Candomblé – Amor & Fé – Estudo Pensamento Parte I



Candomblé –  Amor & Fé   Estudo Pensamento  Parte I

Uma Visão Nova Baseada em Conversas e Pensamentos Pessoais sobre Procedimentos Religiosos – Antes de Criticarem este Texto ou Elogiarem pedimos que acessem o link e leiam o texto completo – Não serão respondidas criticas feitas via FACEBOOK – Daremos, a quem se sentir ofendido com o texto, ou que queira dar alguma explicação diferente, o direito de resposta, que deverá ser feito em nosso BLOG. Basta comentar texto dentro do próprio BLOG.


Vou tentar, de uma forma simples, falar, não dentro da visão geral, mas sim, dentro da minha visão, aquilo que eu analiso, observo e tiro certa conclusão. O que vou postar hoje é e será, com toda certeza, uma grande polêmica, mas, o intuito do texto a seguir é na verdade fazer uma análise comportamental e teórica sobre a prática religiosa. Vou tentar com palavras simples e de fácil entendimento, expressar aquilo que consta em meus pensamentos; são pensamentos constantes, diários, debatidos com amigos, conhecidos, com pessoas próximas e hoje estarei compartilhando com vocês. Dedico esta postagem ao amigo Weber Negromonte Martins.

Se formos analisar a nossa história vemos que muitos dos comportamentos adotados dentro de nossa religião, especificamente o Candomblé, possuem traços relacionados ao período da escravidão e pós-escravidão; são comportamentos adotados por defesa, por uma questão de sobrevivência e que, infelizmente, nos dias atuais, são mal compreendidos e utilizados de forma inadequada por alguns de nossos praticantes.

O que podemos analisar referente ao período escravista é que, de alguma forma, os negros  escravos buscaram manter seu culto vivo, apesar de impedidos. Alguns cultuavam seus Orixás associados as imagens Católicas; algumas pessoas relatam que, até assentamentos aos Orixás, eram escondidos em um compartimento em baixo das imagens dos Santos Católicos pelos escravos. E tantas outras histórias sobre esta questão. O que fica claro é que o Negro, assim, se misturou com o que foi trazido pelo Europeu, pela cultura dos Povos de diversas tribos africanas que aqui se misturavam nas senzalas, pela cultura do índio e, desta forma, surge o Candomblé, uma religião que também pode ser considerada brasileira, pois possui a sua particularidade e é, apesar de alguns negarem, claramente baseada nos cultos trazidos pelos negros com uma pitada do que foi encontrado por aqui. Assim também podemos afirmar um sinal, ou até mesmo a afirmativa do primeiro surgimento da Umbanda, o que podemos analisar no texto a seguir e, ao final do texto, vamos dar continuidade ao tema desta postagem.

Terça-feira, 24 de abril de 2012 – Blog Esu Akesan
Historia das Senzalas – Início da Umbanda – Uma Nova Visão

Durante o período da escravidão, os escravos fizeram de tudo para manter vivo o seu culto, ali, misturados a tribos rivais, tribos com as quais lutaram durante anos e anos em terras africanas, em busca de expandir seus reinos com as conquistas de territórios. Aqui no Brasil, tiveram que fundir seus cultos e seus dialetos. Os povos Bantu, especificamente os povos de Angola (Kimbundo) e os povos Congo (Kikongo), foram os que mais sofreram, pois são os primeiros povos escravizados; todo seu dialeto, suas divindades, foi se perdendo com o passar do tempo e, ao se verem misturados com povos das regiões de Kétu, Agba, Egba, Oyo, Nupe e tantas outras regiões, por ser mais predominante, então, os povos Bantu acabaram fundindo suas ritualísticas com esses outros povos.

O que era comum entre todos eles, era o culto ao ancestral, à ancestralidade, tanto que hoje conhecemos o culto a Bàbá Egùn (Ancestrais Masculinos) e a Gelede (Ancestrais Femininos), que são particularidades do povo Kétu. Por exemplo, geralmente eles vem vestidos com roupas ligadas a determinadas tribos e Divindades. São a representação familiar, a raiz ancestre de um povo. Já os povos de Bantu, além de manifestarem seus ancestrais, possuíam um culto parecido com a Umbanda que conhecemos, manifestavam espíritos não só de familiares, mas outros, que faziam atendimento e davam orientação aos seus.

E isso era mantido nas senzalas durante as danças e festas permitidas pelos senhores de Engenho, pois notavam que assim, os escravos trabalhavam com mais entusiasmo.

E durante essas festividades, além de manifestar seus deuses, manifestavam também os espíritos de escravos mais velhos, os pretos-velhos, espíritos mais jovens que sofreram, lutaram e fizeram tudo que foi possível para manter a vida. Eram uma espécie de guardiões e por isso entendemos o porque de serem chamados de Exus pelo povo de Kétu, pois o Orixá Èsù é um mensageiro, um guardião e esses espíritos se assemelhavam a eles. Além disso, tínhamos a presença de espíritos femininos, também guardiões, comparados a Punjila/Bombogira, uma divindade feminina Bantu, que com o passar do tempo e nos dias atuais, chamamos de Pombagira ou Pombogira, que teria a mesma definição de Èsù.

Além dos povos africanos, temos a mistura com os índios e o surgimento do sincretismo religioso dentro das senzalas, a assimilação de imagem católicas as Divindades Africanas, no intuito de tentaram preservar uma parte do culto, apesar de toda a Catequese feita pelos Jesuítas.

Daí temos mais uma mistura na questão ancestral: começaram a manifestar Caboclos e Boiadeiros. Geralmente os Boiadeiros eram considerados capatazes das fazendas que por algum arrependimento se comprometiam espiritualmente em auxiliar aqueles que ali estavam escravizados.

Com a questão de manifestar espíritos que não são necessariamente Ancestrais, é que se diz que a Umbanda surge nos cultos de Angola, por isso o uso de termos como Zambi (Deus), Lume (Luz), Malembe (Súplica), Kazuá (Casa), Marafo (Bebida Alcoólica), são presentes no culto Umbandista até os dias atuais, assim como os ritmos usados nos atabaques, tais como: Barra-Vento, Congo, Cabula, Samba de Cabula, Samba de Caboclo, São Bento Grande, Congo de Ouro, Ijexá e outros, que apresentam traços tanto de Angola quanto de Kétu.

Além disso, o próprio nome “Nbanda”, cuja pronuncia é “Umbanda”, significa sacerdote, incorporação, manifestação, curandeiro e tantos outros significados. Infelizmente, vemos muitas coisas erradas sendo ditas sobre essa questão, até mesmo a invenção de um plano espiritual chamado Umbandã, e também uma comparação desnecessária com Atlântida, dizendo que um Sacerdote Aumbandhã, um instrumento da magia branca, seria a essência da Umbanda.

Outro surgimento da Umbanda se dá pelo registro histórico, feito por Zélio de Moraes.

O texto a seguir apresenta uma das diversas visões sobre Umbanda:

As raízes da umbanda são controversas. Segundo alguns umbandistas, a Umbanda foi fundada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes, através do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Antes disso, já havia, de fato, o trabalho de guias (pretos-velhos, caboclos, crianças), assim como simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos orixás. Entretanto, foi através de Zélio que organizou-se uma religião com rituais e contornos bem definidos à qual deu-se o nome de umbanda.

Nessa época, não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.

Em 1945, José Álvares Pessoa, dirigente de uma das sete casas de umbanda fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da umbanda.

A partir daí, muitas tendas cujos rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião, passaram a dizer-se umbandistas, para fugir da perseguição policial. Foi aí que a religião começou a perder seus contornos bem definidos e a misturar-se com outros tipos de manifestações religiosas. De tal forma que hoje a umbanda genuína é praticada em pouquíssimas casas.

Hoje, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências que utilizam a palavra umbanda, como as indígenas (Umbanda de Caboclo), as africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de cada prática, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum.

Os fundamentos da umbanda variam conforme a vertente que a pratique.

Existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certo cuidado, ser generalizados para todas as formas de umbanda. São eles:
  • A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, chamado Olorum. Algumas das entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, como por exemplo Zambi para pretos-velhos, Tupã para caboclos, entre outros, mas todos são o mesmo Deus;
  • A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo;
  • O culto aos orixás como manifestações divinas (alguns umbandistas cultuam a chamada umbanda branca, que não cultua os orixás, sendo unicamente voltada ao culto de caboclos, pretos velhos e crianças), em que cada orixá controla e se confunde com um elemento da natureza ou da própria personalidade humana;
  • A manifestação dos Guias para praticar o trabalho espiritual, incorporando em seus médiuns ou "aparelhos";
  • Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro;
  • A crença na imortalidade da alma;
  • A crença na reencarnação e nas leis cármicas.
Os Orixás são manifestações do Grande Deus Olorum. Orisha é uma palavra yoruba para designar um ser sobre-humano, ou um deus. Todo o universo surge de Olorum através das radiações que são individualizadas e personificadas em orixás. Essas radiações são personificadas de formas diferentes nos diversos terreiros - depende da influência histórica que cada um sofreu. A radiação (vibração da água) pode ser relacionada apenas a Iemanjá, mas pode ser subdividida em Oxum (água doce), Nanã (pântano) e Iemanjá (mares). Ocorre forma semelhante com Ossain e Oxóssi (matas).

Muitos escritores da umbanda relacionam as famosas Sete Linhas aos Orixás, outros preferem relacionar as Sete Linhas com as “vibrações” e não diretamente a “orixás”, já que eles são mais de sete.

Como se sabe, os orixás não são originários da umbanda. Muito antes eles já eram reverenciados nas terras africanas por diversas tribos. Muitos deles não se tornaram conhecidos aqui no Brasil, e até mesmo nas tribos africanas, cada uma possuía seu orixás e desconhecia outros que eram cultuados em tribos diferentes.

Quando começou o tráfico de escravos, muitos negros de tribos diferentes foram vendidos juntamente. Dessa forma, os diversos orixás de tribos distantes se encontraram em terras brasileiras e formaram o grande panteão do Candomblé. Notadamente a nação que mais influenciou foi a Iorubá.

Podemos dizer que a umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), Catolicismo (o europeu, que trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos Negros Africanos), Espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual, etc).

A umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, a umbanda tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza as diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto.

A máxima dentro da umbanda é "Dê de graça, o que de graça recebestes: com amor, humildade, caridade e fé".

Mantém-se na umbanda (em algumas umbandas, pois há as que não utilizam imagens, já que na sua maioria, são de santos católicos sincretizados) o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente era necessário, como forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

Há também, discordância sobre as cores votivas de cada orixá, conforme o local do Brasil e a tradição praticada por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada Orixá.


Existem diversas visões sobre a Umbanda. Há um grupo que defende que a Umbanda foi criada através da manifestação dos Caboclos com bases kardecista e católica. Defendem que a Umbanda não surgiu em senzalas e que isso seria uma bestialidade, uma banalidade e um insulto. Então, baseado neste pensamento que considero medíocre, pergunto: se a Umbanda é formada por caboclos apenas, o que fazem ali os pretos-velhos e os Orixás? Ora, nomes como Exú, Ogum, Oxóssi, Xangô e tantos outros, são do dialeto Yórùba e todos correspondem a Orixás, que é outra palavra Yórùba, e ainda por cima todos são divindades da nação Kétu. Se querem retirar o mérito do povo negro na constituição das religiões afrobrasileiras, por que então cultuar tais divindades?

O que me deixa muito triste, magoado, é que esses cidadãos defendem essa tese a ferro e fogo. Porém, adoram imitar as vestimentas da minha querida Nação Kétu. Por isso digo: sou Candomblecista, amo minhas entidades de Umbanda, amo a Umbanda e afirmo que, para combatermos o preconceito, a intolerância, devemos começar a limpar primeiramente a nossa própria casa.


Texto do Curso

Sentinelas e Mensageiros

Reinado dos Exús, Pombagiras e Exús Mirins na Umbanda - Magias, Fundamentos, Mistérios e Axé

Samir Castro


Fonte: Acervo Cultural Luz e Verdade
Infelizmente dentro do que conhecemos de Candomblé as pessoas se apegam a detalhes, a fundamentos dos mais variados e justificam muitas vezes tais procedimentos sem darem sequer uma explicação plausível, apenas dizem “é porque tem que ser, então é porque é”. Isso às vezes soa meio estranho, pois se formos avaliar as lendas dos Orixás, as cantigas, Orikis, Aduras e tantos outros encontramos as respostas para tais procedimentos; mas infelizmente aqueles que fazem parte da nossa religião não procuram compreender e não sabem bem como explicá-los, o que se torna um conhecimento vago, faltando algo.

Por esse motivo, se formos analisar certos elementos utilizados no Candomblé, nós esbarramos não somente em elementos ritualísticos, mas em uma questão histórica, ou seja, para nunca esquecermos o que sofreu o povo negro, afinal, a entrada do “branco” em seu culto foi permitida, então, não são simplesmente elementos somente ritualísticos e sim de lembrança.



Kele – O Kele é a jóia do Orixá, tem o sentido de elo entre o novo Orixá e a Divindade.  Por  outro lado, como estamos avaliando o lado ritualístico e o lado histórico, pode ser considerada a gargantilha de ferro usada no pescoço pelos escravos.


Mokan, Contra Egun e Umbigueira – Todos são feitos de palha, o primeiro é utilizado da mesma forma que o colar, o segundo é utilizado nos braços e o terceiro, preso na cintura. Todos possuem a função de proteger contra a manipulação ou atuação de espíritos, ou qualquer tipo de negatividade durante os atos iniciatórios e tantos outros procedimentos dentro do Candomblé. O Iko (palha da costa) representa a eternidade e transcendência, ou seja, a vida em continuidade, a vida após a morte e a reencarnação. Além da explicação ritualística se formos analisar com outros olhos podemos observar a presença do sofrimento passado pelos nossos irmãos africanos, pois um pode ser a representação das presilhas que eram colocadas no pescoço, outro as presilhas e correntes colocadas nos braços e mãos e o terceiro a corrente que fazia a junção de braços e pernas.


Guizo/ Xaorô – Alguns explicam que, dentro da ritualística, possui a função de espantar influências negativas e até mesmo a morte. Dentro de outra analise podemos considerar que este é o símbolo da sujeição, assim como os outros elementos citados acima nos remetem a humildade e, mais uma vez, pode nos lembrar das correntes utilizadas pelos escravos.


O que podemos concluir através dessas exemplificações é que o Candomblé é uma religião que une passado, presente e o futuro. Uma religião histórica, onde a lembrança, não só cultural dos escravos que por aqui passaram, mas também de seu sofrimento, está e estará sempre fazendo parte de nossa cultura e ritualística. Tudo isso se torna fundamento, fundamento ritual e histórico, onde o ensinamento maior, que às vezes é esquecido por muita gente, é a humildade, a simplicidade, fé, perdão e gratidão.



A Simbologia do número 3


Muitos estudiosos através das lendas dos Orixás consideram que o Orixá Ògún foi à primeira divindade a vir a Terra após sua Criação, sendo assim o responsável por ensinar ao homem o uso das ferramentas, o grande ferramenteiro, considerado por muitos o Orixá da tecnologia, do desenvolvimento, da evolução e da criação. O número 3 está presente em todos os procedimentos dentro do Candomblé, seja no ato de se ofertar ao Orixá, seja no ato de se levantar uma oferenda, até o sentar do Orixá.

O texto a seguir é uma colaboração do Babalorixa Kleber de Ogum:


Ogún, orisá do futuro e da tecnologia, após os companheiros de Oduduwá terem chegado na terra, ficou encarregado da dar evolução ao mundo, só que nada ainda tinha em mãos; eis que, como é de costume consultar o Babalawo, Orumilá indicou que Ogún fizesse um Ebó com algumas folhas de palmeira, vinho da palma, obis, orogbos e madeira de um baobá africano.

Ogun prontamente fez o ebó e Orumilá mandou ele enterrar na areia com um saco preto e azul.

Passados 3 dias do preceito, Ogun voltou ao local  onde enterrou o ebó e tentou retirar dali o objeto sólido, só que não conseguiu de forma alguma, devido ao peso, levantar.

Ele voltou a Orumilá , e Orumilá falou “nada se faz sem paciência e você levou o ebó e os dias de preceito mas não foi me feita a pergunta de como levantar o ebó”.

Ogun sempre afoito pediu ago e refez a pergunta como posso levantar Orumilá disse 3 dias foram os preceitos, 3 vezes em honra ao que irá se fecundar, você deverá simbolizar bater ao chão para levantar o ebó.

Ogún correu e fez o combinado, levantando assim, o ferro, em sua primeira aparição na terra e fecundando um dos caminhos do odú que o acompanharia pelo resto da vida, Etá Ogundá, tendo regência pelo ferro, terra, cortes e decisões, e, também por Orumilá foi determinado a todos os outros (Eborás) Orixás que, em respeito a Ogum o pioneiro e a Etá Ogundá (Odú Ifá) procedessem da mesma forma.”



Analisando o Texto de Colaboração:


Além do procedimento relatado através da lenda, observamos a presença do respeito ao princípio, à base, à ancestralidade; isso é o que movimenta o Candomblé, o que o torna uma religião de respeito ao que é antigo e ao que está por vir, ou seja, o novo. O respeito à criação, ao plano espiritual, o respeito à vida e à morte.

O número três também pode ser analisado como a ligação entre:

1-  Aìyé - Terra, tudo aquilo que conhecemos, ou seja, o planeta em si e sua criação.

2-  Homem - Criação da Humanidade e o interior humano, ou seja, o espírito.

3-  Òrún  - Todos os planos espirituais existentes, os 9 espaços no Orún (Céu/Planos Espirituais), a ligação entre os Orixás e a Humanidade, o respeito a criação realizada por eles.


Podemos concluir que sempre existirá essa ligação entre o homem e o espírito, que estará sempre presente, reverenciada e lembrada através de diversos atos que podem ser observados dentro de diversas ritualísticas em nossa religião. O número três representa o respeito do homem com o passado, presente e futuro. A vida e a sua continuidade estão presentes neste contexto.

Consciência – Inconsciência – Orixá Manifesta de Olhos Abertos ou Fechados – Orixá no Candomblé Fala?


A questão da inconsciência e da consciência da manifestação corpórea da Divindade está e sempre estará relacionada a toda e qualquer religião que atue no campo do trabalho espiritual, ainda mais no que se refere aos dias atuais, onde diversos elementos tais como: desconfiança, descrença popular, crítica, medo, problemas pessoais e tantos outros, reinam no coração de muitos adeptos de nossa religião e esses elementos com toda a certeza podem dificultar a manifestação plena da Divindade, causando então uma  manifestação parcial.

Para entendermos isso de uma forma mais clara, devemos eliminar certos conceitos que são tratados durante anos como verdade, sendo que são conceitos totalmente errôneos. O Orixá não nasce para ninguém, na verdade somos nós que nascemos para o Orixá, para o caminho do Orixá, o Orixá vem pronto, quem aprende, quem precisa aprender a lidar com a energia do Orixá manifestada em nosso corpo somos nós, para que o mesmo possa atuar em sua plenitude.

Em muitas fotos e vídeos referentes ao que é feito em outras Terras, como na África, no que se refere ao Culto ao Orixá, podemos observar que, na maioria das vezes, no “transe” ou na manifestação corpórea da Divindade, esta encontra-se manifestada de olhos abertos.

A questão é que, no Brasil, criou-se um certo Tabu de que o Orixá deve vir com os “olhos cerrados”. Na minha opinião, isso varia de indivíduo para indivíduo. Cada ser humano possui a sua particularidade e por este motivo cada um tem uma forma de ser, de agir e até mesmo de lidar com a energia espiritual. Além disso, podemos considerar que, em alguns casos, até mesmo a Consciência pode entrar em ação, apesar de não ter o controle de braços, pernas e ações enfim, o indivíduo pode estar vendo ou ouvindo tudo que se passa e isso não quer dizer que seja “marmotagem”; isso nada mais é do que a particularidade de cada ser.

A mesma questão cultural criou-se em torno do Orixá falar ou não falar. Em um texto anterior causei certa polêmica ao afirmar que, no Brasil, Orixá não fala. Acredito que não me fiz entender anteriormente e tentarei agora ser mais claro sobre o assunto.

A questão é que, enquanto em termos de África o Orixá muitas vezes conversa normalmente, canta e pode vir de olhos abertos, aqui no Brasil o Orixá, devido a questões culturais tais como o período da escravidão e após a mesma, onde os recém libertos tiveram que cultuar em silêncio, criou-se essa condição. E o Orixá tornou-se limitado dentro da ritualística, apenas falando em rituais internos em algumas casas, apenas falando na hora de dar o Oruko (nome), na hora do seu Ilà, que vem a ser o grito ou som emitido durante o transe. Todo o período da escravidão, todo o sofrimento de um povo, fez com que houvesse essa modificação ritualística e comportamental da Divindade, onde quem se tornou a voz do Orixá, aquele que traz o recado, que conversa, que fala, seria o Erê, uma divindade criança que se manifestaria após o transe do Orixá, uma manifestação que causa muitas discussões entre alguns adeptos.

Porém em alguns outros lugares podemos observar que pessoas que possuam uma idade maior referente ao culto, ou seja, idade de santo, algumas vezes os Orixás falam, ou seja, possuem uma conversação constante e não limitada.

Conclusão:


O que podemos concluir é que a nossa religião no Brasil, possui uma grande variedade Cultural, seja na parte ritualística, seja na questão histórica. Além disso, não podemos nos esquecer de que, apesar de não termos abordado aqui tal questão, a nossa religião além de rica em sua base, em conhecimento comum, ela é rica em termos regionais, em regionalidade, apesar de alguns tentarem negar, existem sim algumas diferenças de um local para o outro, mesmo que mínimas, o que torna o Candomblé uma religião infinitamente rica, que por mais que julgamos conhecer sempre temos algo para aprender. A religião em si desde sua existência, deve ser preservadora de sua base, de sua origem, mas ao mesmo tempo deve evoluir junto com o mundo e com a sua necessidade. O comportamento humano nos dias atuais é diferente, e até a forma de fé. Não é como a anos atrás e para mantermos a religião viva, para fazer as pessoas se sentirem abraçadas pela fé, fazer esta boa manutenção da mesma, devemos adaptar a religião à evolução do mundo. Resumindo, a religião deve caminhar com a evolução sem perder a sua fundamentação.



Samir Castro

Comentários

  1. Oi,
    Pesquisei o seu blog e pude ver que vocês fazem um trabalho bonito e sério.
    Por essa razão sugiro que assistam as previsões de Aline, da Cidade das Pirâmides, para o ano de 2013.
    São três programas imperdíveis. Confiram http://youtu.be/hJV1qZWTtF0 .
    Caso desejarem visitem também o nosso Blog:
    http://deolhonomundoblog.wordpress.com/ Divulguem e falem com Aline!

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  2. Como sempre tudo,muito bem explicado!!!
    ADOROOOO

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