Obá



Durante o período da escravidão, infelizmente, muitas informações sobre alguns Orixás e cultos foram perdidas. Mesmo faltando determinadas informações, de alguma forma, o culto foi mantido vivo.
Infelizmente existe uma certa dificuldade no estudo relacionado ao Orixá a seguir, mas, falaremos sobre o Orixá Obá de uma forma geral.
Obá, dentro dos estudos apresentados, teria sido apenas esposa de Xangô, sendo uma mulher fiel e, ao mesmo tempo, desprezada pelo seu marido, buscando a todo momento, chamar a atenção de seu amado. Isso nos remete à seguinte lenda:


Xangô e Obá

Obá era uma das três esposas de Xangô, que por sua vez, dividia igualmente suas atenções entre as mulheres. Oyá o acompanhava sempre em suas batalhas, enquanto Oxum e Obá cuidavam dos filhos e dos afazeres do lar. Não demorou até se criar um rivalidade muito grande entre Obá e Oxum, cada uma querendo merecer maior atenção do marido, quando este se encontrava em casa.
Xangô era guloso demais e ficava muito contende quanto Oxum lhe preparava seus pratos prediletos. Sabendo disso, Obá sempre procurava observar Oxum a preparar tais pratos, com o objetivo de fazê-los da mesma forma, na sua vez de cozinhar para Xangô. Tal disputa já durava algum tempo.
Durante uma semana, Oxum preparava os pratos do marido, que se deliciava. Na outra semana, Obá preparava os mesmos pratos que vira Oxum fazer, satisfazendo a gula do marido.
Certo dia, percebendo que Obá a observava, Oxum resolveu enganá-la. Amarrou um grande lenço em sua cabeça, cobrindo-lhe as orelhas e, sem que Obá visse, colocou dois grandes cogumelos na comida dizendo ter cortado suas orelhas, pois este era um dos pratos prediletos de Xangô. Após terminar a refeição, Xangô elogiou muito o prato feito por Oxum, tomando-a em seus braços e levando-a para os seus aposentos.
Em sua semana de cozinhar para o marido, Obá tratou logo de preparar a mesma refeição feita por Oxum, que tanto agradara Xangô. Quando estava quase pronta, Obá cortou uma de suas orelhas e a colocou no ensopado, servindo ao marido.
Ao ver que a orelha de Obá boiava sobre a comida, Xangô ficou profundamente enjoado e furioso, atirando o prato longe. Obá percebeu a trapaça de Oxum e partiu para atacá-la. Nesse momento Xangô mostrou toda a sua fúria e pôs-se a perseguir as duas mulheres, que fugiram aterrorizadas, transformando-se em rios, que receberam seus nomes.
Obá é uma Orixá guerreira e pouco vaidosa; é uma mulher de temperamento forte, carente e possessiva. Obá é a representação da mulher feminista, a mulher que sabe o valor do seu poder, que luta, que reivindica os seus direitos como mulher perante seu marido e a sociedade. Mas como qualquer mulher, acaba deixando de lado o seu temperamento forte rendendo-se a uma paixão.
Obá representa a liderança feminina liderando outras mulheres, e desafiava o poder masculino. É o representativo da tristeza do amor, o outro ponto de equilíbrio deste sentimento, ou seja, o ciúme, os sofrimentos e as tristezas. Vale dizer, quem ama possui ciúme e quem tem ciúme é porque ama.
Com Oxossi aprimorou a arte da caça e da guerra, e com Xangô, aprendeu os valores da justiça e do fogo, ou seja, da renovação. Por isso o seu maior elemento é o fogo. Obá é aquela que troca todas as riquezas do mundo por uma amor sincero, honesto, sem mágoas e com respeito.
Por ser feminista e eterna combatente do desprezo à mulher é que alguns estudiosos afirmam que Obá não manifesta em homem, somente em mulheres e é um Orixá raro de se ver iniciado.

Lenda Obá 1

Obá era considerada a mais valente de todas as guerreiras, nunca tendo sido derrotada por ninguém. Ela já havia desafiado e vencido Oxalá, Xangô e Orunmilá. Obá dizia sempre que, não havia ninguém que pudesse vencê-la em uma luta, e todos concordavam.
Isso mexeu com os brios do grande guerreiro Ogum que, certo dia, resolveu provocá-la, dizendo que, também, nunca fora vencido e jamais o seria. Obá resolveu desafiar Ogum dizendo que o vencedor seria considerado por todos, o maior guerreiro do mundo.
Ogum aceitou o desafio e marcaram dia, local e hora para o combate.
Temeroso por uma possível derrota, Ogum consultou um Babalaô para saber como poderia sair vitorioso da luta. Este o aconselhou a fazer oferendas e, no dia do combate, deveria ir ao local marcado e passar uma pasta escorregadia em um determinado espaço.
Ogum deveria ainda cuidar para sua oponente ficar posicionada contra o sol, para não dar-lhe chance de descobrir a artimanha. Ogum seguiu todas as recomendações do Babalaô, indo para o encontro um pouco mais tranquilo. Todos os Orixás compareceram para presenciar o grande combate. Estando Ogum e Obá posicionados, teve início a luta.
Obá partiu furiosamente para cima de Ogum, que a atraiu ao local onde havia passado a pasta escorregadia. Obá, ofuscada pelos raios do sol, nem notou o que havia no chão. Ao aproximar-se do oponente ela escorregou e caiu no solo. Ogum rapidamente posicionou-se sobre Obá vencendo-a na luta.
Todos reconheceram que Ogum foi o maior de todos os guerreiros, mas ninguém ousava zombar de Obá, que só perdeu por ter sido trapaceada.

Lenda Obá 2

Obá sempre foi uma das Orixás mais respeitadas, não só por ser uma grande guerreira, mas também por ser guardiã e protetora da sociedade secreta conhecida como Elekô.
Conta a lenda que Obá teria organizado o culto em uma época onde os homens não tinham o poder e exclusividade do culto aos ancestrais. Com ajuda de Oyá, organizou um culto de louvação aos ancestrais femininos.
Quando os homens souberam da existência de tal culto, decidiram repreender as mulheres que dele participavam. Estas lhe contaram o que faziam e porque participavam, pois tinham a proteção e autorização de Obá para participar.
Temerosos da fúria de Obá, os homens aceitaram e respeitaram todas as formas de cultos aos ancestrais femininos, que passaram a ser reservados somente às mulheres, cujas tradições se mantêm de pé até hoje, tendo em Obá uma das maiores representantes.


Dia: Quarta-feira
Cores: Marrom Rajado, Vermelho e Amarelo
Símbolos: Ofange (espada) e Escudo de Cobre, Ofá (arco e flecha)
Saudação: Obà Siré

Samir Castro

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