Nàná (Nanã)

Nàná (Nanã) é a senhora do mistério, e um dos Òrìsà (Orixás) participantes da criação do mundo. A lama dos pântanos é o elemento de Nàná. Algumas lendas apontam esta questão de diversas formas: umas dizem que foi Òsàlà (Oxalá), outras que foi Odùdúà (Oduduá) e outras Òrúnmilà (Orunmilá). A que eu adotei diz que, quando Òsàlà separou a água parada, liberou a terra. No contato desses elementos formou-se a lama dos pântanos, sendo este o local onde se encontram os maiores fundamentos deste Òrìsà. Muitas pessoas confundem a questão de Nàná ser chamada de “Orixá da Morte”, como sendo uma temível divindade. Na verdade Nàná está contida desde a formação do homem através do barro, até o seu retorno para sua origem, a terra. O barro para nós é o principio de tudo. Nàná possui ligação até mesmo com o Orixá Èsù (Exú), pois para que o mesmo fosse criado por Oxalá a mando de Olòrún (Deus), se fez necessário o uso do barro. Este é um dos mais antigos Orixás femininos das águas. Ela é a ancestralidade, ou seja, Ìyá Agbà (Mãe Ancestral), o que novamente nos remete à origem da humanidade e da criação do mundo. Segundo alguns estudiosos, é mãe direta dos Orixás Obàlùàiyé (Obaluaê), Òsúmaré (Oxumarê) e Iroko. Outros apontam a mesma, sendo mãe apenas de Òsúmaré e Iroko, tendo adotado Obàlùàiyé como seu filho. Ela é o principio de tudo, e é o fim.
Nàná é a senhora das chuvas purificadoras, dona da lama, da terra, é aquela que nos cuida, aquela que nos dá a vida e é aquela para a qual voltamos.
Dia de Culto: Teça-feira
Cores: Roxo, branco e anil
Símbolo: Ìbìrí – Bastão feito de hastes de palmeira simbolizando a criação.  
Saudação: Sálù bà Nàná! – Nós retornaremos para Nanã!

Filhos de Nanã:
Pessoas calmas, tranquilas, perfeccionistas no que fazem, pessoas de bom coração, dignos e de gentileza. Não gostam de fazer nada apressadamente, pois a pressa é inimiga da perfeição.
Amam crianças, as educam com excesso de carinho e mansidão. São pessoas que fisicamente podem até mesmo aparentar mais idade. São pessoas que podem viver de recordações, remoendo o passado, podem apresentar problemas nas articulações, depressão e infecções.  Podem ser pessoas teimosas, podem guardar rancor por uma eternidade, se não se sentirem confiantes podem adiar suas decisões esperando o momento mais propício. São pessoas bem equilibradas e pertinentes em suas decisões. Decidem tudo de forma tranquila, com sabedoria e procuram não ser injustos com o próximo.
Alguns Títulos ou Qualidades de Nàná
Por motivo de preservação do Fundamento, algumas qualidades não serão citadas. Lembrando que este blog apenas cita exemplos, nosso intuito não é ensinar nada além do básico, respeitando nossos mais velhos sempre.
Nàná Ajàosì – Divindade guerreira. Mora nas águas doces.
Nàná Ajàpà – Divindade guardiã das matas, vive no fundo dos pântanos. Está ligada ao mistério da morte e o renascimento. Senhora da razão.
Nàná Bùrúkù – Senhora da riqueza, senhora da terra.
Nàná Obàìyá – Senhora da água e da lama.

 LENDA DE NANÃ – 01
No início dos tempos, os pântanos cobriam quase toda a terra. Faziam parte do reino de Nanã Buruquê e ela tomava conta de tudo como boa soberana que era. Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos orixás, uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer. E foi dessa época que surgiu esta lenda. Ogum precisava chegar ao outro lado de um grande pântano, pois lá havia uma séria confusão ocorrendo e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lodaçal para não perder tempo. Ao começar a travessia, que seria longa e penosa, ouviu atrás de si uma voz autoritária: - Volte já para o seu caminho rapaz! - Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades - Para passar por aqui tem que pedir licença! - Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim. - Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio. Ogum riu com escárnio: - O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá! Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço. O barro agitou-se e de repente começou a se transformar em grande redemoinho de água e lama. Ogum teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos seus músculos retesavam-se com a violência do embate. Foram longos minutos de uma luta sufocante. Conseguiu sair, mas, no entanto, não conseguiu avançar e sim voltar para a margem. De lá gritou: -Velha feiticeira, você é forte não nego, porém também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessá-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas. E assim o fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém. Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. Ficou furiosa por perder parte de seu domínio, mas intimamente orgulhava-se de seu trunfo: - Ogum não passou!

LENDA DE NANÃ-02
Nanã era esposa de Ogum e ocupava o cargo de juíza no Daomé. Só julgava os homens, sendo muito respeitada pelas mulheres que eram consideradas deusas. Ela morava numa bela casa com jardim. Quando alguém apresentava alguma reclamação sobre seu marido, ela amarrava a pessoa numa árvore e pedia aos Eguns para assustá-la. Certa noite, Yansã reclamou de Ogum e ele foi amarrado no jardim. À noite, conseguiu escapulir e foi falar com Ifá. A situação não podia continuar e, assim, ficou acertado que Oxalá tiraria os poderes de Nanã. Ele se aproximou e ofereceu a ela suco de igbin, um tipo de caramujo. Ao beber o preparado, Nanã adormeceu. Oxalá então se vestiu de mulher e, imitando o jeito de Nanã, pediu aos Eguns que fossem embora de seu jardim para sempre. Quando Nanã acordou e percebeu o que Oxalá tinha feito, obrigou-o a tomar o mesmo preparado de igbin e seduziu o orixá. Oxalá saiu correndo e contou para Ogum o que havia acontecido. Indignado, este cortou relações com Nanã. E é por isso que nas oferendas a Nanã não é usado nenhum objeto de metal. Uma outra lenda registra que, numa reunião, os orixás aclamaram Ogum como o mais importante deles e que Nanã, não se conformando em ser derrotada por ele, assumiu que não mais usaria os utensílios de metal criados pelo orixá guerreiro (escudos e lanças de guerra, facas e setas para caça e pesca). Por isso que ela não aceita oferendas em que apresentem objetos de metal.

LENDA DE NANÃ - 03

Ogum é sem dúvida alguma, um dos Deuses Iorubanos mais conhecidos, mais cultuado e temido. Às vezes, até mesmo, mais temido do que Exú, sobre o qual, tem total domínio. Como é o filho de Oduduá e Yemanjá, mais velho e considerado o mais antigo Orixá Iorubano, e em virtude de sua ligação com metais, sem sua permissão e sua proteção, nenhuma atividade seria proveitosa; é o dono do obé (faca). Entretanto outros Deuses mais antigos que Ogum, originários de países vizinhos, mesmo assimilados pelos Iorubanos, não aceitavam de bom grado a primazia assumida e concedida a Ogum, por Oduduá. Essas diferenças até hoje não foram resolvidas e deu origem a conflitos entre Nanã e Ogum. Isto porque Nanã, o mais antigo Orixá da Nação de Daomé (uma espécie de Orixalá dos Iorubanos) não aceita o comando de Ogum. Por isso, nenhum animal oferecido a Nanã, podia ser cortado com o obé de metal e sim com o de madeira.

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