Falando um pouco de Exú, Pombagira e Exú Mirim Parte 1



Falar de Exú, Pombagira e Exú Mirim é algo de alta complexibilidade, eis que sua definição varia de estudo para estudo e de casa para casa. Porém darei a minha visão sobre esta questão.

Definição e Atuação  -  Exú, Pombagira e Exú Mirim
Uma amiga, a Gal Moreira, me pediu algum texto sobre Exú Caveira. Então resolvi falar, de forma um pouco mais abrangente, sobre Exú, Pombagira e Exú Mirim. Sempre achei as explicações um tanto complexas sobre estas figuras e nunca me senti à vontade com nenhuma delas. Mesmo as que eram dadas por determinados guias, onde se notava a total manipulação da mente humana através da consciência, algo que classifico como altamente falho e perigoso, pois, mesmo que alguém seja consciente, o que vem a ser totalmente natural, nada como deixar a mente livre para que o guia atue em sua plenitude. Essas entidades, Exú, Pombagira e Exú Mirim, com certeza, são as mais parecidas conosco, com o nosso comportamento, alegres, sorridentes, sérios, brincalhões e totalmente livres de qualquer tipo de “não me toque” para tocarem os corações daqueles que os procuram.
Dentro da minha apostila Sentinelas e Mensageiros - Reinado dos Exús, Pombagiras e Exús Mirins na Umbanda - Magias, Fundamentos, Mistérios e Axé eu escrevi um texto e vou dividir alguns trechos com vocês:

“Falar de Exú na Umbanda é um pouco complicado por conta de diversos conceitos criados com o passar dos anos, tanto por adeptos de nossa religião, quanto por aqueles que nos criticam.
Durante algum tempo observando os Exús na Umbanda, compreendi que estes possuíam semelhanças com o Exú Orixá. Semelhanças marcantes que estão relacionadas à capacidade de abertura de caminhos, capacidade de multiplicação, a bondade e a maldade sendo fatores sentimentais de equilíbrio marcante em ambos, além do conhecimento do mistério e do oculto.
A diferença fundamental entre eles é que um é uma Divindade puramente Africana e outro é uma Entidade Brasileira.
Os Exús de Umbanda, conhecidos em alguns lugares como Povo de Rua, foram pessoas que chegaram a essa condição por suas condutas de vida, por terem matado ou roubado, e estão nessa condição pela possibilidade de cumprir uma missão e por possuírem uma grande compreensão da vida”.
Exú, Pombagira e Exú Mirim já são totalmente evoluídos por si só, possuindo uma gama de vivencia, uma energia espiritual tamanha, agindo como agentes fiscalizadores da ordem, atuando como guardiões, mensageiros e os eternos condutores de caminho, abrindo todas as portas para que possamos alcançar os nossos objetivos.
Apesar deste pensamento particular ser compartilhado por alguns poucos autores e estudiosos da religião, existem outros grupos que afirmam que Exú, Pombagira e Exú Mirim necessitam ser batizados, que eles evoluem e em seguida até mesmo podem virar uma entidade de “direita”, algo que não aceito, não entendo, não compreendo e não encaixa na minha mente, pois as explicações são completamente sem nexo e falhas.  A existência, vamos dizer assim, desta linha, em uma linguagem bem simples, se dá apenas pelo motivo de que não existe positivo sem negativo; o mundo, o homem e a vida são o equilíbrio de ambos os polos, por isso da existência das chamadas “linhas de direita e esquerda”. Exús, Pombagiras e Exús Mirins possuem o seu lado positivo, eles são forças de equilíbrio também e os únicos que podem combater a negatividade de igual para igual.
Infelizmente os culpados de deturparem a imagem dessas entidades são aqueles falsos sacerdotes e sacerdotisas que manipulam o povo através de suas consciências ou mentiras. O fato de um Exú, Pombagira ou Exú Mirim se utilizarem de palavrões, fumos, bebidas e vestimentas características, não significa promiscuidade ou nenhum tipo de mau-caratismo; quem faz a imagem negativa são os que se utilizam da fé para manipular aos que a procuram. O fato desses guias usarem palavrões se dá no sentido de nos darem liberdade e chegarem, de uma forma até mais íntima, em nossos corações e nos auxiliarem.
Tudo dentro da ritualística possui um motivo. Até mesmo as cantigas de Umbanda, o fato de possuírem palavras tais como Satanás, Diabo, Lúcifer e outras, não quer dizer que esses guias estejam associados a tais figuras, e sim, enaltece a capacidade destes guias em trabalharem tanto com o negativo quanto com o positivo, sendo os mais capazes em nos auxiliar, retirando e eliminando qualquer influência negativa.

“Lá na porteira eu deixei meu sentinela Eu deixei Seu Marabô tomando conta da cancela”
“Você diz que pode pode, eu quero ver quem pode mais, eu quero ver se você pode com a força do Sanatás”
“Exú que tem duas cabeças, ele guarda sua banda com fé, uma é Satanás do Inferno e a outra é de Jesus Nazaré”
“Sai-te daqui Oluvaiá que aqui não é o teu lugar, pois aqui é uma casa santa e não tem lugar para Oluvaiá”
“Nesta casa tem vigia, neste lugar tem segurança, meia noite o galo grita, meia noite o galo canta."

Campo de Atuação Externo, Ferramentas ou Símbolos de Trabalho

Existem diversos campos externos em que estas entidades podem atuar, o que veremos a seguir:

Campos de Atuação Externos

 
O Cruzeiro é a concentração maior de orações dentro de um cemitério, principalmente no dia de Finados, no dia 2 de novembro. Além de ser considerado por alguns um ponto de transição dos espíritos. É um local cuja atuação de Exú, Pombagira e Exú Mirim torna-se forte ainda mais, no combate de energias negativas. Ótimo local para oferendas nesse sentido, porém, não se deve ir a qualquer hora, só em extrema necessidade.


As encruzilhadas representam a busca do caminho, simbolizam o caminho a ser seguido. Infelizmente algumas pessoas não compreendem isso, pois oferendas, trabalhos em encruzilhadas deveriam apenas ser feitas para pessoas que precisam de um rumo, precisam encontrar o caminho, uma solução. A encruzilhada de 4 pontos é associada a Exú e Exú Mirim.


 A encruzilhada de T ou 3 pontos, está associada a Pombagira apenas por uma questão de diferenciação.



Estradas de terra, estrada, caminhos em geral, são pontos especialíssimos de atuação dessas entidades, pois representam que o ser humano necessita de caminho ou manter-se no caminho em que se encontra. Essas entidades entram como grandes guardiões ou desbravadores de caminhos de uma determinada pessoa.


O Morro e oferendas feitas no alto do morro simbolizam a soberania, o orgulho, a retomada da auto-estima, o reequilíbrio; é um ótimo local para oferendas a estas entidades.
 

Ferramentas de trabalho 
As bengalas possuem o sentido de ligação, ou seja, como se fossem uma pilastra de sustentação e ligação entre céu e terra.
É o simbolismo do plano espiritual e material estando em ligação
Os punhais simbolizam o corte, ou seja, a retirada e finalização de energias negativas. Isso se aplica também a Exú e Pombagira.

A capa e a cartola possuem ligação com o oculto, retirada de feitiçaria, além de serem ferramentas para facilitar incorporação de outras pessoas. O ato do Exú dançar e o vento provocado durante a dança é a maior transmissão de axé, de energia pelo ar e retirada de negativo. 


Essa mesma transmissão ocorre com as vestimentas das pombagiras.







Os Cigarros, charutos, caldeirão de Exú e tudo relacionado ao fogo, possuem a função de purificação e eliminação do negativo. A transformação do negativo em positivo.
Os destilados possuem a função de liberação da fala, movimentos, ou seja, liberdade.

Possui o mesmo sentido da bengala, é o ponto de equilíbrio entre céu e terra.  Sendo a ferramenta controladora da existência as pontas representam 3 forças.
Elas são Terra, Espirito e Plano Espiritual, os 3 pontos de equilíbrio em harmonia, o ser destruído e reconstituído. Resumindo a Origem. 

Em pesquisas e em histórias dos próprios guias, nos deparamos com diversos conceitos sobre determinada Entidade e a Origem de suas Falanges. Porém, a História de determinado guia e suas falanges ainda é algo de extrema polêmica e de total discordância entre diversos estudiosos no assunto. O surgimento de um guia, que venha a ser um Chefe de Falange, possui uma história única, porém, esse espírito não manifesta mais segundo alguns estudiosos, e é representado por seus falangeiros que trazem suas histórias particulares e motivos concretos dentro das mesmas, para pertencerem a tal linha e a tal falange. Cada espírito que se apresenta representando determinado Exú, Pombagira ou Exú Mirim trás seu próprio nome, sua própria história e reais motivos para representarem tal linha ou tal falange.
Ainda é um tema polêmico, complexo e cheio de controvérsias. Vamos continuar...
Os Exús, Pombagiras e Exús Mirins no geral estão relacionados à busca da abertura de caminhos, retirada de negativo, feitiços e saúde.
Atendendo o pedido da amiga Gal Moreira, Exú Caveira é um dos mais antigos Exús que conhecemos, um dos primeiros a surgirem dentro dos cultos Umbandistas. Como sabemos, a caveira ou o crânio, possui a função de armazenar e proteger o encéfalo, além de proporcionar fixação aos músculos do rosto e da boca. Por ser o armazenador do cérebro, que é o controlador de todo o nosso corpo, podemos concluir que esse Exú possui uma grande relação com o conhecimento da mente e do oculto. O crânio nos remete a sabedoria, controle, agilidade e o que é oculto. Por esse motivo o crânio sempre está relacionado a feitiços e à morte. Isso faz certo sentido, bem como sua associação, ou relação, em rituais Umbandistas com os Orixás Omolu/Obaluaê e Iansã. Este Exú e seus falangeiros, além de atuarem no combate astral à problemas relacionados a eguns e trabalhos feitos, também atuam na cura ou auxílio de dores nos ossos, dores de cabeça e doenças variadas e raras.
Falange:

Exú Caveira
Exú Tata Caveira
Exú Caveira do Cruzeiro
Exú Caveira da Estrada
Exú Caveira da Kalunga
Exú Caveira do Cemitério
Exú Caveira da Encruza
Exú Caveira da Meia Noite
E tantos outros nomes e representações deste Exú.

Existem alguns relatos que tratam deste Exú, tal como o texto a seguir:

Breve preleção aos médiuns protegidos de minha falange e, portanto, sob minha tutela pessoal.
Sou exu, assentado nas forças do Sagrado Omulu e sob sua irradiação divina trabalho. Fui aceito pelo Divino Trono Mehor-yê e nomeado Exu a mais ou menos dois milênios, depois de minha última passagem pela terra, a qual fui um pecador miserável e desencarnei amarrado ao ódio, buscando a vingança, dando vazas ao meu egoísmo, vaidade e todos os demais vícios humanos que se possa imaginar.
Fui senhor de um povoado que habitava a beira do grande rio sagrado. Nossa aldeia cultuava a natureza e inocentemente fazia oferendas cruéis de animais e fetos humanos. Até que minha própria mulher engravidou e o sumo sacerdote, decidiu que a semente que crescia no ventre de minha amada, devia ser sacrificado, para acalmar o deus da tempestade. Obviamente eu não permiti que tal infortúnio se abatesse sobre minha futura família, até porque se tratava do meu primeiro filho. Mas todo o meu esforço foi em vão. Em uma noite tempestuosa, os homens da aldeia reunidos, invadiram minha tenda silenciosamente, roubaram minha mulher e a violentaram, provocando imediato aborto e com o feto fizeram a inútil oferenda no poço dos sacrifícios. Meu peito se encheu de ódio e eu nada fiz para conte-lo. Simplesmente e enquanto houve vida em mim, eu matei um por um dos algozes de minha esposa inclusive o tal sacerdote.
Passei a não crer mais em deuses, pois o sacrifício foi inútil. Tanto que meu povoado sumiu da face da terra, soterrado pela areia, tamanha foi a fúria da tempestade. Derrepente o que era rio virou areia e o que areia virou rio. Mas meu ódio persistia. Em meus olhos havia sangue e tudo o que eu queria era sangue. Sem perceber estava sendo espiritualmente influenciado pelos homens que matei, que se organizaram em uma trevosa falange a fim de me ver morto também. O sacerdote era o líder. Passei então a ser vítima do ódio que semeei.
Sem morada e sem rumo, mas com um tenebroso exército de homens odiosos, avançamos contra várias aldeias e povoados, aniquilando vidas inocentes e temerosamente assombrando todo o Egito antigo. Assim invadimos terras e mais terras, manchamos as sagradas águas do Nilo de sangue, bebíamos e nos entregávamos às depravações com todas as mulheres que capturávamos. Foi uma aventura horrível. Quanto mais ódio eu tinha, mais eu queria ter. Se eu não podia ter minha mulher, então que nenhum homem em parte alguma poderia ter. Entreguei-me a outros homens, mas ao mesmo tempo violentava bruscamente as mulheres. As crianças, lamentavelmente nós matávamos sem piedade. Nosso rastro era de ódio e destruição completas. Até que chegamos aos palácios de um majestoso faraó, que também despertava muito ódio em alguns dos mais interessados em destruí-lo, pois os mesmos não concordavam com sua doutrina ou religião. Eis que então fomos pagos para fazer o que tínhamos prazer em fazer, matar o faraó.
Foi decretada então a minha morte. Os fiéis soldados do palácio, que eram muito numerosos, nos aniquilaram com a mesma impiedade que tínhamos para com os outros. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Isto coube na medida exata para conosco.
Parti para o inferno. Mas não falo do inferno ao qual os leitores estão acostumados a ouvir nas lendas das religiões efêmeras que pregam por aí. O inferno a que me refiro é o inferno da própria consciência. Este sim é implacável. Vendo meu corpo inerte, atingido pelo golpe de uma espada, e sangrando, não consegui compreender o que estava acontecendo. Mas o sangue que jorrava me fez recordar-me de todas as minhas atrocidades. Olhei todo o espaço ao meu redor e tudo o que vi foram pessoas mortas. Tudo se transformou derrepente. Todos os espaços eram preenchidos com corpos imundos e fétidos, caveiras e mais caveiras se aproximavam e se afastavam. Naquele êxtase, cai derrotado. Não sei quanto tempo fiquei ali, inerte e chorando, vendo todo aquele horror.
Tudo era sangue, um fogo terrível ardia em mim e isso era ainda mais cruel. Minha consciência se fechou em si mesma. O medo se apossou de mim, já não era mais eu, mas sim o peso de meus erros que me condenava. Nada eu podia fazer. As gargalhadas vinham de fora e atingiam meus sentidos bem lá no fundo. O medo aumentava e eu chorava cada vez mais. Lá estava eu, absolutamente derrotado por mim mesmo, pelo meu ódio cada vez mais sem sentido. Onde estava o amor com que eu construí meu povoado? Onde estavam meus companheiros? Minha querida esposa? Todos me abandonaram. Nada mais havia a não ser choro e ranger de dentes. Reduzi-me a um verme, jogado nas trevas de minha própria consciência e somente quem tem a outorga para entrar nesta escuridão é que pode avaliar o que estou dizendo, porque é indescritível. Recordar de tudo isto hoje já não me traz mais dor alguma, pois muito eu aprendi deste episódio triste de minha vida espiritual.
Por longos anos eu vaguei nesta imensidão escura, pisoteado pelos meus inimigos, até o fim das minhas forças. Já não havia mais suspiro, nem lágrimas, nem ódio, nem amor, enfim nada que se pudesse sentir. Fui esgotado até a última gota de sangue, tornei-me um verme. E na minha condição de verme, eu consegui num último arroubo de minha vil consciência pedir socorro a alguém que pudesse me ajudar. Eis que então, depois de muito clamar, surgiu um alguém que veio a tirar-me dali, mesmo assim arrastado. Recordo-me que estava atado a um cavalo enorme e negro e o cavaleiro que o montava assemelhava-se a um guerreiro, não menos cruel do que fui. Depois de longa jornada, fui alojado sobre uma pedra. Ali me alimentaram e cuidaram de mim com desvelo incompreensível. Será que ouviram meus apelos? Perguntava-me intimamente. Sim claro, senão ainda estaria lá naquele inferno, respondia-me a mim mesmo. “–Cale-se e aproveite o alvitre que vosso pai vos concedeu.”- Disse uma voz vinda não sei de onde. O que eu não compreendi foi como ele havia me ouvido, já que eu não disse palavra alguma, apenas pensei, mas ele ouviu. Calei-me por completo.
Por longos e longos anos fiquei naquela pedra, semelhante a um leito, até que meu corpo se refez e eu pude levantar-me novamente. Apresentou-se então o meu salvador. Um nobre cavaleiro, armado até os dentes. Carregava um enorme tridente cravado de rubis flamejantes. Seu porte era enorme. Longa capa negra lhe cobria o dorso, mas eu não consegui ver seu rosto.
– Não tente me olhar imbecil, o dia que te veres, verás a mim, porque aqui todos somos iguais.
Disse o homem em tom severo. Meu corpo tremia e eu não conseguia conter, minha voz não saia e eu olhava baixo, resignando-me perante suas ordens.
- Fui ordenado a conduzir-lhe e tenho-te como escravo. Deves me obedecer se não quiser retornar àquele antro de loucos que estavas. Siga minhas instruções com atenção e eu lhe darei trabalho e comida. Desobedeça e sofrerás o castigo merecido.
- Posso saber seu nome, nobre senhor?
- Por enquanto não, no tempo certo eu revelarei, agora cale-se, vamos ao nosso primeiro trabalho.
- Esta bem.
Segui o homem. Ele a cavalo e eu corria atrás dele, como um serviçal. Vagamos por aqueles lugares sujos e realizamos várias tarefas juntos. Aprendi a manusear as armas, que me foram dadas depois de muito tempo. Aos poucos meu amor pela criação foi renascendo. As várias lições que me foram passadas me faziam perceber a importância daqueles trabalhos no astral inferior. Gradativamente fui galgando os degraus daquele mistério com fidelidade e carinho. Ganhei a confiança de meu chefe e de seus superiores. Fui posto a prova e fui aprovado. Logo aprendi a volitar e plasmar as coisas que queria. Foram anos e anos de aprendizado. Não sei contar o tempo da terra, mas asseguro que menos de cem anos não foram.
Foi então que numa assembléia repleta de homens iguais ao meu chefe, eu fui oficialmente nomeado Exu. Nela eu me apresentei ao Senhor Omulu e ao divino trono de Mehor-yê, assumindo as responsabilidades que todo Exu deve assumir se quiser ser exu.
- Amor a Deus e às suas leis;
- Amor à criação do Pai e a todas as suas criaturas;
- Fidelidade acima de tudo;
- Compreensão e estudo, para julgar com a devida sabedoria;
- Obedecer às regras do embaixo, assim como as do encima;
E algumas outras regras que não me foi permitido citar, dada a importância que elas têm para todos os Exus.
A principio trabalhei na falange de meu chefe, por gratidão e simpatia. Mas logo surgiu-me a necessidade de ter minha própria falange, visto que os escravos que capturei já eram em grande número. Por esta mesma época, aquele antigo sacerdote, do meu povoado, lembram-se? Pois é, ele reencarnou em terras africanas e minha esposa deveria ser a esposa dele, para que a lei se cumprisse. Vendo o panorama do quadro que se formou, solicitei imediatamente uma audiência com o Divino Omulu e com O Senhor Ogum – Megê e pedi que intercedessem para que eu pudesse ser o guardião de meu antigo algoz. Meu pedido foi atendido. Se eu fosse bem sucedido poderia ter a minha falange. Assim assumi a esquerda do sacerdote, que, na aldeia em que nasceu, foi preparado desde menino para ser o Babalorixá, em substituição ao seu pai de sangue. A filha do babalawo era minha ex-esposa e estava prometida ao seu antigo algoz. Assim se desenvolveu a trama que pôs fim às nossas diferenças. Minha ex-mulher deu a luz a vinte e quatro filhos e todos eles foram criados com o devido cuidado. Muito trabalho eu tive naquela aldeia. Até que as invasões e as capturas e o comércio de negros para o ocidente se fizeram. Os trabalhos redobraram, pois tínhamos que conter toda a revolta e ódio que emanava dos escravos africanos, presos aos porões dos navios negreiros.
Mas meu protegido já estava velho e foi poupado, porém seus filhos não, todos foram escravizados. Mas era a lei e ela deveria ser cumprida.
Depois de muito tempo uma ordem veio do encima: “Todos os guardiões devem se preparar, novos assentamentos serão necessários, uma nova religião iria nascer, o que para nós era em breve, pois não sei se perceberam, mas o tempo espiritual é diferente do tempo material. Preparamo-nos, conforme nos foi ordenado. Até que a Sagrada Umbanda foi inaugurada. Então eu fui nomeado Guardião à esquerda do Sagrado Omulu-yê e então pude assumir meu trono, meu grau e meus degraus. Novamente assumi a obrigação de conduzir meu antigo algoz, que hoje já está no encima, feito meritóriamente alcançado, devido a todos os trabalhos e sacrifícios feitos em favor da Umbanda e do bem.
Hoje, aqui de meu trono no embaixo, comando a falange dos Exus Caveira e somente após muitos e muitos anos eu pude ver minha face em um espelho e notei que ela é igual à de meu tutor querido o Grande Senhor Exu Tatá Caveira, ao qual devo muito respeito e carinho. Não confundam Exu Caveira, com Exu Tatá Caveira, os trabalhos são semelhantes, mas os mistérios são diferentes. Tatá Caveira trabalha nos sete campos da fé; Exu caveira trabalha nos mistérios da geração na calunga, porque é lá que a vida se transforma, dando lugar à geração de outras vidas, mas não se esqueçam que há sete mistérios dentro da geração, principalmente a Lei Maior, que comanda todos os mistérios de qualquer Exu. Onde há infidelidade ou desrespeito para com a geração da vida ou aos seus semelhantes, Exu Caveira atua, desvitalizando e conduzindo no caminho correto, para que não caiam nas presas doloridas e impiedosas do Grande Lúcifer-Yê, pois não desejo a ninguém um décimo do que passei. Se vossos atos forem bons e louváveis perante a geração e ao Pai Maior, então vitalizamos e damos forma a todos os desejos de qualquer um que queira usufruir dos benefícios dos meus mistérios. De qualquer maneira, o amor impera, sim o amor, e por que Exu não pode falar de amor? Ora se foi pelo amor que todo Exu foi salvo, então o amor é bom e o respeito a ele conserva-nos no caminho. Este é o meu mistério. Em qualquer lugar da calunga, pratique com amor e respeito a sua religião e ofereça velas pretas, vermelhas e roxas, farofa de pinga com miúdos de boi. Acenda de um a sete charutos, sempre em números ímpares e aguardente. De acordo com o número de velas, se acender sete velas, assente sete copos e sete charutos, assim por diante. Agrupe sempre as velas da mesma cor juntas e forme um triângulo com o vórtice voltado para si, as velas roxas no vórtice, as pretas à esquerda e as vermelhas à direita, simbolizando a sua fidelidade e companheirismo para conosco, pois Exu Caveira abomina traição e infidelidade, como, por exemplo, o aborto, isto não é tolerado por mim e todos os que praticam tal ato é então condenado a viver sob as hostes severas de meu mistério. Peça o que quiser com fé, e com fé lhes trarei, pois todos os Exus Caveira são fiéis aos seus médiuns e àqueles que nos procuram.
A falange de Exus Caveira pertence à falange do Grande Tatá Caveira, que é o pai de todos os Exus assentados à esquerda do Divino Omulu, os demais não posso citar, falo apenas do meu mistério, pois dele eu tenho conhecimento e licença para abrir o que acho necessário e básico para o vosso aprendizado, quanto ao mais, busquem com vossos Exus pessoais, que são grandes amigos de seus filhos e certamente saberão orientar com carinho sobre vossas dúvidas. Um último detalhe a ser revelado é que todos os que têm Exu Caveira como Exu de trabalho ou protetor, é porque em algum momento do passado, pecaram contra a criação ou à geração e ambos, protetor e protegido tem alguma correlação com estes atos errôneos de vidas anteriores.
Tenham certeza, se seguirem corretamente as orientações, com trabalho e disciplina, o mesmo que sucedeu com meu antigo e grande sumo sacerdote, sucederá com vocês também, porque este é o nosso desejo. Mais a mais, se um Exu de minha falange consegue vencer através de seu médium ou protegido, ele automaticamente alcança o direito de sair do embaixo e galgar os degraus da evolução em outras esferas.
Que o Divino Pai maior possa lhes abençoar e que a Lei Maior e a Justiça Divina lhes dêem as bênçãos de dias melhores.
Com carinho
Senhor Exu Caveira.
José Augusto Barboza
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O que sei sobre o Seu Caveira é fruto do que ele mesmo ensinou e falou, coisa simples, pois ele também não acredita ser necessária uma decodificação da Quimbanda, é preciso sim crer, ter fé.
Exu Caveira é uma entidade nomeada por Oxalá, quando da criação da vida humana na Terra, para cuidar do desencarne. É uma entidade incriada como todos os espíritos porém sua consciência é anterior a criação da Terra derivada das Águas Ancestrais, do Verbo Divino; é Ele uma espécie de ‘carrasco chefe’ no plano terreno e policial no plano astral do campo da escuridão, da esquerda; responsável por ceifar a vida terrena, do indivíduo, no momento certo, entre outras tarefas, para as quais é imprescindível ajuda de toda sua falange que dizem ser formada pelos Exus: Tata Caveira, Pemba, Brasa, Carangola, Pagão, Arranca Toco, Exu do Lodo & Pomba Gira Rainha do Cemitério. Devido ao respeito mostrado por outros Exus ao Seu Caveira, durante a Gira, chamando-o de ‘chefe’ tenho opinião de que a falange é bem maior somando o total de 49 Exus, isso não deve ter muita importância no entendimento sobre o tema pois uma decodificação, creio, é sempre prematura tendo em vista que o desenvolvimento espiritual e a Lei do Karma, são eternos, e isso também vale na esfera dos Exus… no campo da fé só é preciso acreditar.
Exu Caveira, dizem alguns, é um desdobramento do próprio Sr. Omolu que assume a forma de Exu Caveira para trabalhar mais ativamente nas Giras de Quimbanda. É, digamos assim, o braço direito deste Orixá. Também existe quem fale que os Senhores João Caveira, Tata Caveira, Exu Caveira e Exu Caveirinha são a mesma entidade desdobrando-se ou mesmo apresentando-se cada vez com um destes 4 nomes, coisa que acho difícil pois o trabalho nas Giras de Quimbanda tem mostrado por diversas vezes os 4 incorporados em um mesmo trabalho, com personalidades parecidas porém características próprias, individuais de cada um, tenho certeza que os 4 existem de fato como entidades distintas; porém talvez tenham mesmo se originado num desdobramento ocorrido num passado distante, anterior a própria criação, não tenho dúvidas de que Seu Caveirinha e Seu João Caveira pertencem a mesma falange, teoria esta que desmente as decodificações anteriores baseadas nas falanges de divindades pagãs e descrições do Grimorium Verum isso apesar de em muitas vezes o sincretismo indicar e descrever também, de fato, características próprias destes espíritos.
Pelo que foi dito pelo Seu Caveira ele encarnou na Terra, em forma humana, pela 1ª vez há pouco mais de 30.000 anos: “Quando encarnei pela primeira vez na Terra, há mais de 30.000 anos, estava tudo desolado e tive que me alimentar de um óleo que brotava do chão para sobreviver” disse ele explicando porque tem costume de beber azeite de dendê. Em todas as suas encarnações sofreu o como sofrem os seres humanos comuns para poder alcançar um grau maior de evolução sei que por escolha própria, apesar de gostar de riqueza nunca foi um nobre muito endinheirado ou teve alguma posição de grande destaque na sociedade, optando sempre por levar a vida simplesmente, sem apegar-se a luxos terrenos, sem fixar residência num mesmo lugar durante toda a vida e praticando até um relativo isolamento. Um fato curioso que vem sendo amplamente divulgado pelos próprios Caveiras é que uma vez encarnaram todos juntos, me parece que num total de 49 pessoas, no antigo Egito e fizeram parte de uma mesma seita aonde Seu Tata era o sacerdote, por praticarem o moteísmo foram todos condenados a serem queimados vivos, fato este que acredito ter realmente acontecido; creio que a encarnação e reencarnação destas entidades na Terra, partindo desta e passando pelo Brasil colonial aonde encarnaram como senhores de engenho, fazendeiros, barões e feitores de escravos (o que explica o fato de terem por Lei de obedecer aos Pretos e Pretas Velhas para trabalhar no Terreiro) teve relação direta com o fato de hoje eles trabalharem na Lei de Umbanda através da Quimbanda.
Exu Caveira, juntamente com Seu Tata Caveira, são responsáveis diretos pela administração do vício na Terra, na maior parte vicio em drogas pesadas que alteram a percepção e causam dependência física e ou psíquica, incluindo álcool e cigarros, eles podem também facilmente influir na sanidade corporal e psíquica das pessoas tirando ou dando lucidez e ou saúde física, claro que sempre de acordo com o merecimento, Karma, da pessoa que sofre sua influência ou de sua falange. Exu não pode simplesmente fazer mal a um inocente por isso a importância de se levar uma vida correta. O vício é usado como ferramenta de trabalho por Exu no dever de fazer cumprir o Karma, ou mesmo como provação. O livre arbítrio nos da o poder da decisão, podemos escolher formas mais brandas de cumprir nosso Karma e de cuidar de nossa evolução e para isso podemos contar com a proteção de Exu contra estes perigos e armadilhas aonde ele é o mestre.
A falange dos Caveira mexe profundamente com o nosso conjunto dos processos psíquicos conscientes e inconscientes devido ao grande medo da morte que trazemos, dentro da maioria de nós, enquanto encarnados. Por termos também impressa em nossa psique serem estas entidades responsáveis diretos pelo desencarne, nada mais justo que lhes prestarmos o devido respeito evitando assim qualquer espécie de distúrbio no campo que lhes pertence.
Os Terreiros tradicionais, do início do século passado, tem grande receio em invocar esta entidade e só o fazem quando a coisa fica pesada mesmo, quando acontece algo que eles não compreendem ou mesmo não sabem como lidar ai chamam Exu, já vi e ouvi até dizerem este poderoso Exu é louco, intrigueiro e irresponsável, coisa que a mim, com todo respeito, parece ridícula pois isso se deve ao único fato destas tendas ignorarem uma boa Gira de Quimbanda por crenças de falsas morais que já não nos servem mais nos dias de hoje.
Exu Caveira e sua falange tem em especial grande poder para favorecer a qualquer espécie de especulação ensinando todas as táticas e artimanhas da guerra, tendo em vista a vitória sobre os inimigos, é encarregado de vigiar a entrada para cemitérios ou qualquer lugar aonde hajam pessoas enterradas, seu poder é tal que muitas vezes incutem medo nos que o invocam. Não existe trabalho ou despacho a ser realizado em um cemitério sem a presença de Exu Caveira. Com todo este poder devemos mesmo ter muito cuidado ao tentar manipular estas energias pois em caso de erro, e errar é humano, os prejudicados seremos nós mesmos.
Seu Caveira apresenta-se na maioria das vezes como uma caveira, de altura respeitável, vestida de preto e trazendo na mão alguma arma, sendo mais comuns: a foice, o tridente, a espada, o gládio, elmo e escudo, depende a ocasião ele pode aparecer com a cabeça coberta, mostrando a caveira, ou não, pode-se identificá-lo pelas mãos que parecem grandes garras devido ao tamanho das unhas e dedos que assumem forma de garra pela aparente ausência de tecido. Sua cor é o preto mas não raro usa também velas, ponteiros e pemba vermelha e ou branca. Quando usa só pemba preta ou risca um caixão em seu ponto ele está trabalhando com magia negra, quando usa 9 velas pretas geralmente é Vodu.
É sincretizado com a divindade pagã conhecida, em sânscrito, por Sergulath, e sua falange, pela ordem: Próculo, Haristum, Brulefer, Pentagnony, Aglassis, Sidragosam, Minoson e Bucon, perfazendo um total de nove, número este o preferido de Exu Caveira e por ele utilizado na magia. Também podemos encontrar outros sincretismos de Exu Caveira através dos cultos e épocas. Do sincretismo com a divindade pagã é que vem a estatueta ‘demoníaca’ de Exu Caveira encontrada em casas de artigos religiosos, acredito que pode ele realmente assumir esta forma digamos assim ‘horrenda’ ou até mesmo mais assustador para trabalhar nas esferas abissais ou no limbo (inferno).
Desde que se propôs, juntamente com outros Exus, a trabalhar em conjunto com a Umbanda, exatamente na época de sua divulgação em 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, no início do século passado, é cada vez mais raro ver este Exu, incorporado fora de Terreiros que saravem às 7 Linhas da Umbanda e 7 Linhas da Quimbanda equilibradamente e na pratica da caridade porém, mesmo que mais raramente, ele continua presente em atividade também em diversos cultos com maior destaque para a Santeria, o Vodu, as Macumbas, o Candomblé e Batuques, cultos aonde tem sempre aparelhos disponíveis para incorporação caso seja invocado.
Deve-se alertar para o fato de existirem espíritos mal intencionados que tentam passar-se por Exu Caveira; por este ter onipresença e grande poder nas Trevas, estes zombeteiros usam seu nome na presença dos incautos prometendo cometer barbaridades em troca de alguns patacos e oferendas, é! no plano espiritual também existem vigaristas que procuram semelhantes na Terra, Exu Caveira está presente para colocar estes charlatões em seus devidos lugares.
Tenha certeza, Seu Caveira é um Exu bastante antigo, amigo e companheiro. Quando é de nosso merecimento é mais do que irmão; mas deve-se cuidar para digamos assim ‘não sair da linha’ porque ele pode se tornar um verdadeiro tormento aos que com ele não souberem tratar, devemos lembrar de que ele é o carrasco que nos visitará no segundo fatal.
O poderoso Exu Caveira, O Rei das Catacumbas do Inferno, é sempre merecedor de grande respeito por parte daqueles que o invocam. Ato-tô!
‘Salve o Morro do Calvário,
Salve o povo inteiro,
Salve Exu Caveira;
Que vem neste Terreiro,
Salve filho de fé,
Salve Calunga inteira,
Salve Exu Caveira,
Que vem trabalhar!
Emogibá!’
(Ponto transmitido mediunicamente pela entidade)
(www.ruadasflores.com)

Continua...
 


Samir Castro




Comentários

  1. Asé odara bem explicado mesmo asé !!!!!!!

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  2. boa noite sou o Carlos R OGÃN NA CACHOEIRINHA E GOSTEI BASTANTE DAS CANTIGAS POSTAGENS E VIDEOS GOSTARIA DE ESTAR CONHEÇENDO SEMPRE QUE POSSÍVEL GRATO

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