Umbanda e Suas Variações: Omolokô e Umbanda Sagrada


Omolokô

Omolokô é uma palavra composta que deriva de duas outras, oriundas da lingua Iorubá com três versões distintas, segundo sua interpretação.
No primeiro ramo de análise, que é a versão da Srª Léa Maria Fonseca da Costa, Mãe de Santo de Omolokô, quer dizer:
"Omo" que significa "Filho" "Loko" referindo-se a árvore Iroko e tem sentido de algo como "Filhos da Gameleira Branca".
No segundo ramo de análise, que é a versão do Srº Tancredo da Silva Pinto, Tatá Ti Inkice (Pai de Santo de Angola), em seu livro Culto Omolokô - Os Filhos de Terreiro - Omolokô significa:
"Omo" - Filho e "Oko" - Fazenda, zona rural onde esse culto, por causa da repressão policial que havia naquela época, os rituais eram realizados na mata ou em lugar de difícil acesso dentro das fazendas dos donos de escravos.
Por fim, pode-se ainda relacionar o significado da palavra Omolokô também ao Orixá Okô, o Orixá da agricultura, que era adorado nas noites de lua nova pelas mulheres agricultoras de inhame. Antigamente, o Orixá Okô era muito cultuado no Rio de Janeiro.
Talvez, por causa disso, hoje temos as denominações de "terreiro e roça" para os lugares onde os cultos afro-brasileiros são realizados. Nesse culto os Orixás possuem nomes Yoruba (Nagô), seus assentamentos parecem-se com os do Candomblé.
Independente das versões, é sabido que o nome Omolokô define um culto originário do Rio de Janeiro com práticas rituais e de culto aos Orixás e que aceita cultos aos Caboclos, aos Pretos-Velhos e demais Falangeiros de Orixás da Umbanda.
O culto Omolokô é apontado por estudiosos do assunto e praticantes, como um dos principais influenciadores da formação da Umbanda africanizada, ao lado do Candomblé de Caboclo, do Cabula e do próprio Candomblé. Teria surgido, segundo Tancredo da Silva Pinto, entre o povo africano Lunda-Quiôco. É chamado erroneamente de Umbanda Omolokô, pois se difere desta por ter características singulares aos seus preceitos tais como matanças, vestimentas , e etc...
O Omolokô possui ritualística própria, portanto não se pode caracterizar qualquer Umbanda africanizada como tal. Seu representante mais expressivo é o Tatá Tancredo da Silva Pinto, ja falecido, estafeta dos correios, morador do morro São Carlos, que foi um grande estudioso e escritor do livro Culto Omolokô: Os Filhos de Terreiro. Porém, figuras em tamanha importância, relatam a existência do Omolokô,tais como a escrava Maria Batayo e a filha de escravos, Léa Maria Fonseca da Costa que preservaram o Omolokô dissociado da Umbanda como aborda Tancredo da Silva Pinto.
A diáspora dos orixás cultuados no Omolokô é a mesma utilizada pelo Candomblé, e sua organização dogmática o faz diferir, também por isso, da Umbanda que os cultua em número menos e de forma majoritariamente sincrética.

Significado
Algumas pessoas  confundem o que seja Omolokô.
"Omolokô" é Umbanda ou Candomblé?? "A resposta só poderia ser uma única: Omolokô não é Umbanda apesar de aceitar em seus rituais o culto a Falangeiros de Orixás. O Omolokô cultua os Orixás com suas cantigas e, Yorubá ou Angola, pois como já foi dito anteriormente, nesse ritual houve forte influência também dessas duas culturas. Porém, como se pode ver, o ritual Omolokô não poderia ser encaixado no grupo dos Candomblés, pelo principal motivo de que no Omolokô são cultuados, ainda que em situações separadas, os Caboclos, Pretos-Velhos dentre outros, aceitando-se a realização de práticas ritualísticas de Umbanda em um mesmo solo. No entanto, se for usado esse conceito de forma ampla, pouquissimas casas de Candomblé, a partir das mais antigas de Salvador/BA, poderiam hoje se enquadrar como Candomblé, considerando que a grande maioria cultua Caboclos e Exús. Praticamente muitas casas ditas tradionais fazem muito mais trabalhos durante a semana com Caboclos e Pombagiras incorporados em pais e mães de santo, do que propriamente dito os Orixás. Há quem defina o Omolokô como "Umbandomblé", ou como "Candomblé Umbandizado" ou ainda como "Umbanda Candombleizada", porém, definições adaptáveis apenas às casas de Omolokô que fundem seus cultos, uma vez que existem aqueles que não misturam tais práticas, mas são muitos diferentes tais ações, pois no Candomblé temos a iniciação de Yawos com  raspagem total do Ori, quando no Omolokô a raspagem completa do Ori não existe. Entretanto, são iniciados também.

História
Pesquisas mais recentes dão conta de que a origem do nome Omolokô pode também estar ligada ao nome Loko, que era governado pelo rei Farma, no Sertão de Serra Leoa.Ele foi o rei mais poderoso entre todos os Manes. Sua cidade chamava-se "Lokoja" e localizava-se à margem do Rio Mitombo, afluente do Rio Benue, que por sua vez é afluente do grande Rio Níger.
Lokoja ficava próxima do reino Yorubá. O povo Loko também era conhecido pelos nomes de Lagos, Lândogo e Sosso. O nome "Loko" foi primeiramente registrado em 1606. Também há registros desse povo com o nome de Loguro. Os Lokôs viveram até 1917 a oriente dos Temnis de Scarcies. De acordo com pesquisas realizadas, a tribo Loko estava dividida em tribos menores ao longo dos Rios Mitombo, Bênue e Níger, e no litoral de Serra Leoa. Em 1664, o filho do Rei Farma foi batizado com o nome de D. Felipe.
Evidentemente torna-se claro que o princípio da sincretização afro-católica já acontecia na Africa antes da vinda dos africanos ao Brasil. Acredita-se que a Tribo Loko pertencia a um grupo maior chamado Mane, e que os povos dessa tribo vindos escravizados para o Brasil formaram o que hoje conhecemos como Nação Omolokô. Os povos Manes tinham por costume usar flechas envenenadas e arcos curtos, espadas curtas e largas, azagaias, dardos e facas, que traziam amarrados embaixo do braço. Para combater o veneno de suas flechas, em caso de acidente, usavam uma bolsinha com um antidoto.
Avisavam os seus inimigos o dia em que iriam atacá-los através de palhas - "tantas palhas, tantos dias para o ataque". Traziam no braço e nas pernas, manilhos de ouro e prata. Também eram amigos dos brancos que invadiram a Àfrica Negra. Adoravam assentamentos de Deuses e Ídolos de madeira em figura de homem e animais. Quando não venciam as guerras açoitavam os ídolos e quando as batalhas eram vencidas eles ofereciam aos Deuses comidas e bebidas.Chamavam as mulheres de "cabondos" e tinham como marca a ausência dos dois dentes da frente.
O Omolokô instaura-se no Rio de Janeiro, segundo estudiosos, no século XIX, compondo-se e organizando-se por completo no País, a partir do conhecimento trazido por negros vindos da África e seus descendentes; herança no período colonial, sofrendo influência de diversas vertentes religiosas da África, predominantemente o culto aos Orixás e aos Inkices, com ênfase nos Orixás e perifericamente nos Inkices, tornando particular sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, mas interpretando-as a partir de rituais religiosos contemporâneos. Este fato o torna diferente dos Candomblés tradicionais que, mantém o predomínio de sua região original, apesar de que o Omolokô não se inicia como Candomblé de Ketú como são chamados de Yawos ou noviços, com diferenças  entre as duas nações, como por exemplo, kele, umbigueira, akodidé são originalmente do Ketú, no Omolokô orixá não é iniciado.
No Rio de Janeiro, com  miscigenação e influência do Espiritismo francÊs instaura-se um novo movimento denominado Omolokô, disseminado prioritariamente por Tancredo da Silva Pinto. Mantém-se como um exemplo deste seguimento a casa de santo  Okobalaye, fundada na cidade de São Gonçalo/ RJ e o Centro Espirita São Benedito, Rua Vereador Mauricio de Souza, 97, Engenhoca, Niterói, RJ, chefiada por Pai Mutuazambi, origem Nagô.

Estrutura da Roça de Santo
A Roça de Santo é uma distinção utilizada, inclusive pelos Omolokôs, para denominar o local onde se concentram as comemorações e rituais aos Orixás. O termo é uma referência ao periodo colonial em que os escravos cultuavam os Orixás às escondidas, nas roças e fazendas dos senhores de engenho.
A Roça de Santo possui distintos locais que concentram axé, onde juntos, emanam energia que tem como função: proteger, encantar, equilibrar e acentuar a fé dos omorixás da roça e pousar os visitantes.
A Roça de Santo é dividida em dois ambientes: o público e o sagrado.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Omolok%C3%B4

Umbanda Sagrada
É a vertente fundamentada pelo médium Rubens Saracene, surgida em São Caetano do Sul / SP, em 1996, com a criação do Curso de Teologia de Umbanda. Sua doutrina procura ser totalmente independente das doutrina africanistas, kardecista, católica, orientalista e esotérica, pois considera que a Umbanda possui fundamentos próprios e independentes dessas tradições, embora reconheça a influencia das mesmas na religião. É calçada em doutrina própria, dando ênfase ao culto aos Orixás como divindades,às praticas de magias, despachos e oferendas. Tem muita proximidade com os trabalhos da Umbanda Popular.
Fonte: http://www.umbanda.com.br/umbanda-cristica-menu/umbandas-dentro-umbanda.html
                                                                                                                                   Samir Castro

Continuação:
Umbanda e Suas Variações: Umbanda Crística e Opinião Geral de Samir Castro sobre o tema:
htpp://www.esuakesan.blogspot.com.br/2012/10/umbanda-e-suas-variacoes-umbanda_1439.html

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