Umbanda e Suas Variações: Umbanda Crística e Opinião Geral de Samir Castro sobre o Tema



Umbanda Crística
O texto apresentado a seguir, é de Pai Juruá. Vamos a ele.
O segmento Umbanda Crística, é o fundamentado e seguido pela nossa casa, o “Templo da Estrela Azul – Casa de Oração e Escola Umbandista – fundado em 1937”.
Muitos poderão se sentir incomodados por nos pautarmos tanto no Evangelho de Jesus, procurando seguir fielmente Seus ensinamentos, bem como também, aceitarmos algumas práticas cristãs em nossa liturgia. Com isso não estamos desmerecendo ou mesmo criticando ninguém e nem seu culto, mas achamos por bem esclarecer, para que todos possam se situar, e assim poder claramente entender o que é a Umbanda Crística.
Só podemos dizer que os Guias Espirituais militantes em todas as denominações umbandistas lá estão, por afinidade, e realizam um trabalho caritativo dentro da realidade deles (médiuns, rituais, oferendas, etc.) em conjunto com a mente e a aceitação dos profitentes.  A Umbanda Crística guarda um vínculo muito forte e íntimo com a doutrina da Linha Branca de Umbanda e Demanda preconizada pelo Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas.
São palavras textuais de Zélio Fernandino de Moraes:
  • O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade.
  • O Caboclo das Sete Encruzilhadas não admitia atabaques e nem mesmo palmas nas sessões. Apenas os cânticos, muito firmes e ritmados, para a incorporação dos Guias e a manutenção da corrente vibratória.
  • Capacetes, espadas, adornos, vestimentas de cores, rendas e lamês não são aceitos nos Templos que seguem a sua orientação. O uniforme é branco, de tecido simples.
  • As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Não é a quantidade de guias o que dá força ao médium.
  • Os banhos de ervas, os amacis, as concentrações nos ambientes da Natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituem os principais elementos de preparação do médium. E são severos os testes que levam a considerar o médium apto a cumprir a sua missão mediúnica.
Umbanda Crística:
  • Umbanda praticada sem atabaques, sem palmas, sem roupagens coloridas, rendas, lamês ou qualquer tipo de adereços regionais externos, tipo: cocares, penas, chapéus, coroas, arcos, tacapes, fuzis, maquiagens, tridentes, etc.
  • Abomina o sacrifício de animais.
  • Toda calcada no Evangelho Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo, Reforma Íntima, Descarregos (desobsessão), orientações dos Mestres do Amor, e na prática caritativa sem fins pecuniários.
  • Incentiva o estudo e a realização do Evangelho no lar.
  • Promove a realização de evangelização para os médiuns e para os assistidos.
  • Aceita os Sagrados Orixás, não como deuses, mas sim como denominações humanas para os Poderes Reinantes do Divino Criador, os Anjos Planetários manifestadores de toda vida planetária. Não requerem qualquer forma de culto externo e/ou material.
  • Aceita alguns Santos Católicos e seus ensinamentos.
  • Aceita as obras: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns” e o “Evangelho Segundo Espiritismo”, todos da codificação Espírita, como fonte de estudos.
  • Aceita os escritos de auto-ajuda e reforma íntima, desde que calcados nos ensinamentos crísticos.
  • Restringe o uso indiscriminado de oferendas, despachos e bebidas alcoólicas.
  • Faz largo uso de ervas em defumações, banhos, amacis e uso ritualístico de Tabaco.
  • Realiza aplicações de Araporã. Araporã é uma palavra do idioma Tupí é quer dizer: Ara: dia, luz, tempo, clima, nuvem, hora, nascer. Porã: bonito. Literalmente, Araporã quer dizer: “Luz Bonita”. A Luz de Deus, das Santas Almas Benditas a da Mãe Natureza que é emanada pelo nosso amor através das nossas mãos para o auxílio ao próximo. O Araporã é um veículo da manifestação do amor de Deus, dos Sagrados Orixás e de Jesus, onde através dos Fluídos Universais, dos Fluídos Magnéticos e dos Fluídos dos Elementos da Natureza, proporciona o equilíbrio físico-mental-espiritual. É o sistema de imposição de mãos da Umbanda. O Araporã é a presença da Linha Excelsa de Trabalhos Espirituais dos Magos Brancos do Oriente.
  • Promove concentrações nos sítios vibratórios da Natureza, para captação de energias sublimes.
  • Dá ênfase à realização de rezas, orações e, principalmente, à prática diária do Ritual do Rosário das Santas Almas Benditas.
  • Incentiva o estudo e promove o desenvolvimento doutrinário.
  • Atua mediunicamente com as roupagens arquetípicas regionais fluídicas de:
Linha Mestra de Trabalhos Espirituais dos Caboclos e das Caboclas da Mata e suas Linhas auxiliares:
1.     Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Caboclos Sertanejos (Caboclos Boiadeiros e as Caboclas Rendeiras).
2.     Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Caboclos D´Agua (Caboclos Marinheiros, Caboclos Caiçaras, Caboclos Barqueiros, Caboclos Pescadores, Caboclos Canoeiros, Caboclos Jangadeiros, e as Caboclas Lavadeiras).
 Linha Mestra de Trabalhos Espirituais dos Pretos-Velhos e sua Linha auxiliar:
1.       Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Baianos.
Linha Excelsa de Trabalhos Espirituais das Crianças.
Linha Excelsa de Trabalhos Espirituais dos Magos Brancos do Oriente. Com grande atuação em trabalhos específicos e caritativos de cura; não atuam em consultas corriqueiras; e suas Linhas Auxiliares:
1.  Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Ciganos.                                                      2. Linha Auxiliar de Trabalhos Espirituais dos Curandeiros.                                 
 “Linhas Mestras e Auxiliares de Trabalhos Espirituais” são as que se manifestam mediunicamente, trabalhando em atendimentos fraternos.
Falange de Trabalhos Espirituais dos Exus (não confundir com “Èsù” dos cultos afros) e Falange de Trabalhos Espirituais das Pombas-Giras
Na Umbanda Crística, a Falange de Trabalhos Espirituais dos Exus e das Pombas-Giras atuam mediunicamente em trabalhos de defesa e desmanches.
Por determinação da diretoria espiritual da Umbanda Crística, não são realizadas “Giras” de Exus e Pombas-Gira, e nem procedem a atendimentos fraternos públicos. Por isso não é considerada uma Linha de Trabalho Espiritual.
Em Giras de Caridade, em algumas exceções e precisão, a Falange dos Exus e Pombas-Gira podem se fazer presente na incorporação, isoladamente, mas somente para descarregar um assistido, sem contudo, proceder a atendimentos, e só o fazendo com a anuência do Guia Espiritual responsável pelos trabalhos.
Suas presenças são discretíssimas, não sendo reconhecidos pelos assistidos.
Fora o acima exposto:
  • Nas Giras de Caridade, os hinos de louvação, perdão, amor e mensagens evangélicas são efetuados através de arranjos musicais. Os pontos cantados de raiz, de força e/ou de poder, seja em Giras de Caridade ou Giras de Desenvolvimento são entoados de viva voz, sem acompanhamentos instrumentais, nem palmas.
  • Reserva um dia da semana para o “desenvolvimento” mediúnico (reforma íntima, aprendizado da doutrina umbandista e adestramento mediúnico).
Existem muitas outras formas de vivenciar a Umbanda e todas, se forem vivenciadas do amor, com amor e por amor, serão legítimas. Muitas outras formas existem, mas não têm uma denominação apropriada.
Diferenciam-se das outras formas de Umbanda por diversos aspectos peculiares, mas que ainda não foram classificadas com um adjetivo apropriado para ser colocado depois da palavra Umbanda. Por isso, é infrutífero e estéril qualquer tipo de discussão sobre quem pratica a “verdadeira Umbanda”.
É bom cada um se situar na ramificação seguida, e procurar fazer o melhor possível, pois a Espiritualidade Maior não acoberta erros. Como diz o Senhor Caboclo Araribóia: “passarinho que dorme com morcego, amanhece de ponta cabeça”.
O que fica esquisito é dizer que: “Se faz caridade e não se cobra por nada, é Umbanda”. Será que é só isso?
Esclarecimento:
Quando se diz praticar a Umbanda Crística, baseada nos ensinamentos e práticas orientadas pelo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, imediatamente, os inconformados nos dizem estarmos praticando uma “Umbanda Católica”. Se aceitamos a Codificação Kardequiana, e algumas literaturas kardecistas, imediatamente, os mesmo inconformados nos tacham de estarmos praticando uma “Umbanda Kardecista”. Interessante isso. Quer dizer então que ser crístico é somente acreditar em Jesus, mas ignorar e não praticar Seus ensinamentos? Seguir e praticar o Evangelho Redentor quer dizer ser católico, crente ou mesmo kardecista? Esqueceram-se que somos da Religião de Umbanda, Crística por natureza? Seguimos as orientações calcadas no “Livro dos Espíritos”, nos “Livro dos Médiuns” e no “Evangelho Segundo o Espiritismo”; não praticamos a Religião Espírita Kardecista.
Muitos irmãos inconformados, querem, a todo custo, que todos sigam e preguem incondicionalmente aquilo que suas mentes acreditam e aceitam ser a Umbanda verdadeira, mas, não se dão ao luxo de estudarem e analisarem, à luz da razão e do bom senso, o que outros também acreditam. Se fosse assim então, poderíamos também dizer que esse ou aquele pratica uma Umbanda africana, uma Umbanda cigana, uma Umbanda oriental, etc. Não nos esqueçamos que a Umbanda é eclética e aproveita tudo o que é bom da Espiritualidade positiva, praticada em várias religiões; mas sua religiosidade primordial é calcada em Jesus. Se fossemos então retirar cada prática religiosa da Umbanda somente por acharmos inconveniente ou mesmo não gostarmos, com certeza, o que somente existiria não seria Umbanda, mas sim, cultos estranhos particulares. Seria tão somente mediunismo.
Relembrando Ramatis: “Pelo simples fato de um homem detestar limões, isto não lhe dá o direito de reclamar a destruição de todos os limoeiros, nem mesmo exigir que seja feito o enxerto a seu gosto”!
E como também diz um ditado popular: “O que seria do branco se todos gostassem do vermelho”?
Readaptando um aforismo do Espírito de Miranez: “Toda doutrina, culto ou filosofia religiosa que combate o tipo de fé de outra, é por não estar segura da sua”.
Veja, estude e pratique o que a sua ramificação ensina, mas, não critique o que a outra aceita como doutrina, liturgia ou rituais.
Nós, do Templo da Estrela Azul – Casa de Oração e Escola Umbandista, praticamos e ensinamos a Umbanda Crística, primordialmente calcada no Evangelho Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo, com aceitação doutrinária do conhecimento Uno preconizada pelo universalismo espiritual, ensinado pelos Espíritos Crísticos.
Considerações:
Não se esqueçam: Quando todos morrerem, serão julgados pelos seus atos e não pelos seus segmentos religiosos. Temos que nos conscientizar da necessidade de reformularmos nossos conceitos, pautando nossas vidas e nossa religiosidade através dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, o porto mais seguro para que possamos galgar degraus da espiritualidade superior.
Observem que já estamos vivenciando o “final dos tempos”, onde serão separados os que estão à direita ou à esquerda de Cristo. O tempo urge. Não há mais tempo para se ficar em banalidades, e, principalmente em disputas, discussões religiosas e cultos externos. De nada adianta ficarmos “discutindo” se essa ou aquela prática de Umbanda é melhor ou pior. De nada adianta agora ficar numa separatividade doutrinária desgastante, onde discute-se ainda se esse ou aquele Orixá gosta de comer abacaxi ou não.
Não nos esqueçamos do que nos disse o Mestre Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai a não ser por mim”. Com isso, Jesus quis nos alertar sobre a necessidade de se viver uma vida calcada no amor, no perdão, na caridade, na paz, na reforma íntima, etc. Até quando vamos lutar contra isso?  Até quando vamos teimar em “fazer” uma “Umbanda pessoal”, calcada nos achismos, em cultos estranhos, em doutrinas, ritualísticas, liturgias e magias que acham serem certas, ou como já nos disseram: “no meu Terreiro eu faço isso e aquilo, porque pra mim funciona; então vou continuar fazendo. Cada um faz o seu e pronto. E tudo isso é feito em detrimento ao que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou. Praticamos mediunidade ou somente mediunismo? Praticamos religião ou somente realizamos práticas exteriores e/ou folclóricas a fim de atender às necessidades deturpadas e egoísticas de cada um?
Por acaso os Guias Espirituais da Umbanda não são os Espíritos Santos de Deus? Se forem, então, com certeza em suas comunicações, nos dariam os exemplos da Espiritualidade Maior, nos incitariam em nossa necessária reforma íntima, ao necessário perdão, nos livrariam dos cultos externos desgastantes, nos tirariam do ostracismo da ignorância, e principalmente, nos tornariam pessoas melhores. Não nos esqueçamos da orientação evangélica: “Amados, não creiais a todo Espírito, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (I João, 4:1). Agora tem o seguinte: Cada médium tem em sua volta, Espíritos que se sintonizam com sua conduta, moralidade e padrão vibratório.
A Umbanda tem suas características próprias que a definem como realmente é, mas devemos escoimar o supérfluo e nos atermos ao que é necessário. Ser um Umbandista não quer dizer descaracterizar a religiosidade de Umbanda, mas simplesmente, pautar sua vivência religiosa em Jesus Cristo. Os alertas já estão sendo dados há muito tempo. Já é hora de voltarmos nossa atenção e religiosidade para as práticas e ensinamentos crísticos.
Em nossas andanças pela net, em pesquisas, encontramos um blog interessante, onde várias questões sobre a Umbanda na atualidade são discutidas.
Vamos expor um pequeno trecho, mas, levemente adaptado, sem perder o conteúdo, onde retiramos nomes e alguns fatos para não ferir consciências, pois não é a razão deste livro; somente estamos disponibilizando-o pelo fato de coadunar com nosso pensamento, de que muita coisa é aceita somente para ficarmos de bem com todo mundo. Quem quiser vê-lo na íntegra, acesse o blog (http://vozesdearuanda.blogspot.com/2008/04/reconhecimento-sacerdotal-de-quem-por.html):
“... Existem correntes de pensamentos de alguns “líderes” da Umbanda que pregam a convergência na divergência. Cremos nisso, tão somente aplicado no respeito mútuo, na pluralidade dos ritos e formas de enxergar e praticar a Umbanda. O que não aceitamos é o conceito do “vale-tudo”, onde todo mundo está certo, tudo são flores, o mundo é lindo. Entenda-se por “diversidade” não esta obviedade tão na nossa cara em termos de pluralidade de ritos e formas de enxergar e praticar a Umbanda, mas sim o conceito da “diversidade do vale-tudo”, onde para algumas correntes umbandistas, todo mundo está certo.
A questão da convergência na divergência, pregada na atualidade, presta-se tão somente a querer estar de bem com todos, a fim de massagear egos, dizendo que cada um faz o que quer e bem entender dentro do que se convencionou chamar de “Umbanda”. Então, ninguém critica ninguém, faz-se vistas grossas para um monte de bobagens que se vê por aí, e cada dia mais livros vendem mais, e está tudo certo.
Não importa que um médium queira receber um Caboclo que use um chapéu ornado de frutas, no melhor estilo Carmem Miranda. Se perguntam sobre uma coisa destas a alguns “líderes” da Umbanda, receberão esta resposta: “é a forma de apresentação da entidade ou é o grau de consciência do médium”.
(Trecho extraído do livro: “Umbanda – A Manifestação do Espírito para a Caridade” – autoria de Pai Juruá)
Fonte: http://www.umbanda.com.br/umbanda-cristica-menu/umbandacristica-menu3.html


O que podemos concluir dentro de todo este contexto é que, quando nos referimos ao Candomblé, por exemplo, devemos nos lembrar que a palavra Candomblé é simbolismo da união de diversos cultos vindos de várias religiões da África que, apesar de alguns quererem, na atualidade, negar, esses povos mesclaram seus cultos, suas ritualísticas, para uma questão de sobrevivência cultural. O sincretismo religioso é também presente dentro do Candomblé, não somente para se manter o Culto vivo, e sim, tornou-se uma tradição, que alguns puritanos querem negar e abolir de nosso culto. Ora, se somos uma religião de Tradição e se tal costume foi iniciado no período escravatório, negá-lo é negar a nossa Ancestralidade religiosa; porém, cada um deve fazer aquilo que crê, aquilo que acredita. Se há uma separação em um determinado momento do Candomblé e o Sincretismo e o Candomblé e a Umbanda, isso foi motivado por uma intolerância sofrida pelo nosso povo. Porém, é uma intolerância combatida com intolerância e prefiro até não me aprofundar muito nesta questão, para não causar polêmica, ou melhor, mais polêmica. Se formos pensar que tudo teve o seu início com o povo negro, escravizado, que cultuou o seu ancestral, como vimos no texto inicial, aqueles que se dizem Candomblecistas e ofendem a nossa querida Umbanda chamando, no pejorativo, as nossas queridas entidades de Umbanda de “Eguns”, não passam de negadores da Cultura Afro-Brasileira e intolerantes religiosos. O mesmo cabe para aqueles que se intitulam Umbandistas e querem fazer, a qualquer custo, a negação de que possui uma ligação com o Culto Afro, isso não passa de uma grande intolerância religiosa, basta observamos que os nomes dados aos Orixás na Umbanda são os mesmos do Candomblé e a sua origem é África, então, aqueles que querem dizer que não possui nada Afro em seu culto Umbandista, não passa de um ignorante e intolerante religioso, afinal a mesma canjica oferecida a Oxalá no Candomblé é a mesma na Umbanda e o nome da Divindade é o mesmo, a forma de culto, de execução ritualística pode ser diferenciada, mas uma deriva da outra. Se estamos buscando a unificação religiosa e o combate ao que consideramos destruição da cultura, não é combatendo aquilo que tem um sentido histórico e lógico que vamos ter êxito no que queremos alcançar em termos de combate à intolerância religiosa. Claro que possuímos alguns comportamentos, cultos e procedimentos que são claramente charlatanismo e manipulação da fé. Isso sim é o que devemos combater. Porém, não podemos confundir a Cultura com Invenção e nem Invenção com Cultura. Nosso erro é brigarmos entre nós mesmos, não pelo combate aos falsos sacerdotes, e sim, pela disputa de quem possui mais cultura, quem é o mais forte, quem é o especial, quem é isso ou aquilo.
A única coisa que sou contrário, são os ditos cursos, onde através do pagamento de um determinado valor a pessoa não precisa passar um tempo significativo para se tornar um Sacerdote. Em apenas 30 dias ou um ano já sai formado Sacerdote. Isso sim, sou contra,  no que se refere aos Cursos de Sacerdote Umbandista, não acho que este tempo torne uma pessoa apta para tocar uma casa. Se formos nos imaginar como Clínicas Médicas, pois lidamos com vidas, estaríamos na verdade vendendo diplomas e facilitando o caminho para o exercício deste oficio, prejudicando assim muitas pessoas. Esta é a minha visão, apesar de não ser contra quem faz. O ser humano tem o direito de escolher seu caminho, tanto que, tenho diversos amigos e amigas que fizeram tais cursos. E me dou muito bem com os mesmos, apesar de minhas opiniões.
Meus amigos, fechem os olhos e imaginem que a escravidão não existiu e os nomes dos Orixás que conhecemos não vieram para as nossas terras, e que tenham surgido no Brasil somente os caboclos, boiadeiros, baianos e outros. O que teríamos? Divindades Brasileiras.
O que eu quero dizer é que, está na hora de termos respeito entre Umbanda e Candomblé, um não é melhor que o outro, ambos são filhos de uma mesma origem e ambos só existem por conta de um povo negro, sofrido, marcado, que sangrou nestas terras brasileiras, um povo que foi liberto após tanta dor. Somos filhos de uma única fé, apenas o que muda é a ritualística, ou seja, a forma de culto.
Estejam livres para discordar sem ofensas... Sou Candomblecista... Cultuo minhas Entidades de Umbanda, nelas tenho Fé... Nelas tenho Amor... Respeito o Sincretismo Religioso, Respeito todas as Formas de Culto, Sou Umbandista, Sou Candomblecista... Sou Brasileiro... Sou Filho da Mistura... Sou Filho do Brasil...

“Seu Zé do Cariri, foi quem chegou aqui agora
Candomblé bato no Kétu
Umbanda bato na Angola
Olha eu, camarada
Camarada meu
Mas olha eu, camarada
Camarada meu”

Samir Castro

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