Xoroquê - Matéria de Weber Martins

Weber Martins

Texto de total responsabilidade do autor
Aos meus irmãos de Umbanda e aos amigos do Candomblé que Olorum nos ilumine sempre ! Recentemente pude presenciar uma discussão a respeito de uma qualidade de Ogum na Umbanda, pessoas discutindo sobre Ogum Xoroquê, qual o fundamento de Ogum Xoroquê na Umbanda, realmente uma discussão quente porque vai de encontro ao preceito de muitas casas e de muitas pessoas, pois sabemos que atualmente existe muita mistura e cada casa possui seu ritual. Na minha opinião, a Umbanda e o Candomblé podem sim ter uma aproximação de fundamentos e até de alguns rituais mas, quando a mistura ultrapassa certo limite, acaba-se perdendo a identidade. O irmão deve estar se perguntando: mas porque perde-se a identidade ? Por um simples motivo: porque na Umbanda não se cultua Orixá ! Na Umbanda apenas se louva Orixá, não existem cuidados na Umbanda para esta ou aquela qualidade de Orixá, não se cuida de Ogum Xoroquê ou Ogum Já na Umbanda. Louva-se apenas Ogum, o Orixá do ferro, que abre caminhos, vencedor de demandas, etc. Na Umbanda trabalhamos com as entidades que vem em terra dentro da falange de cada linha ou Orixá, os nossos caboclos que não são formados apenas por índios mas espíritos das mais diversas origens que se encaixam de acordo com a Lei de Umbanda nesta ou naquela falange para trabalhar na caridade. Assim temos os Caboclos de Ogum, os Caboclos de Xangô, Os Caboclos de Obaluaie, etc. Ogum na Umbanda fuma charuto, bebe cerveja , conversa, dá passe, dá conselho. Ogum no Candomblé faz sua dança, traz seu axé e vai embora, fala pelos búzios e é energia, divindade do ferro e da guerra.
Neste momento alguns devem estar se perguntando: mas e Ogum Iara ? Ogum Rompe Mato ? Ogum Beira Mar ? É exatamente neste ponto que devemos tomar cuidado para não confundir as coisas. Estas “não são” qualidades de Ogum, mas sim, campos de atuação de seus caboclos e entidades. Uma falange de Ogum que trabalha no campo vibracional das matas é reconhecido como Ogum Rompe Mato, na vibração das águas Ogum Iara, no Cemitério Ogum Megê, no mar Ogum Beira Mar, etc. Na Umbanda não damos comida pra santo, não cuidamos como nossos irmãos do Candomblé. Fazemos entregas sim, quando se faz necessário um trabalho para que as entidades atuem na abertura de caminhos, quebra de demanda, prosperidade, etc. Cada linha tem suas oferendas que variam de caso pra caso. Então, diante da discussão que pude presenciar, vi que existe um pouco de confusão nesse sentido. Devemos saber separar para que nossa querida Umbanda e nosso lindo Candomblé possam se manter de acordo com suas tradições e com sua força. Como disse no início, pode existir até uma aproximação de elementos, de alguns fundamentos, mas a mistura completa degenera e leva à perda de identidade. Vale lembrar que esta é uma opinião pessoal, opinião que formei com a observação e com o ensinamento dos mais velhos dentro da minha religião de Umbanda.

Forte axé a todos !!

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