Ìyéwà/Ewá




Existem alguns Orixás que, apesar de todo acesso que temos ao conhecimento, continuam sendo um grandioso mistério sobre a sua história e ritualísticas.
Ìyéwà (Ewá) seria um Orixá relacionado às águas dos rios, à caça, estando relacionada ao Orixá Oxumarê, considerado por muitos estudiosos seu irmão gêmeo, sendo então a representatividade do lado feminino de Oxumarê,  assim como os demais Orixás femininos, pertencente ao culto de Yami (Feiticeiras).
Para alguns estudiosos, Ìyéwà teria sido uma grande companheira de Omolu, pois consta em algumas lendas que Ìyéwà era uma bela virgem que tinha encantado Xangô, porém, este nunca conseguiu conquistá-la. Ìyéwà então teria fugido, sendo acolhida por Omolu. Ìyéwà habita nas matas. Aprendeu os segredos dos mistérios com Omolu e Iroko; aprendendo com Oxóssi também o segredo da caça e da guerra. Ìyéwà é uma grande e habilidosa guerreira.
Por ser um Orixá que evitou relações com homens, muitas estipulações, mitos e histórias foram geradas em torno desta divindade. Segundo alguns historiadores, seria a protetora de tudo que é puro, ou seja, aquilo que nunca foi explorado, as matas virgens, as moças virgens, os rios e lagos impossíveis de serem navegados ou até mesmo de se nadar e tudo que for puro e inexplorado.
Este fato faz com que muitos acreditem que este Orixá só pode ser iniciado em mulheres virgens, pelo fato dela ser uma. Porém, existem alguns historiadores e sacerdotes que dizem que, mesmo sendo raro, podem aparecer filhos homens desta divindade, caso em que, inicia-se a pessoa para Oxalá e assenta-se Ìyéwà, ou seja, ela não é iniciada na cabeça de homens, faz-se Oxalá no lugar e deve-se somente cultuá-la. Porém, é um caso raríssimo.
Ìyéwà seria a cobra fêmea, ou seja, o lado feminino de Oxumarê de uma forma simbólica, digamos assim.
Filha predileta de Oxalá e Oduduwá e querida de Orunmilà, a quem deu todos os atributos do sistema oracular (jogo de búzios), Ìyéwà domina a vidência e  é representada pela parte branca do arco-íris, fazendo junção com a luz do sol e da lua cheia.
Seus elementos são os metais nobres, tais como ouro, prata, platina, cobre, bronze, rubi e pedras preciosas em geral, além das florestas, do céu rosado, água dos rios, lagoas, fogo, ar, astros e estrelas.
Por ser uma Divindade relacionada às visões, à vidência de um modo geral, Ìyéwà usa uma ferramenta chamada arakole, um apetrecho de grande magia.
Arakole é uma cabaça pequena, virada, com uma seta cravada dentro dela. A seta atravessa a cabaça de ponta a ponta. Essa ferramenta pode ser enfeitada com palha da costa vermelha e búzios. A lança representa a caça e a cabaça o mistério e a vidência.
Lenda 1:
Certo dia, Ìyéwà encontrou Oxalá tentando desesperadamente fugir das traquinagens de Èsù (Exú). Ela se ofereceu para ajudar o grande Oxalá, escondendo-o embaixo de sua longa saia. Logo apareceu Èsù perguntando a Ìyéwà se não tinha avistado Oxalá pelo caminho, só que ela respondeu dizendo que Oxalá passou correndo por ela e indicou-lhe o suposto caminho tomado pelo Orixá.
Èsù foi na direção indicada. Quando Èsù já estava longe, Ìyéwà pode tirar Oxalá de baixo de sua saia. Dessa forma, ela conseguiu duas proezas: uma, enganar o esperto Èsù, e outra, salvar Oxalá das maldosas brincadeiras.
Oxalá louvou Ìyéwà, e agradecido, deu-lhe o comando de todos os astros e estrelas, permitindo ainda que  a jovem vestisse a cor branca dele.
Lenda 2:
Certa vez, Xangô retornava de uma expedição na qual tinha conquistado mais uma cidade, quando encontrou a linda Ìyéwà em seu caminho. Nessa época, ele era casado com Oyá, a valente guerreira que sempre o acompanhava em suas viagens. Ocorre que, justamente quando Xangô conheceu Ìyéwà, Oyá não tinha acompanhado o marido.
Deslumbrado com a beleza da jovem guerreira e caçadora Ìyéwà, Xangô se apaixonou. Ele pediu que ela o acompanhasse e se tornasse sua esposa.
Ìyéwà negou o pedido, dizendo-lhe que gostava de ser livre e não seria mulher de homem algum. Xangô então pos-se a perseguir Ìyéwà, que fugiu pelas matas, encontrando-se no caminho com Omolu, que a acolheu e lhe deu abrigo. Ìyéwà então viveu nas matas aos cuidados de Omolu.

Dia da semana: Sábado
Cores: Vermelho, Branco, Coral, Rosa, Amarelo e Vermelho
Símbolos: Cobra, Espada, Arakole e Ofá
Saudação: Hí Hó Ìyéwà – Salve Ìyéwà a senhora dos horizontes/ Salve Ìyéwà a senhora do inexplorado/Salve Ìyéwà a senhora de tudo que é puro (tradução livre).

Samir Castro

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