Òrìsà Òsún - Orixá Oxum


"O conhecimento não está relacionado à idade de santo ou idade carnal, nem muito menos ao Orixá que carregamos. Aprendi que a troca de conhecimento existe entre Abùró e EgbomÌ (mais novos e mais velhos) pois aquilo que eu não sei, alguém sabe; e aquilo que alguém não sabe eu ensinarei. É assim que se caminha na Religião, a troca de conhecimento é o que estimula e provoca a eterna evolução HUMANA e RELIGIOSA."

Hoje apresentarei um texto sobre o Òrìsà Òsún (Orixá Oxum).

Òsún (Oxum) segundo alguns historiadores foi senhora das cidade de Ìjèsà (Ijexá), Ijebu (Ijebu), Osobó (Oxobô) onde corre o Rio Òsún.
A Cantiga que será apresentada a seguir é parte de uma seqüência de cantigas que enaltece o Povo de Ijexá e sua grande Rainha Òsún (Oxum), lembrando que é apenas um exemplo:
“Ìjèsà mó rí bo oun ó Ìjèsà
Ìjèsà mó rí bo oun ó Ìjèsà”

Tradução:
Eu vi e observei o povo de Ijexá fazendo culto para ela
Eu vi e observei o povo de Ijexá fazendo culto para ela

Òsún (Oxum) recebe o título de Ìyálóòde (primeira-dama da sociedade), título que é dado para mulheres que ocupam um cargo de extrema importância entre as mulheres. Existem algumas cantigas de Òsún (Oxum) que possuem a presença deste título, veja:
“Ìyálóòde ìyá Ìyálóòde ìyá ó
Ìyálóòde ìyá Ìyálóòde ìyá ó
Ìyálóòde ìyá Ìyálóòde ìyá ó
Ìyálóòde ìyá Ìyálóòde ìyá ó
E Ìyálóòde ìyá l´omi òrùn aìyé sé o, Ìyálóòde ìyá
Olomì aìyé ó yèyé ó”

Tradução:
Mãe, primeira-dama da sociedade, mãe, primeira-dama da sociedade, tu és a primeira-dama da sociedade. Mãe que tem águas no céu que geram vida, Mãe e primeira-dama da sociedade. Ó Mãe Senhora das Águas que geram vidas.

Quando falamos de Òsún (Oxum) estamos nos referindo à senhora do amor, da riqueza da fecundidade, da benevolência, da sinceridade, da gestação e do mistério.  Seu dia de Culto no Brasil é o Sábado, suas cores são o amarelo e amarelo ouro. Òsún (Oxum) está relacionada as intuições, premonições e gestação. Suas representações no Brasil são as águas doces dos rios, nascentes e lagoas.
Algumas lendas deste Òrìsà (Orixá) relatam que ela possui relações importantes com os Orixás Èsù (Exú), Ògún (Ogum), Odè/Òsóòsì (Odé/Oxossi) e com Sàngó (Xangô).
Segundo alguns estudiosos, Òsún teria sido esposa de Odè (Odé) e tido dois filhos: um chamava-se Lògún Odè (Logum) e outro Otìn. Alguns defendem que Otìn seria uma qualidade de Odè, outros que seria filha de Odè, uma amazona. Ainda existem muitos mistérios sobre esta questão.
Saudação: Rora Yéyè ó fí dé ri omon!
Mãe carinhosa e cuidadosa. Aquela que é rainha e olha seus filhos!
Ritmos das cantigas de Òsún: Batá, Agere, Ilù e Ìjèsà.


Características dos filhos de Oxum
São pessoas obstinadas, se preocupam muito com a opinião alheia, são pessoas que agem com estratégia, nunca perdem o foco de suas metas. São pessoas de garra e determinação. São pessoas bem humoradas, ao mesmo tempo sérias, teimosas e às vezes briguentas.
São pessoas apaixonadas, muitas vezes ao extremo.
São vaidosas, elegantes, gostam de jóias, perfumes, roupas e de tudo que é de bom gosto. Porém isso depende muito da qualidade do Orixá.
Possuem um lado espiritual bastante aguçado, principalmente ao que se refere à visão no jogo de búzios e premonições.
Realizam muitos projetos ao mesmo tempo e se não tomarem cuidado sempre acabam deixando algum para trás. Odeiam mentiras e disputas.

Alguns títulos ou Qualidades deste Orixá:
Òsún Ijimù ou Ijimùn - Oxum anciã. Veste-se de Branco, pode usar Azul Claro ou algum detalhe em Rosa. Trás em suas mãos um Abébé (espelho) e alfange, tem ligação com as Yami, Omolu, Òsàlà (Oxalá), Odè (Odé) e Èsù (Exú).
Òsún Abotó  -  Trás em suas mãos um Abébé e alfange. Está ligada as Yami, Nàná (Nanã), Omolu, Òsùmaré (Oxumarê) e Oyá Gbalè (Oyá Balé). Também é uma Oxum anciã.
Òsún Oparà - É uma jovem guerreira ligada a Èsù (Exú),Ògún (Ogum) e Oyá.  Trás em suas mãos uma espada.
Òsún Ajàgurà ou Ajàjírà - Qualidade guerreira ligada a Oguntè, Ìyémanjà (Iemanjá) e Sàngó (Xângo).
Òsún Yèyé Okè - Jovem guerreira e feiticeira. Ligada a Odè (Odé), Ògún (Ogum) e Èsù (Exú). Trás em suas mãos uma espada e um Erùkerè (rabo de cavalo)
Òsún Ìyépondà - Oxum guerreira ligada à Iboalamò. Possui ligações com Èsù. É também uma Òsun Guerreira ligada a Ibuálàmò. Ligada a Òsàlà (Oxalá), Òságyìan (Oxaguiã).
Òsún Karè - É muito jovem e guerreira. Além disso é uma das mais feiticeiras de todas as qualidades de Oxum, ligada a Odè Karè, Lògún Odè, Èsù (Exú), Omolu e Oyá.

Lenda de Òsún (Oxum) 1
Filha de Oxalá, Oxum sempre foi uma moça  muito curiosa, bisbilhoteira, interessada em aprender de tudo. Como sempre fora mimosa e manhosa, além de muito mimada, conseguia tudo do pai, o deus da brancura. Sempre que Oxalá queria saber de algo, consultava Ifá, o Senhor da Adivinhação, para que ele visse o destino a ser seguido. Ifá, por sua vez, sempre dizia à Oxalá:
- Pergunte a Exú, pois ele tem o poder de ver os búzios!
E este acontecimento se repetia a cada vez que Oxalá precisava saber de algo. Isto intrigou Oxum, que pediu ao pai para aprender a ver o destino. E Oxalá disse à filha:
- Oxum, tal poder pertence a Ifá, que proporcionou a Exu o conhecimento de ler e interpretar os búzios. Isto não pode lhe dar!
Curiosa, Oxum procurou, então, uma saída. Sabia que o segredo dos búzios estava com Exu e procurou-o para que lhe ensinasse.
- Ensina-me, Exú! Eu também quero saber como se vê o destino.
Ao que Exú respondeu:
Não, não! O segredo é meu, e me foi dado por Ifá. Isso eu não ensino!
Exú estava intransigente. Oxum sabia disso e sabia que não conseguiria nada com ele. Partiu, então, para a floresta, onde viviam as feiticeiras Yami. Cuidadosa, foi se aproximando pouco a pouco do âmago da floresta. Afinal, sua curiosidade e a decisão de desbancar Exú eram mais fortes que o medo que sentia.
Em dado momento deparou-se com as Yami, empoleiradas nas árvores. Entre risos e gritos alucinantes, perguntaram à jovem Oxum:
- O que você quer aqui mocinha?
- Gostaria de aprender a magia! Disse Oxum, em tom amedrontado.
- E por que quer aprender a magia?
- Quero enganar Exú e descobrir o segredo dos búzios!
As Yami, há muito querendo “pegar Exú pelo pé”, resolveram investir na jovem Oxum, ensinando-lhe todo o tipo de magia, mas advertiram que, sempre que Oxum usasse o feitiço, teria que fazer-lhes uma oferenda. Oxum concordou e partiu.
Em seu reino, Oxalá já se preocupava com a demora da filha que, ao chegar, foi diretamente ao encontro de Exu. Ao encontrar-se com este, Oxum insistiu:
- Ensina-me a ver os búzios, Exú?
- Não e não! Foi sua resposta.
Oxum, então, com a mão cheia de um pó brilhante, mandou que Exú olhasse e adivinhasse o que tinha escondido entre os dedos. Exú chegou perto e fixou o olhar. Oxum, num movimento rápido, abriu a mão e soprou o pó no rosto de Exú, deixando-o temporariamente cego.
- Ai! Ai! Não enxergo nada, onde estão meus búzios? Gritava Exú.
Oxum, fingindo preocupação e interesse em ajudar, perguntou a Exú:
- Eu os procuro, quantos búzios formam o jogo?
- Ai! Ai! São 16 búzios. Procure-os para mim, procure-os!
- Tem certeza de que são 16, Exú? E por que seriam 16?
- Ora, ora, porque 16 são os Odus e cada um deles fala 16 vezes, num total de 256.
- Ah! Sei. Olha, Exu, achei um, ele é grande!
- É Okanran! Ai! Ai!  Não enxergo nada!
- Olha, achei outro, é menorzinho.
- É Eji-okô, me dê, me dê!
- Ih! Exú. Achei um compridinho!
- É Etá-Ogundá, passa para cá....
E assim foi, até chegar ao ultimo Odú. Inteligente, Oxum guardou o segredo do jogo e voltou ao seu reino. Atrás de si, deixou Exu com os olhos ardidos e desconfiado de que fora enganado.
- Hum! Acho que essa garota me passou para trás!
No reino de Oxalá, Oxum disse ao seu pai que procurara as Yami, que com elas aprendera a arte da magia e que tomara  de Exú o segredo do Jogo de Búzios. Ifá, o Senhor da adivinhação, admirado pela coragem e inteligência de Oxum, resolveu dar-lhe, então, o poder do jogo e advertiu que ela iria regê-lo juntamente com Exu.
Oxalá quis saber ao certo o porquê de tudo aquilo e pediu explicações à filha. Meiga, Oxum respondeu ao pai:
- Fiz tudo isso por amor ao Senhor, meu pai. Apenas por amor!

Lenda de Òsún (Oxum) 2
Diz o mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de beleza e meiguice sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência. Oxum era também extremamente curiosa e apaixonada. E quando certa vez se apaixonou por um dos orixás, quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo de seu pai, a ver o futuro. Como o cargo de oluô (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma mulher, Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum.

Oxum então seduziu Exú, que não pôde resistir ao encanto de sua beleza e pediu-lhe que roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá. Para assegurar seu empreendimento, Oxum partiu para a floresta em busca das Yami (as feiticeiras) a fim pedir também a elas que a ensinassem a ver o futuro. Como as Yami desejavam provocar Exú há tempos, não ensinaram Oxum a ver o futuro, pois sabiam que Exú já havia roubado os segredos de Orunmilá, mas a fazer inúmeros feitiços em troca de que a cada um deles elas recebessem sua parte.

Tendo Exu conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o Deus da adivinhação se viu obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e lhe entregou os 16 búzios com que até hoje as mulheres jogam.

Em agradecimento a Exu, Oxum deu-lhe a honra de ser o primeiro orixá a ser louvado no jogo de búzios, e entrega a ele suas palavras, para que as traga aos sacerdotes. Assim, Oxum é também a força da vidência feminina.

Mais tarde, Oxum encontrou Oxóssi na mata e apaixonou-se por ele. A água dos rios e floresta tiveram então um filho, chamado Logum Odé, a criança mais linda, inteligente e rica que já existiu.

Apesar do seu amor por Oxóssi, numa das longas ausências deste, Oxum foi seduzida pela beleza, os presentes (Oxum adora presentes) e o poder de Xangô, irmão de Oxóssi, rompendo sua união com o Deus da floresta e da caça. Como Xangô não aceitasse Logum Odé em seu palácio, Oxum abandonou seu filho, usando como pretexto a curiosidade do menino, que um dia foi vê-la banhar-se no rio. Oxum pretendia abandoná-lo sozinho na floresta, mas o menino se esconde sob a saia de Iansã, a Deusa dos raios, que estava por perto. Oxum deu então seu filho a Iansã e partiu com Xangô tornando-se, a partir de então, sua esposa predileta e companheira cotidiana.

Curiosidade
Oxum é muito importante na Nigéria, tanto que existe um Festival comemorativo para esta Nação e para a Divindade. Veja a curiosidade a seguir:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Festival de Osun é realizado anualmente em Osogbo ou Oshogbo que é a capital e a maior cidade do estado de Osun, na Nigéria.
O Festival Anual de Osun existe desde que o rei fundador da cidade chamado Laro, segundo uma história oral recuperou sua filha desaparecida no rio Osun, agradecido passou a homenagear todos os anos a dona do rio Osun fazendo-lhe oferendas.
No dia do Festival Anual de Osun na Nigéria, o Atáója - contração de frase yoruba A téwó gbáà eja ("Ele estende as mãos e recebe o peixe") - vai solenemente até as margens do rio. Tem a cabeça coberta por uma coroa monumental feita com pequenas miçangas reunidas e é vestido com pesada roupa de veludo. Anda com calma e gravidade, rodeado por suas mulheres e seus dignitários. Nessa procissão anual, uma de suas filhas leva a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxum. É a Arugbá Òsun ("aquela que leva a cabaça de Oxum"). Ela representa a moça que outrora desapareceu no rio. Sua pessoa é sagrada, e o próprio rei inclina-se à sua frente. Depois que atinge a idade da puberdade, ela não pode mais preencher esta função. Mas, pela graça de Oxum, a descendência de Atáója é sempre numerosa, não faltando, pois, a possibilidade de se encontrar uma Arugbá Òsun disponível.
O Atáója senta-se numa clareira e acolhe as pessoas que vêm assistir à cerimônia. Os reis e os chefes das cidades vizinhas estão todos presentes ou enviam representantes. As delegações chegam, uma após a outra, acompanhadas de músicos. Trocas de saudações, posternações e danças sucedem-se como formas de cortesia recíprocas, com animação crescente. Ao final da manhã, Atáója, acompanhado do seu povo e dos seus hóspedes, aproxima-se do rio e aí manda lançar oferendas e comidas, no mesmo lugar onde Laro, fundador de Osogbo segundo o folclore local, o fizera outrora. Os peixes as disputam sob o olhar atento das sacerdotisas de Oxum.
A seguir, Atáója dirige-se até as proximidades de um templo vizinho e senta-se sobre Òkúta Laro, uma pedra onde o seu ancestral Laro teria repousado em outros tempos. A adivinhação é para saber se Oxum está satisfeita e se ela tem vontades a exprimir. Atáója então, volta para a clareira, onde recebe e trata os seus convidados com uma generosidade comparada com a de Oxum, a rainha dos rios.

Texto: Samir Castro – Bàbálòrìsà Samir ti Èsù
Referências: Cantando para os Orixás
Acervo Luz e Verdade



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