poucos surgindo dentro do Candomblé. Esta é uma realidade negada por muitos, mas é uma grande verdade. Antes tínhamos o conhecimento da existência e hoje temos o culto dentro do Candomblé Brasil.

Oko era um grande caçador de aves pequenas, principalmente a galinha d´angola; além disso, era um grande conhecedor do preparo da terra para a agricultura, era um  homem forte e muito bravo, originário da cidade de Irawo, próxima a Oyo, foi, segundo muitos estudiosos, um homem que tornou-se Orixá após a sua morte. Durante sua vida, quando tornou-se mais idoso, se dedicou então ao aconselhamento e adivinhação, sendo assim um grande Babalaô, atraindo diversos seguidores. Oko foi quem dominou as Ìyámi, tendo relação profunda com as mesmas. Outros afirmam que as punia, pois ele se transformou em uma árvore chamada ìpóió, onde ali, as “bruxas” eram punidas. Traz consigo um cajado parecido com o Opaxorô (cajado de Oxalá), só que o seu cajado é feito de ferro em que na ponta tem uma forma de lâmina ou uma lâmina, representando assim, a caça e a colheita.


Quem é Olokun?

Como sabemos, existem muitas Divindades dentro do Candomblé e até mesmo em termos de África, que causam uma certa confusão, polêmica e até mesmo indefinição. Em algumas regiões africanas, Olokun é considerado uma divindade feminina, e em outras, masculina, o que faz com que na sua chegada no Brasil, várias especulações sejam feitas a seu respeito, até mesmo algumas teorias de que seria uma Divindade assexuada.

Para alguns povos Olokun é um Orixá que rege os oceanos de onde toda a vida se originou, sendo ele o responsável por tudo que está contido nas profundezas dos oceanos e de seus mistérios. É uma Divindade que teve muitas esposas, sendo elas, algumas qualidades de Iemanjá e outras de Oxum.

Olokun é a bondade, mas ao mesmo tempo é igual à fúria do mar que pune e castiga, a força da natureza, a benção e a punição do mundo.


Quem é Apaoka/Opaoka?

A todo momento, venho comentado a dificuldade que temos durante estes anos, em falarmos sobre determinadas Divindades, e muitas, apesar de cultuadas de forma constante  pelos adeptos do Candomblé, parece estar esquecidas suas histórias. Opaoka, também conhecida como Ìyá Nbanba, Ìyá Mo e tantos outros nomes, é uma divindade importantíssima dentro do Candomblé de Kétu, pois teve uma grande influência na fundamentação da cidade de Kétu. Consta em diversas lendas que Ìyá Apaoka tinha duas irmãs: uma se chamava Mepere e outra Bokolo. Muito antes da fundação de Kétu, as três irmãs fizeram um pacto onde juraram nunca dar à luz a uma criança. Porém, Apaoka não cumpriu este pacto e deu à luz Erinlè, filho de Apaoka e Oko.

Quem é Iboalamò e Inlè?
Aqui no Brasil, em algumas casas, Igboalamo e Inlè são considerados Erinlè, porém muitos sacerdotes tratam como divindades distintas sendo Erinlè uma Divindade, Igboalamo um velho caçador, da família dos Caçadores, sendo que o seu nome significa “Floresta das Águas Profundas”, que seria uma alusão as águas que invadiram as florestas, tornando –se então, tudo à sua volta, totalmente aquático. 
Outros estudiosos afirmam que a pronuncia correta seria Ibuálàmò que também viria ser um velho caçador, onde seu culto está ligado as águas profundas do rio Erinlè. Alguns estudiosos também dizem que Inlè seria um jovem caçador e o seu culto seria realizado as margens do Rio Inlè, seria um jovem caçador de elefantes e um bravo guerreiro.


Odè Karè e Òsún Karè

Anteriormente resolvemos falar de algumas Divindades e suas definições a título de curiosidade. Agora chegamos aos Orixás que nos propomos a tentar explicar neste texto.

Como sabemos a relação de Òsún (Oxum) com os gêmeos sempre foi muito marcante, por este motivo muitos estudiosos afirmam que além de Lògún Edè e Otìn, Òsún e Erinlè tiveram mais dois casais que seriam Odè Karè e Òsún Karè.  Em muitos mitos vemos a relação de Òsún com Ibeji (gêmeos) e  diversas lendas e estudos que apontam tanto Sàngó (Xangô) quanto Erinlè e até mesmo Ososi na questão paternal destas divindades.  Como em muitas lendas Lògún, Òsún Karè, Odè Karè teriam tido relações com Oyà e Iemanjá, tendo sido ambos criados ou tendo relações praticamente maternais com as mesmas, é que encontramos dentro do Candomblé Brasil estas defesas de que seriam filhos por parte materna de Iemanjá, de Oyá, porém em podemos afirmar de forma concreta é que todos são filhos de Òsún.

Odè Karè está relacionado as caças as margens dos rios e a pesca de pequenos peixes, por ser filho de Erinlè e o mesmo está relacionado a Apaoka, possuindo uma grande relação com as mesmas, Odè Karè também possui uma relação bem próxima com Ìyámi, sendo assim um grande feiticeiro, conhecedor das folhas e seus usos, tendo então uma grande relação com Osanhe. O mesmo ocorre com sua irmã Òsún Karè, estando mais ainda relacionada às Ìyámi, fazendo parte diretamente do culto feminino.

Tanto sua mãe Òsún especificamente Ìyépondà e Òsún Karè receberam diversas cantigas que enaltecem o poder feminino e a sua importância perante a sociedade, sendo então consideradas lideres das mulheres.

Ex:

“Ìjèsà mó rí bo oun ó Ìjèsà

Ìjèsà mó rí bo oun ó Ìjèsà”



Tradução:

Eu vi e observei o povo de Ijexá fazendo culto para ela

Eu vi e observei



“Òsún dè Karè kòrin Ìjèsà

Òsún dè Karè! Òsún dè Karè! Òsún dè Karè!”

Òsún Karè chegou trazendo a música e a alegria ao povo de Ijexá! Oxum Karè Chegou!

Existe uma lenda que é contada como tendo sido Iemanjá, mas seria de Òsún Ìyépondà, diz a lenda que ela passeando pelas matas avistou de longe seus filhos Lògún e Otìn, ela ficou ali olhando seu filho. O tempo passou e logo Òsún Ìyépondà e Erinlè tiveram mais dois filhos e Òsún deu a eles o nome de Òsún Karè e Odè Karè.

A beleza de seus filhos gêmeos era grandiosa, que deixava a todos encantados, com o pai aprenderam a arte da caça, com a mãe a arte da pesca e dos encantamentos.

Mas sempre um disputava espaço com o outro, estavam sempre brigando e disputando quem seria o melhor.

Um dia seus pais decidiram fazer um pequeno teste e pediu que eles fossem cada um para um canto e trouxessem o maior número de peixes e caça, locais que eles não sabiam que já tinham sido devidamente preparado por seus pais.

Ao retornarem e fazerem a contagem de suas conquistas, descobriram que caçaram e pescaram na mesma quantidade.

E assim aprenderam que são bem mais fortes unidos, do que desunidos, que a união de ambos pode alcançar objetivos trazendo beneficio a todos.

Quem é Ibeji?

Dentro do nosso Culto de Kétu, Ibeji é o Orixá dos gêmeos, divindades gêmeas com comportamento infantil ou seja, crianças que estão relacionadas com todos os Orixás.


Ibeji possui o sentido de dualidade, de multiplicação, de interligação e interação entre dois seres que se completam, além de estar associados a pureza e à inocência. Ibeji representa que dois corpos separados são bons, mas quando unidos tornam-se um só, fortalecendo-se em uma unidade, com um grandioso poder.


Segundo alguns estudiosos, seu culto nasce na Cidade de Isokun (terras que mais tarde foram fundidas ao terriório de Oyo). Alguns afirmam que este culto nasceu através do nascimento de filhos de gêmeos em esposas de reis.

Alguns estudiosos afirmam que os principais Orixás relacionados a Ibeji são: Oxum, Xango, Oyá, Oxossi, Oya, Logun Ede, Aje Saluga e Iemanjá.

Como não vamos nos aprofundar muito no assunto buscando um entendimento comum (pois é um assunto muito complexo que falaremos mais a frente em nosso Blog), podemos dizer, de uma forma básica apenas para conhecimento, é que Ibeji representa tudo que nasce, tudo que se inicia e por este motivo, assim como Èsù (Exú), deve ser muito bem tratado para que toda e qualquer ritualística ocorra em serenidade e em perfeita ordem.

Quem seria Otìn?

Otìn, outra divindade apesar de fazer parte da família dos caçadores é confundida com Odè e por este motivo é cultuada como “qualidade” ou título de Odé.


Porém dentro de um outro conceito conceito seria considerado por muitos uma amazona, uma grandiosa caçadora, filha de Erinlè e sua maior companheira; já para outros estudioso seria um Orixá masculino, sendo então tratada como uma qualidade de Odè.

Otìn representa a liberdade, desprendimento das amarraras, o viver ao ar livre, mas sem nunca esquecer as suas origens. Otìn é aquele que mesmo de longe protege os seus, sempre procurando dentro das suas caças noturnas prover o sustendo de toda a sua comunidade. Ewgla conhece o segredo da caça, da guerra, da agricultura e o uso das ervas, estando assim ligada a Ìyámi, Ogum, Osanhe, Omolu, Oko, Exú, Iemanjá e tantos outros Orixás.

Otìn é o simbolismo da atenção, da concentração do caçador, determinado em seus objetivos, aquele que tem a paciência e pega as melhores presas, sempre tem as melhores conquistas, é aquela que age na hora e no momento certo sem ser afoita. Ela é aquela que é reservada, pensativa, que está sempre trabalhando mentalmente pelas melhorias, que tem o prazer da busca pelo melhor.

Como a maioria dos caçadores traz consigo um arco e flecha (Ofà), o Erukeré (rabo de cavalo) e uma lança.

Texto: Samir Castro

Comentários

  1. Mojubá!!!

    Peço licença para divulgar a página da nossa comunidade de axé no facebook:

    https://www.facebook.com/ileaseonanlayo

    Obrigado e awurê-ó!!!

    ResponderExcluir
  2. Bom dia muitobar asè a todos goste muito dessa estoria e meu erè tem um estoria muito linda

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comente nossas postagens! É importante para nossa Equipe!

Postagens mais visitadas deste blog

Exú Cainana

Curiosidades - Exú Brasinha