Òsóòsì (Oxossi)




Hoje estava pensando em tudo que já passei, em minhas conquistas, minhas perdas, meus medos, minha garra em continuar lutando, e, estava pensando no significado dos Orixás em minha vida. Foi quando olhei o assentamento de Òsóòsì (Oxossi) que temos em casa e pensei o que este Orixá significa dentro de cada um de nós, independente de sermos seus filhos ou não, o que Oxossi nos ensina? A resposta que me veio à mente foi simples, pura e clara.  Oxossi é o senhor da caça, Orixá da fartura e da riqueza, Oxossi é o grande analisador e conquistador de terras para que uma aldeia ali seja instalada, é Olúàiyé ou Oní Arà-àiyé (senhor da humanidade ou senhor da terra ou senhor dos filhos da terra). Oxossi simboliza a vontade de conquistas, a vontade de realizações, a continuidade de projetos e ideais. Ele é o grande caçador. Por esse motivo é um fabuloso estrategista, que nos ensina que, sem a calma, a paciência e análise correta de nossos movimentos, de nossos atos, não conseguiremos levar a “caça” para casa, ou seja,  assim como o caçador que erra  seu movimentos, perderemos a nossa caça, caça neste caso, no sentido de projetos, de realizações e conquistas. Oxossi nos ensina que o controle da mente, os procedimentos corretos nos faz conquistar o que desejamos. Minhas conquistas, meu objetivos, são diferentes dos seus e de todos, porém somos iguais quando nos referimos à determinação, a execução de nossos passos para conseguirmos o que tanto desejamos. Oxossi nos ensina que a felicidade, a fartura, não estão somente relacionadas a bens materiais e sim a tudo que almejamos ter.
É isso que o grande Orixá Oxossi, conhecido como Alàkétu (Rei das Terras de Kétu) ou Onìlé (Dono da Terra) nos ensina. Além disso nos ensina a lidar com as emboscadas e armadilhas do destino. Pois durante uma caçada, sempre poderá aparecer surpresas e é exatamente assim em tudo que fazemos em nossas vidas. Sempre haverá surpresas em nossas idealizações e assim como o bom caçador, devemos analisar a melhor forma de agir, a melhor forma de conquistarmos o que tanto queremos e desistir jamais.

DIA DE CULTO NO BRASIL: Quinta-feira
COR: Azul-Turquesa
SÍMBOLOS: Ofá (arco), Damatá (flecha), Erukeré
SAUDAÇÃO: Odè Òkè Arò! – Salve o Caçador, aquele de alta graduação honorífica!

Alàkétu e sé a lóòtun odárà sé a lóòtun
Odárà Àárò lè sé a lóòtun odárà
Senhor e governante de Kétu nos renove.
Torne-nos bons e capazes.
E que possamos ajudar uns aos outros

Filhos de Oxossi:

São pessoas difíceis de saber quando estão tristes ou alegres, geralmente mantém a mesma expressão, guardando seus sentimentos, o que não os faz insensíveis, na verdade os torna reservados.
São pessoas às vezes mal compreendias, podem ser até mesmo taxadas de arrogantes e prepotentes, pelo simples fato de serem perfeccionistas no que fazem; são cautelosos, inteligentes, astutos e muito espertos.
São bons conselheiros, às vezes um pouco exagerados em seus pensamentos e comportamento. Às vezes se isolam, são pessoas solitárias e pensativas. Observadores atentos de tudo que passa a sua volta. Curiosos, introvertidos, vaidosos, distraídos, prestativos, pensativos e discretos. Esses são os filhos de Oxossi

Oxóssi aprende com Ogun a arte da caça

Oxóssi é irmão de Ogun. Ogun tem pelo irmão um afeto especial. Num dia em que voltava da batalha, Ogun encontrou o irmão temeroso e sem reação, cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras. Ogun vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança. Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos. Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.
Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranquilizou com sua proteção. Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxiliá-lo. Ogun então ensinou Oxóssi a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas. Oxóssi aprendeu com o irmão a nobre arte da caça, sem a qual a vida é muito mais difícil. Ogun ensinou Oxóssi a defender-se por si próprio bem como a cuidar da sua gente. Agora Ogun podia voltar tranquilo para a guerra. Ogun fez de Oxóssi o provedor.
Oxóssi é o irmão de Ogun. 
Ogun é o grande guerreiro.
Oxóssi é o grande caçador.
[Lenda 50 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi]

Oxóssi mata a mãe com uma flechada

Olodumare chamou Orunmilá e o incumbiu de trazer-lhe uma codorna. Orunmilá explicou-lhe as dificuldades de se caçar codorna e rogou-lhe que lhe desse outra missão. Contrariado, Olodumare foi reticente na resposta e Orunmilá partiu mundo afora a fim de saciar a vontade do seu Senhor. Orunmilá embrenhou-se em todos os cantos da Terra. Passou por muitas dificuldades, andou por povos distantes. Muitas vezes  foi motivo de deboche e negativas acerca do que pretendia conseguir. Já desistindo do intento e resignado a receber de Olodumare o castigo que por certo merecia, Orunmilá se pôs no caminho de volta. Estava cansado e decepcionado consigo mesmo.
Entrou por um atalho e ouviu o som de cânticos. A cada passo, Orunmilá sentia suas forças se renovando. Sentia que algo novo ocorreria. Chegou a um povoado onde os tambores tocavam louvores a Xangô, Iemanjá, Oxum e Obatalá. No meio da roda, bailava uma linda rainha. Era Oxum, que acompanhava com sua dança toda aquela celebração. Bailando a seu lado estava um jovem corpulento e viril. Era Oxóssi, o grande  caçador.
Orunmilá apresentou-se e disse da sua vontade de falar com aquele caçador. Todos se curvaram perante sua autoridade e trataram de trazer Oxóssi à sua presença. O velho adivinho dirigiu-se  a Oxóssi e disse que Olodumare  o havia encarregado de conseguir uma codorna. Seria esta, agora, a missão de Oxóssi. Oxóssi ficou lisonjeado com a honrosa tarefa e prometeu trazer a caça na manhã seguinte. Assim ficou combinado.
Na manhã seguinte, Orunmilá se dirigiu à casa de Oxóssi. Para sua surpresa, o caçador apareceu na porta irado e assustado, dizendo que lhe haviam roubado a caça. Oxóssi, desorientado, perguntou à sua mãe sobre a codorna, e ela respondeu com ares de desprezo, dizendo que não estava interessada naquilo. Orunmilá exigiu que Oxóssi lhe trouxesse outra codorna, senão não receberia o Axé de Olodumare. Oxóssi caçou outra codorna, guardando-a no embornal. Procurou Orunmilá e ambos dirigiram-se ao palácio de Olodumare no Orum. Entregaram a codorna ao Senhor do Mundo. De soslaio Olodumare olhou para Oxóssi e, estendendo seu braço direito, fez dele o rei dos caçadores. Agradecido a Olodumare a agarrado a seu arco, Oxóssi disparou  uma flecha ao azar e disse que aquela deveria ser cravada no oração de quem havia roubado a primeira codorna. Oxóssi desceu à Terra. Ao chegar em casa encontrou a mãe morta com uma flecha cravada no peito. Desesperado, pôs-se a gritar e por um bom tempo ficou de joelhos inconformado com seu ato. Negou, dali em diante, o título que recebera de Olodumare.
[Lenda 54 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi]

Oxóssi desobedece a Obatalá e não consegue mais caçar

Havia uma grande fome e faltava comida na Terra. Então Obatalá enviou Oxóssi para que ele aí caçasse e provesse o sustento de todos os que estavam sem comida. Oxóssi caçou tanto, mas tanto, que ficou obsessivo: ele queria matar e destruir tudo o que encontrasse. Obatalá pediu-lhe que parasse de caçar, mas Oxóssi desobedeceu. Oxóssi continuou caçando. Um dia encontrou uma ave branca, um pombo. Sem se importar que os animais brancos são de Obatalá, Oxóssi matou o pombo. Obatalá voltou a pedir que ele não caçasse mais, porém Oxóssi continuou caçando. Uma noite Oxóssi encontrou um veado e atirou nele muitas flechas. Mas as flechas não lhe causavam nenhum dano. Oxóssi aproximou-se mais e flechou a cabeça do animal. Nesse momento, o veado se iluminou. Era Obatalá disfarçado, ali, todo flechado por Oxóssi. Oxóssi não conseguiu caçar nunca mais. Profundo foi seu desgosto. 
[Lenda 55 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi]

Òsóòsì mata o grande pássaro

    Em tempos distantes, Odùdùwa, Obà de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura.
      De repente, um grande pássaro (èlèye), pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando fardas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as Àjès (feiticeiras portadoras do pássaro), personificando seus poderes através de Ìyamì Òsóróngà.     
      Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes.
      O Oba então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas.
       Chamou, desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro.
       Ainda foi convidado para a grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu.
     Por fim, já com todos sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha.
      Sua mãe Yemonjá, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, de vez que três dos melhores caçadores falharam em suas tentativas.
Yemonjá foi consultar Ifá para Òsotokànsosó.
      Foi consultar os Bàbálàwo. Eles disseram para fazer oferendas. Eles dizem que Yemonjá prepare ekùjébú (grão muito duro) naquele dia. Eles dizem que tenha também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas). Eles dizem que tenha èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira).
     Eles dizem que Yemonjá tenha seis kauris. Yemonjá faz então assim. Pediram ainda que, oferecesse colocando tudo sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção. Eles dizem que ofereça em uma estrada, dizem que recite o seguinte: “Que o peito da ave receba esta oferenda”.
     Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abria sua guarda recebendo a oferenda ofertada por Yemonjá, recebendo também a flecha serteira e mortal de Òsotokànsosó.
      Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: “òsóòsì! òsóòsì!” (caçador do povo).
       A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje.    
 Òsóòsì. 
[Lenda colhida na Internet "sem descrições"]

Referencias bibliográficas: Cantando para os Orixás – Altair B. Oliveira
Samir Castro

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