Apenas uma visão sobre Conduta Sacerdotal


Sei que este texto poderá causar alguns atritos, porém, eu respeito as pessoas por suas escolhas e estou expondo apenas um pensamento que tenho.
Muito se tem falado nos famosos “CURSOS DE SACERDÓCIO”, seja na Umbanda ou dentro das Nações de Candomblé. O que sabemos é que existem determinados procedimentos e obrigações que um filho, iniciado, noviço, cavalo, médium, elegùn, rodante, ou como queiram denominar, deve passar para que possa ter o direito de exercer o seu cargo sacerdotal, no caso de “Pai e Mãe de Santo”. Nunca precisei dizer o que sou, ou que deixo de ser para valer minhas opiniões. Porém, devido ao desrespeito para com a minha pessoa, senti a necessidade de mostrar o que sou e quem sou. Falo com base de Zelador de Orixá e com total tranquilidade que, realmente, Cursos se fazem necessários nos dias atuais, pois o ser humano está em constante evolução, estamos aprendendo todos os dias, e afinal, não somos donos da verdade. Porém, uma coisa é adquirir novos conhecimentos, até mesmo ensinar, e outra coisa é formarmos sacerdotes, os quais em meses, ou em apenas 1 ou 3 anos, já saem se “intitulando” sacerdotes.
Uma das coisas que me preocupa é o descontrole de algumas casas em não observarem a questão das bebidas entre alguns de seus filhos de Orixá, manifestados em suas Entidades. É muito importante evitarmos situações indelicadas, pois existe, em alguns filhos, uma coisa chamada consciência e o controle dos mesmos é totalmente viável. Preocupa-me muito ver alguns Zeladores se valerem de suas “entidades”, que na verdade não são, para passar cantada, beberem exageradamente e fazerem outras coisas que não vale nem a pena comentar.
Ogãs bêbados tocando atabaque seja na Umbanda ou no Candomblé, um instrumento sagrado, que é a chamada do Orixá ou Entidade, ainda mais os Ogãs que são os olhos do terreiro, os verdadeiros condutores de todas as festividades através dos cânticos em louvor a nossas Divindades.
A disputa de quem usa a roupa melhor do que o outro, o pano maior na cabeça, quem tem as melhores joias, esta vaidade não condiz com o que é ser do Orixá. Ser do Orixá é ser humilde, não adianta termos um “discurso” e na realidade não aplicarmos aquilo que falamos e pregamos. Se realmente pregamos a moral religiosa, a conduta sacerdotal, a união e a humildade, temos que ter para poder exigir.
Estou cansado de ver pessoas falando aquilo que não aplicam nem em suas casas e em nenhum lugar por aí.
Sou uma pessoa comum, sou uma pessoa que possui erros, porém dentro e fora do Orixá sou uma pessoa honesta, correta e não tolero esse tipo de situação.
Me preocupa muito isso pois o número de pessoas tristes dentro de nossa religião, com estas e tantas outras questões vem aumentando.
Um Zelador ou Zeladora jamais pode fechar as portas para um filho, mesmo que este se afaste de sua casa. Nós sacerdotes somos os Orientadores de uma Sociedade Religiosa e dentro de nossas casas cabe a nós orientarmos nossos filhos de Orixá, cabe a nós ensinar, cuidar, ouvir e orientar. Por isso somos chamados de Pai e Mãe, no sentido de que somos pessoas de confiança para aqueles que nos procuram. Pena que algumas pessoas não realizem isso de fato, e que a VAIDADE e o EGO predominem.
Isso é apenas um desabafo que estou fazendo. Acho que temos que refletir todos os dias, temos que organizar de uma vez a nossa religião para que, aí sim, possamos ser reconhecidos pela sociedade.
  Bàbálòrìsà Samir ti Èsù
  

Comentários

  1. Retirado do Grupo Universo Umbandista (FaceBook)

    Edson Oxossi II com certeza o aprendizado é muito bom porem atropelar a hierarquia e preceitos que se tem que passar não tem como, parabéns pelo seu comentário, penso da mesma forma e faço agora só 41 anos de casa aberta e incrível mais ainda continuo aprendendo ase meu Irmão Bàbálòrìsà Samir Ti Èsù/ Associaçao Cacique Cobra Coral / Edson Oxossi II

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  2. Retirado do Grupo Universo Umbandista (FaceBook)

    Fábio Donaire
    Samir, concordo com vc esses dias postei algo sobre isso tbm. É triste a maneira com que estão, rapidamente, transformando o Candomblé e a Umbanda em mercadorias. Fui criado em terreiro de Umbanda, comecei meu trabalho de desenvolvimento há pouco tempo e sempre vi o desenvolvimento lento, gradual e fundamentado dos grandes médiuns com quem convivi e convivo. Guardo pelo Candomblé um enorme apreço, respeito e admiração. Por isso me entristece ver as pessoas vendendo "cursos de leitura de búzios" e não-iniciados fazendo os cursos para atender o público, por exemplo. E agora na Umbanda essa moda dos livros psicografados, na maioria picaretagens importadas do espiritismo comercial. E o povo, dormindo eternamente em berço esplêndido, ao invés de aproveitar que vive na terra do Candomblé e da Umbanda e procurar os representantes mais reconhecidos, fica atrás de porcaria. Ai meu céu!

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  3. Parabéns! Você disse tudo!!! Até que em fim uma voz da verdade dentro das religiões Afro...
    Concordo com você em numero, gênero e grau!
    Continue sempre assim, com esta visão ampla de plena sabedoria e convicção, com suas certezas dignas e sua postura correta diante os marmoteiros de plantão... Você é uma pessoa digna de se tirar o chapéu...
    Abraços!
    Axé!

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  4. Retirado do Grupo Associação Cacique Cobra Coral (FaceBook)

    Ligia Machado
    vi li e amei tudo o k li e concordo plenamente com tudo o k diz bem haja, e é bom saber k ainda podemos acreditar em alguém pois infelizmente ha muitos k realmente se dizem PAIS DE SANTO e zeladores , mas impera a sua vaidade, avareza , e deixam os filhos passando o pior e eles proprios fazendo coisas horriveis aos filhos , falo e provo e comprovo o k digo de situações barabaras de pais de santo, mas afirmo k bem haja k ainda haja pais de santo a qual ainda podemos confiar. k pai ou mâe k não gosta de ver o seu filho bem sucedido na vida ??? aki deixo a minha opinião muito axé ...

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  5. Muito bem ditas e oportunas suas palavras! Afirmo meu respeito à sua pessoa, no que se refere ao texto acima, demonstrando verdadeira consciência da sua condição e uma voz de alerta a todos os novos ou antigos praticantes de nossas sagradas religiões. AXÉ!

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